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Introdução ao relevo no PE Design Next
O relevo (emboss) e a gravação (engrave) são duas das técnicas mais úteis no arsenal de quem digitaliza. Transformam um preenchimento “plano” em algo com leitura táctil e volume — por exemplo, rugas realistas no joelho de um elefante, um logótipo com aspecto de “carimbo” ou texto que parece entalhado no tecido.
No entanto, na prática de bordado à máquina, um bom aspecto no ecrã não garante um bom resultado na costura. Um ficheiro que parece perfeito no software pode ficar rígido (“à prova de bala”), ondulado ou com repuxo se a parte física (estabilização, tensão, montagem no bastidor e atrito) não estiver controlada.
Neste guia em formato “white paper”, a ideia é ligar o desenho digital à execução real. Vamos usar as funções Emboss/Engrave no separador Edit para:
- Desenhar linhas de textura à mão livre para detalhes orgânicos.
- Converter linhas em texturas carimbadas que interagem com o preenchimento de fundo.
- Comparar Line vs. Engrave vs. Emboss para perceber o que acontece ao fio.
- Resolver o menu “a cinzento” criando contornos e desagrupando texto.
- Ajustar a preparação física para suportar pontos densos/texturados sem distorção.
A realidade da textura: Preenchimentos texturados aumentam densidade e esforço no tecido. Se a montagem no bastidor estiver frouxa, o tecido tende a “puxar” para dentro (efeito ampulheta) e as linhas de relevo podem deslocar-se. É por isso que, em ambiente profissional, se passa muitas vezes de bastidores de fricção para bastidores de bordado para máquinas de bordar com melhor aderência e estabilidade, mantendo o tecido bem esticado durante todo o processo.

Passo a passo: adicionar textura a preenchimentos
Base: o que está realmente a acontecer quando se faz “relevo”
Neste fluxo de trabalho, não se está apenas a desenhar uma linha; está-se a criar um “objecto de comando”. Desenha-se uma linha (ou contorno) e depois diz-se ao software para “carimbar” essa forma num preenchimento de fundo seleccionado. A linha original desaparece e as penetrações do preenchimento são recalculadas para criar um vale (gravação) ou uma crista (relevo).
Âncora mental: imagine o preenchimento como cimento fresco e a linha como um pau que se pressiona. O “cimento” (preenchimento) desloca-se para acomodar a forma. O ponto crítico é: têm de estar seleccionados os dois objectos (linha + preenchimento) para haver reacção.

Preparação: consumíveis “escondidos” e verificações (para o bordado real bater certo com a pré-visualização)
Antes de mexer no software, convém garantir o ambiente físico. O relevo/gravação depende muito de luz/sombra; se a tensão estiver fora, o efeito perde-se.
Consumíveis que ajudam a ter sucesso:
- Agulha 75/11 ponta aguda (Sharp): em preenchimentos densos, uma ponta aguda tende a dar definição mais nítida do que uma ponta bola.
- Spray temporário para bordado (adesivo): ajuda a manter tecido e estabilizador solidários, reduzindo deslizamento durante texturas densas.
- Película solúvel (topper) — opcional: em felpo, polar ou toalha, um topper pode ser decisivo para a textura não “afundar” no pêlo.
Verificação rápida (antes de testar a textura):
- Tensão (teste táctil do fio): com o calcador em baixo, puxar a linha superior. Deve haver resistência consistente, sem “escapar” demasiado fácil.
- Bobina (inspecção visual): num bordado anterior, procurar um equilíbrio aceitável no avesso (sem excesso de linha superior a “invadir” o avesso).
- Teste do toque no bastidor: depois de montado, tocar no tecido. Deve estar firme e sem ondulações.
Realidade de produção: Em séries (ex.: 50+ peças), a fadiga na montagem manual aumenta erros. As marcas do bastidor (brilho/pressão deixados por anéis) podem gerar retrabalho. É aqui que muitas oficinas passam a usar uma estação de colocação de bastidores para máquina de bordar para repetibilidade de posicionamento; e bastidores magnéticos para reduzir esforço e variação na pressão.
Checklist de preparação (fim da preparação)
- [ ] Agulha: montada uma 75/11 ponta aguda nova (ou equivalente).
- [ ] Tensão: verificada na linha superior e confirmada na bobina.
- [ ] Estabilizador: escolhido de acordo com o tecido (ver Árvore de decisão abaixo).
- [ ] Montagem no bastidor: tecido bem esticado, sem ondas; marcas de alinhamento confirmadas.
- [ ] Consumível: spray aplicado se estiver a “flutuar” material ou se o tecido escorregar.

