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Introdução aos controlos de lettering no Hatch
O lettering é uma das formas mais rápidas de valorizar um bordado — e também uma das formas mais rápidas de estragar uma peça. O que parece perfeito no ecrã pode transformar-se em laçadas, texto pouco definido ou tecido repuxado assim que a máquina começa a coser.
Este guia não é apenas “onde clicar”. É uma ponte entre o que se ajusta no Hatch e o que acontece na realidade na máquina de bordar. Vamos seguir o fluxo de trabalho demonstrado pela Linda Goodall, acrescentando checkpoints práticos: o que verificar antes de aumentar texto, como evitar pontos perigosamente longos e como tirar partido de efeitos sem perder legibilidade.
Vai aprender onde estão os controlos de lettering, como alternar o tipo de ponto com segurança, como evitar riscos ao redimensionar texto e como controlar a textura.

Mudança de mentalidade essencial: lettering não é “escrever e exportar”. Sempre que se redimensiona um nome, se muda o preset de tecido ou se aplica um efeito, altera-se a física do ponto: cobertura, estabilidade e comportamento do tecido.
Resolver o problema dos pontos de cetim demasiado longos
Ao aumentar lettering feito em ponto de Cetim (Satin), aumenta-se a distância que a linha percorre entre perfurações da agulha. No software parece liso; na peça real, um ponto de cetim demasiado longo entra rapidamente numa zona de risco.
Porque é que isto é um problema?
- Risco de prender (snag): fios longos agarram em botões, jóias e no atrito da lavagem.
- Falta de firmeza: com poucos pontos de ancoragem, o cetim pode ficar “mole” e sem cobertura consistente.
- Risco para a máquina: pontos muito longos podem aumentar a chicotada da linha, favorecer desfibragem e até desviar a agulha.

Passo a passo: aumentar o texto e controlar a “física” do ponto
- Selecionar o objecto de lettering na área de trabalho.
- Abrir “Object Properties” (duplo clique ou botão direito > Properties).
- Aumentar o texto arrastando o puxador de canto.
- Checkpoint prático: se o aumento for significativo, parar e observar a largura das colunas de cetim.
- Avaliar o risco: ao ampliar, verificar se as colunas ficam “largas” para cetim. Se estiverem demasiado largas, é necessário actuar.
- Opção A: activar “Auto Split”. O Hatch cria perfurações intermédias para encurtar o vão do ponto, mantendo o aspecto de cetim.
- Opção B: mudar para “Tatami”. Para letras muito grandes, o cetim pode deixar de ser estruturalmente adequado. Um preenchimento Tatami tende a ser mais estável em áreas grandes.


A lógica do “Auto Split”
O “Auto Split” funciona como rede de segurança: adiciona perfurações intermédias para que o fio não fique a “atravessar” distâncias excessivas.
Um detalhe importante demonstrado no vídeo: as perfurações do split ficam desfasadas.
- Se estivessem alinhadas: ver-se-ia uma linha marcada de furos ao centro (efeito “calha”).
- Ao estarem desfasadas: o aspecto mantém-se mais uniforme, mas o vão do ponto fica mais curto e resistente ao uso e lavagens.
Usar “Elastic Embossed Fill” para textura
Depois de garantir a estrutura, pode acrescentar valor com textura. A textura altera a forma como a luz “bate” na linha, criando um aspecto premium.

Passo a passo: aplicar “Elastic Embossed Fill”
- Selecionar o lettering.
- Ir ao separador “Effects” em “Object Properties”.
- Escolher “Elastic Embossed Fill”.
- Observação: no vídeo, o padrão acompanha a direcção do ponto e a curvatura das letras — isto ajuda a manter a legibilidade.
- Ajustar o padrão: alterar o layout para “Single Row” quando se pretende reduzir “ruído visual”, sobretudo em letras mais pequenas.


Checkpoint de produção: a variável da montagem no bastidor
Preenchimentos texturados são mais sensíveis a pequenas deslocações do material. Se o tecido se mexer, o efeito pode ficar irregular.
É aqui que o digital encontra a contenção física. Em artigos difíceis (por exemplo, materiais escorregadios), a forma como se faz a colocação de bastidor para máquina de bordar passa a ser um passo de controlo de qualidade: garantir que o material fica bem estabilizado e com tensão uniforme ajuda a que a textura saia como previsto.
Criar contornos texturados com “Feathered Edge”
O “Feathered Edge” cria um contorno irregular e orgânico — útil para estilos “distressed”, temas de terror ou efeitos que imitam pêlo.
Passo a passo: “Feathered Edge” em lettering
- Ir ao separador “Effects”.
- Seleccionar “Feathered Edge”.
- Auditar os lados: alternar “Side 1”, “Side 2” ou “Both”.
- Verificação visual: o efeito está a prejudicar a leitura do texto?
- Remover se comprometer a legibilidade.