Passo 1 — Seleccionar a ferramenta Curved Open Line
No separador Home, abrir o menu Line Region Tool e seleccionar Curved Open Line.
Dica prática: a autora mantém esta ferramenta na barra de Acesso rápido para ganhar tempo.
Checkpoint: o cursor muda, indicando que a ferramenta está activa.

Passo 2 — Desenhar linhas de rugas à mão livre (pontos âncora + duplo clique para terminar)
Fazer zoom (idealmente 200% ou mais) na zona a texturar (ex.: joelho do elefante).
- Acção: clique esquerdo para colocar pontos âncora e desenhar a curva.
- Acção: duplo clique para terminar a linha.
Confirmação visual: aparece uma linha vectorial fina por cima do preenchimento. Ainda não cria pontos — é apenas o “molde”.

Passo 3 — Fazer a multisselecção correctamente e aplicar Emboss/Engrave “From Outline”
Aqui está o ponto onde mais se falha: seleccionar só a linha não chega.
- Seleccionar a linha: clicar na ruga que acabou de desenhar.
- Adicionar o preenchimento: manter Ctrl premido e clicar no preenchimento de fundo.
- Executar: ir ao separador Edit, clicar no ícone Emboss/Engrave e escolher Line (ou Engrave/Emboss) no menu.
Nota: não é problema se a linha ultrapassar a borda do preenchimento; o software faz o recorte ao aplicar o efeito.
Checkpoint: a caixa de selecção deve abranger linha + área de preenchimento.
Resultado esperado: a linha vectorial desaparece e o preenchimento passa a mostrar uma “vinco/faixa” de textura.

Passo 4 — Editar o relevo carimbado (Edit Stamp: clicar 1x no preenchimento, 2x no carimbo)
Depois de aplicado, não se edita clicando na “linha” — ela já não é um objecto independente; passou a ser uma propriedade do preenchimento.
- Activar: clicar no ícone Edit Stamp (normalmente um carimbo com uma pequena seta).
- Focar: clicar uma vez no preenchimento (para indicar que é esse o objecto a editar).
- Seleccionar: clicar uma segunda vez na marca/textura para seleccionar o “carimbo”.
- Ajustar: usar as pegas da caixa para rodar, alargar ou estreitar a textura.
Checkpoint: aparece uma caixa delimitadora com pegas à volta da marca (o “fantasma” da linha).

Passo 5 — Aplicar em formas “manual punch” e em colunas de ponto satinado
A demonstração aplica o efeito também a formas criadas em “manual punch” (mudando a cor para rosa para se ver melhor). Mais importante: aplica-o a um Satin Block.
Ponto técnico importante: Carimbar textura num ponto satinado (coluna) altera o comportamento mecânico do ponto, forçando penetrações no meio da coluna (como se “partisse” o satinado).
- Vantagem: ajuda a quebrar pontos demasiado longos (menos propensos a prender/enganchar).
- Custo: mais penetrações = mais atrito e aquecimento.
Em produção com satinado texturado, bastidores comuns podem escorregar com o atrito, criando problemas de alinhamento (contornos a não baterem certo com preenchimentos). Um fluxo consistente com uma estação de colocação de bastidores hoopmaster pode ser determinante para reduzir rejeições.



Compreender a diferença: Line vs. Engrave vs. Emboss
As definições podem variar ligeiramente por versão, mas a leitura prática é esta:
1) Line
Efeito: o software calcula um percurso de penetrações ao longo da linha vectorial. Aspecto: vinco definido. Útil para detalhes nítidos (nervuras, rugas marcadas, arestas).
2) Engrave
Efeito: “afundado”. O preenchimento é reorganizado para criar um vale. Aspecto: parece gravado/pressionado para dentro.
3) Emboss
Efeito: “elevado”. O software ajusta densidade e/ou direcção para apanhar luz e simular relevo. Aspecto: 3D, a “saltar” do fundo.