Dica profissional: gerir expectativas do cliente
“Feathered” para quem digitaliza pode parecer “desfiado” para quem espera um logótipo corporativo limpo.
- Acção: antes de produzir, enviar uma pré-visualização ou uma foto de um teste bordado.
- Nota prática: em malhas mais soltas, contornos muito irregulares podem “afundar” e perder definição se não houver uma base (underlay) adequada.
Underlay automático: a estrutura invisível do bordado
O underlay é a costura que acontece antes do ponto visível. Ajuda a fixar o tecido ao estabilizador e cria uma fundação. O Hatch automatiza parte desta lógica, mas compreender o “porquê” facilita a resolução de problemas.

1. Predefinições dependentes do tecido
No vídeo, a Linda mostra que as opções mudam consoante o tecido seleccionado na barra de estado (por exemplo, “Pure Cotton”).
- Terry Cloth/Fleece: é expectável que o software tenda a reforçar a base para evitar que o ponto “afunde” no pêlo.
- Tecidos mais delicados: é comum reduzir agressividade para minimizar repuxo.

Armadilha comum: deixar um tecido seleccionado no software que não corresponde ao material real pode levar a resultados fracos (demasiada perfuração, repuxo ou falta de cobertura). Recomenda-se alinhar sempre o preset de tecido com o material que vai para a máquina.
2. Predefinições dependentes da largura da coluna
O Hatch também altera o underlay com base na largura da coluna:
- Colunas largas: tende a usar “Edge Run + Zigzag” para segurar as bordas e suportar a área.
- Colunas estreitas: muda para “Center Run”, porque underlays mais complexos podem ser excessivos numa coluna estreita.




Árvore de decisão: tecido → estabilizador → underlay
Use esta lógica para decidir antes de digitalizar:
Cenário A: Alto pêlo (toalhas/fleece)
- Risco: pontos a afundar; laçadas a prender.
- Estabilizador: cutaway mais forte + topping solúvel em água.
- Estratégia de underlay: base mais firme para “assentar” o pêlo.
Cenário B: Malhas elásticas (polos técnicos)
- Risco: distorção; repuxo.
- Estabilizador: malha cutaway (no-show mesh). Evitar tearaway em malhas quando o objectivo é estabilidade.
- Estratégia de underlay: uma base que estabilize antes do ponto de cobertura.
Cenário C: Tecidos estáveis (ganga/lona)
- Risco: rigidez excessiva.
- Estabilizador: tearaway pode ser suficiente em muitos casos.
- Estratégia de underlay: predefinições standard, ajustando apenas se necessário.
Em produção com repetição (por exemplo, logótipos no peito esquerdo), a consistência de colocação é um gargalo real. Investir em estações de colocação de bastidores pode ajudar a repetir ângulo e tensão de forma consistente, para que as definições de underlay se comportem sempre da mesma maneira.
Gestão de ficheiros: o protocolo de segurança “.EMB”
Há uma regra que separa amadores de profissionais: guardar sempre o ficheiro nativo de trabalho.

Regra de ouro
- Guardar primeiro em .EMB (formato nativo do Hatch). Mantém dados editáveis do objecto (texto, fonte, propriedades e capacidade de redimensionar com controlo).
- Exportar depois para formato de máquina (.DST, .PES, .EXP). Estes formatos são essencialmente coordenadas de pontos; não “sabem” que aquilo era texto.