Porque isto interessa para a fiabilidade do ponto (verificação de realidade)
Áreas elevadas (Emboss) concentram fio. Se a densidade base já for alta, o relevo pode empurrar o conjunto para uma zona demasiado rígida.
- Resultado possível: deflexão da agulha, desgaste/ruptura de linha e tecido duro.
- Correcção (com prudência): ao usar Emboss, pode ser necessário reduzir ligeiramente a densidade do preenchimento base para “criar espaço” para a textura (no exemplo do texto original: de 4.5 para 5.0 em PE Design).
Ligação à montagem no bastidor: Texturas densas aumentam a força de tracção. Bastidores de anel podem ceder com o esforço. Por isso, muitos profissionais optam por bastidores de bordado magnéticos, onde a pressão vertical ajuda a segurar materiais mais grossos/texturados sem depender de apertos por parafuso.
Aviso: segurança mecânica.
Texturas densas geram calor na agulha. Se surgir um som rítmico de “batida”/“clique” e o tecido começar a levantar, parar.
1. Verificar acumulação de adesivo na agulha.
2. Trocar para uma agulha maior (90/14) se o material o permitir.
3. Reduzir a velocidade (SPM) em ~20%.
Técnica avançada: efeitos 3D em texto
Passo 6 — Criar texto e perceber porque a opção aparece a cinzento
Escreve-se o texto, selecciona-se com o fundo e… o botão fica a cinzento.
Motivo: no PE Design, o texto é um “objecto de fonte” (dinâmico). O Emboss/Engrave precisa de um “objecto de contorno” (forma). É necessário converter o texto em contornos.

Passo 7 — Converter texto para Outline e depois Ungroup
Para desbloquear a função, seguir esta sequência (nota: depois disto já não se edita como texto com correcção/alteração de letras):
- Seleccionar o objecto de texto.
- Converter: no separador Attributes, escolher Convert to Outline (3.º ícone).
- Desagrupar: usar Ungroup para separar as letras.
Checkpoint: desaparece a caixa de grupo da palavra inteira e passam a existir caixas individuais por letra.

Passo 8 — Gravar/realçar letra a letra (sim, é manual)
O software exige este processo por letra.
- Seleccionar a letra “E”.
- Manter Ctrl e seleccionar o fundo.
- Separador Edit → Engrave.
- Repetir para cada letra (alternando Engrave/Emboss se quiser comparar).
Estratégia de “limpeza” (reduzir volume): Uma dúvida recorrente na prática é o excesso de espessura quando o texto fica “por cima” de um preenchimento.
- Abordagem indicada no contexto das lições: usar Remove Overlaps (referido como Lesson 35) para retirar os pontos do fundo por baixo das letras. Para isso, é essencial primeiro Convert to Outline e depois Ungroup, e então remover sobreposições letra a letra.
Nota técnica: planear o “texto 3D” para o tecido real
Texto 3D é um teste exigente. Em malhas (polo piqué, t-shirt), o preenchimento de fundo pode puxar o tecido; como as letras são carimbadas nesse preenchimento, qualquer deslocamento torna o texto visualmente “torto”.
Orientação de execução (mantendo o sentido do original):
- Estabilizador: em malhas, preferir cut-away (2.5 oz ou 3.0 oz). Evitar tear-away nesta técnica.
- Aderência: usar spray temporário para unir tecido e estabilizador.
- Velocidade: reduzir para 600–700 SPM.
Resolução de problemas comuns na gravação/relevo
Sintoma 1: Ponto satinado a falhar / a fazer laçadas
Causa provável: coluna de satinado demasiado larga (>8 mm–10 mm). Muitas máquinas começam a falhar com pontos muito longos. Solução: usar Emboss/Line para “cortar” a coluna, criando uma quebra de textura que força penetrações intermédias e transforma um ponto longo inseguro em pontos mais curtos.
Sintoma 2: Engrave/Emboss a cinzento no texto
Causa provável: o texto ainda está como objecto de fonte (ou está agrupado). Solução: Convert to Outline → Ungroup → seleccionar uma letra de cada vez com o fundo.
Sintoma 3: “Não consigo editar o relevo depois de aplicar”
Causa provável: está a clicar onde a linha estava. Solução: Edit Stamp → clicar no preenchimento → clicar na marca.
Sintoma 4: A pré-visualização está boa, mas o bordado sai ondulado/inconsistente
Causa provável: “flagging” (o tecido levanta e bate com a agulha) ou distorção por marcas do bastidor. Solução:
- Nível 1 (técnica): usar estabilizador malha fusível ou spray temporário.
- Nível 2 (ferramenta): em peças grossas/difíceis, um bastidor de bordado magnético pode segurar melhor sem deformar por pressão de anel.
- Nível 3 (sistema): para posicionamento repetível em encomendas, integrar uma estação de colocação de bastidores hoop master.
Aviso: segurança com bastidor magnético.
Bastidores magnéticos usam ímanes fortes.
* Risco de entalar: não deixar os anéis “fecharem a bater” sem tecido no meio.
* Electrónica: manter afastado de ecrãs e equipamento sensível; e manter distância de pacemakers.
Árvore de decisão: escolher estabilizador para efeitos gravados/em relevo (tecido → suporte)
Usar esta lógica para reduzir repuxo.
1) O tecido é elástico (polo, t-shirt, gorro)?
- SIM: usar cut-away (2.5 oz+). Evitar tear-away.
- NÃO: avançar para o passo 2.
2) O tecido tem pêlo/textura (toalha, polar, veludo)?
- SIM: tear-away ou cut-away + topper solúvel por cima. Sem topper, a gravação pode desaparecer.
- NÃO: avançar para o passo 3.
3) É tecido plano (ganga, lona, sarja)?
- SIM: tear-away (médio) costuma ser suficiente. O relevo tende a destacar bem em lona.
Configuração
Configuração: criar um fluxo de selecção repetível (para não “lutar” com a interface)
A eficiência no PE Design vem de repetir sempre a mesma sequência: Criar ferramenta → Ferramenta de selecção → Adicionar fundo → Executar comando.
Em contexto profissional, consistência é moeda. Tal como se normalizam cliques no software, convém normalizar a parte física. Sistemas como hoopmaster ajudam a criar um procedimento padrão para a montagem no bastidor, alinhado com a precisão do ficheiro.
Checklist de configuração (fim da configuração)
- [ ] Ferramentas: Curved Open Line activo (separador Home).
- [ ] Selecção: confirmado que consegue seleccionar dois objectos com Ctrl (a caixa de selecção comprova).
- [ ] Localização: identificado o Edit Stamp (ícone com seta).
- [ ] Limite: confirmado o comprimento máximo de ponto da máquina (normalmente 10 mm ou 12 mm) para decidir se é necessário “partir” satinado.
Operação
Operação: sequência limpa, pensada para produção
Caminho optimizado para aplicar textura:
- Zoom: 200% na zona alvo.
- Desenhar: criar a linha vectorial (molde).
- Ligar: seleccionar Linha + Ctrl no preenchimento de fundo.
- Acção: Edit → Emboss/Engrave → escolher tipo.
- Refinar: usar Edit Stamp para rodar/ajustar se a direcção da textura conflitar com o ângulo do preenchimento.
- Limpar: em texto, remover sobreposições se a contagem de pontos/rigidez for um problema.
Checklist de operação (fim da operação)
- [ ] Visual: a linha vectorial original desapareceu; a textura está visível.
- [ ] Limites: a textura não existe fora da forma do preenchimento.
- [ ] Editável: consegue re-seleccionar a textura com o Edit Stamp.
- [ ] Segurança: colunas de satinado foram “quebradas” (sem pontos únicos acima de 7–8 mm).
Controlos de qualidade
Verificações no ecrã antes de exportar
- Auditoria de densidade: se usou Emboss (elevado), reduziu a densidade base do preenchimento? (referência do original: ~4.5 para 5.0 no PE Design).
- Ângulo: a textura está a variar em relação ao ângulo do preenchimento? (textura paralela ao sentido do preenchimento tende a desaparecer; perpendicular destaca mais).
Verificações no mundo real após um teste (recomendado)
Testar num retalho de tecido semelhante.
- Teste ao toque: passar a unha na textura — está definida?
- Teste de estiramento: puxar ligeiramente — aparecem falhas nas zonas gravadas? (pode indicar necessidade de melhor estabilizador).
- Marcas do bastidor: existe um anel brilhante? Se sim, pode sair com vapor, mas vale a pena considerar sistemas de como usar bastidor de bordado magnético para reduzir o problema em trabalhos futuros.
Resultados
Fica com um fluxo de trabalho que vai além de “saber onde clicar”. Passa a dominar:
- Fluxo: Linha + preenchimento → Edit → carimbo.
- Física: como Line/Engrave/Emboss deslocam o fio.
- Atalho crítico: converter texto para Outline para desbloquear o menu.
- Segurança: porque “partir” pontos longos em satinado reduz falhas.
O mais importante é perceber que bordado é parceria entre digitalização e estabilização física. O ficheiro pode estar perfeito, mas se o bastidor escorregar ou o tecido repuxar, o resultado falha. Ao combinar digitalização precisa com estabilizadores adequados e soluções de montagem no bastidor (incluindo opções magnéticas quando fizer sentido), troca-se o “vamos ver se corre bem” por resultados consistentes.
Próximo passo: criar um quadrado simples com preenchimento, desenhar uma linha em “espiral” e testar Engrave vs Emboss numa peça de ganga. O feedback ao toque é um dos melhores professores.