Porquê? Se for preciso alterar “Smith” para “Smyth”, com .EMB é rápido. Se só existir o ficheiro de máquina, muitas vezes é necessário refazer.
Preparação: a base física
Nem tudo se resolve no software. Antes de testar o ficheiro, fazer uma verificação rápida à máquina.
Consumíveis “escondidos” e verificações sensoriais
- Agulhas: uma agulha gasta pode causar falhas de ponto, laçadas e tensão inconsistente. Se houver dúvida, trocar por uma nova.
- Tensão: se a linha da bobina aparece por cima, nem sempre é “só tensão”. Na prática, uma causa frequente é agulha gasta/danificada — vale a pena começar por aí (como é sugerido nos comentários).
- Estabilização: escolher estabilizador adequado e garantir boa fixação no bastidor. Em materiais mais espessos ou difíceis, muitos profissionais optam por bastidores de bordado magnéticos para facilitar a montagem e reduzir marcas do bastidor.
Checklist de preparação
- [ ] Agulha nova instalada: evitar bordar lettering com agulha antiga.
- [ ] Bobina verificada: limpar cotão e confirmar bobinagem uniforme.
- [ ] Montagem no bastidor: o tecido deve ficar firme (tenso, sem esticar em excesso).
- [ ] Correspondência no software: o tecido seleccionado no Hatch corresponde ao material real.
- [ ] Material de teste: ter um retalho semelhante para o primeiro teste.
Configuração: integração do software com a máquina
Esta secção segue o fluxo do vídeo, com foco em segurança antes de iniciar a produção.
Passos de configuração
- Seleccionar o objecto: destacar o texto no Hatch.
- Confirmar o tipo: em “Object Properties” > “Lettering”, verificar se está em “Satin” (uso comum) ou “Tatami” (áreas maiores).
- Redimensionar e verificar: se aumentou, confirmar se “Auto Split” está activo quando necessário.
- Verificar o efeito: se usar “Elastic Embossed Fill”, ampliar a 100% para confirmar leitura e coerência do padrão.
Em fluxos mais comerciais, é comum haver dificuldades de alinhamento e consistência. Uma estação de colocação de bastidores para bordado ajuda a alinhar peça e estabilizador antes de aplicar o bastidor, reduzindo desvios no texto.
Checklist de configuração
- [ ] “Object Properties” acessível: separadores “Lettering/Effects/Stitching” visíveis.
- [ ] Lógica do tipo de ponto: “Satin” vs “Tatami” decidido em função do tamanho.
- [ ] Underlay coerente: tecido correcto seleccionado (por exemplo, “Fleece” quando aplicável).
- [ ] Guardar: ficheiro guardado em .EMB antes de exportar.
Operação: execução
Agora aplicam-se as alterações com critérios de sucesso.
Passos de operação (com métricas de sucesso)
- Redimensionar o lettering: arrastar o puxador de canto.
- Métrica: o texto fica no tamanho pretendido.
- Verificação de segurança: ampliar e inspecionar colunas de cetim.
- Métrica: se houver vãos longos, “Auto Split” está activo.
- Aplicar textura: “Effects” > “Elastic Embossed Fill”.
- Métrica: o padrão acompanha a curvatura/direcção do lettering.
- Refinar: escolher “Single Row” quando melhora a leitura.
- Métrica: menos ruído, mais definição.
- Rever underlay: separador “Stitching”.
- Métrica: colunas largas com “Edge Run + Zigzag”; colunas estreitas com “Center Run”.
Em produção, a eficiência conta. Padronizar bastidores de bordado para máquinas de bordar pode permitir preparar a próxima peça enquanto a primeira está a bordar.
Checklist de operação
- [ ] “Auto Split” activo: confirmado quando necessário.
- [ ] Textura legível: efeitos visíveis e coerentes no ecrã.
- [ ] Estratégia de underlay: verificada no separador “Stitching”.
- [ ] Feathering: aplicado apenas quando o aspecto “irregular” é intencional.
Controlo de qualidade: a última barreira
Antes de entregar, inspecionar com método.
Regra visual “1/3”
Virar a peça do avesso. Em colunas de cetim, é comum ver a linha da bobina mais ao centro e a linha superior nas laterais.
- Demasiada linha da bobina por cima? pode indicar desequilíbrio de tensão, mas também agulha gasta.
- Quase não se vê bobina no avesso? pode indicar tensão superior demasiado solta (ou bobina demasiado apertada).
Teste da unha (táctil)
Raspar levemente o cetim.
- Se abre/separa: densidade baixa ou underlay insuficiente.
- Se fica demasiado rígido: densidade alta (efeito “placa”).
Para peças estreitas (mangas, pernas), bastidores standard podem deformar a tensão. Um bastidor de bordado para mangas ajuda a manter um campo longo/estreito com melhor controlo.
Resolução de problemas
Diagnosticar por sintoma, não por tentativa e erro.
| Sintoma | Causa provável | Correcção (do mais simples ao mais exigente) |
|---|---|---|
| Laçadas / “ninho” de linha | Linha superior mal enfiada ou tensão superior demasiado solta. | 1. Voltar a enfiar a máquina (com o calcador levantado). <br>2. Verificar discos de tensão e percurso da linha. |
| Pontos de cetim a prender | Ponto demasiado longo após aumento. | Hatch: activar “Auto Split” ou mudar para “Tatami”. |
| Linha da bobina a aparecer por cima | Agulha gasta/danificada ou desequilíbrio de tensão. | 1. Trocar a agulha por uma nova. <br>2. Limpar a caixa da bobina e zona do gancho. <br>3. Ajustar ligeiramente a tensão superior. |
| Lettering “mastigado” | Densidade demasiado alta ou preset de tecido inadequado. | Hatch: confirmar tecido seleccionado e rever underlay (evitar excesso em colunas estreitas). |
| Não dá para editar o texto | Ficheiro errado (apenas formato de máquina). | Abrir/guardar sempre o .EMB para manter editabilidade. |
Resultados e próximos passos
Fica com um fluxo de trabalho profissional para lettering:
- Segurança: reduz risco de prender e instabilidade ao controlar o comprimento do ponto com “Auto Split”.
- Estética: aplica “Elastic Embossed Fill” e ajusta “Single Row” para textura com leitura.
- Estrutura: entende como o Hatch ajusta underlay por tecido e por largura de coluna.
- Processo: protege o trabalho ao guardar sempre em .EMB.
Quando o software deixa de ser o limite, o gargalo passa muitas vezes a ser a montagem e a produção. Se houver dificuldade em montar peças grossas, se existirem marcas do bastidor ou se for preciso aumentar cadência, explorar como usar bastidor de bordado magnético pode ser um próximo passo lógico para alinhar a velocidade física com a qualidade da digitalização.
