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Materiais necessários para o seu centro de mesa ITH

Este projecto não é apenas uma decoração sazonal; é uma verdadeira aula de construção In-the-Hoop (ITH) de nível intermédio. Vai bordar vários segmentos acolchoados, um a um, e depois uni-los exclusivamente com a máquina de bordar. Não é necessária máquina de costura. O “truque” aqui é a união: quando é bem feita, as peças encaixam como um puzzle, e os pontos cheios finais tornam a emenda praticamente invisível.
Vai trabalhar com charm squares (peças de tecido de 5" x 5"), manta e estabilizadores. O desafio está na repetição: é necessário executar exactamente o mesmo fluxo de trabalho em vários segmentos antes de montar o anel exterior e a peça central. Aqui, a precisão não é opcional — é a diferença entre um centro de mesa plano e um trabalho que fica em “taça”.
O que vai aprender (e o que normalmente corre mal)
- Física do estabilizador: Como construir um segmento rígido sobre uma base hidrossolúvel sem empenar.
- Gestão de volume: Como aparar a aplicação de forma estratégica (não apenas “rente”) para que as sobreposições não acumulem espessura.
- A união “puzzle”: Como coser duas peças soltas em conjunto com segurança, controlando a velocidade da máquina e a posição das mãos.
- Disciplina de fluxo: Evitar o erro clássico em ITH: esquecer-se de aparar antes de a camada seguinte tapar a linha de fixação.
Materiais-base mostrados no vídeo
- Ficheiros de bordado Creative Kiwi (table topper).
- Tecido: Algodões com tema Halloween (charm squares ou cortes de layer cake). Nota: no vídeo não é referido pré-lavagem; se optar por pré-lavar, faça-o de forma consistente em todos os tecidos para evitar diferenças de encolhimento.
- Manta: Manta fina (low-loft) para manter o volume controlado no bastidor.
- Estabilizador de base: Estabilizador hidrossolúvel (WSS) de gramagem elevada. O tipo fibroso/tecido tende a comportar-se melhor do que o filme plástico em trabalho estrutural.
- Verso (backing): Estabilizador cut-away (ou tecido a condizer se quiser reversível).
- Linhas: Linha superior de bordado (a Sue usa cores vivas para visibilidade/estética). Para construção, uma cor neutra pode ajudar a evitar “transparências”.
- Ferramentas: Tesoura curva para aplicação, tesoura de precisão, fita de baixa aderência.
- Máquina: Máquina de bordar (a Sue usa uma Brother Dream Machine).

Caminho de melhoria de ferramentas (quando o projecto está certo, mas o fluxo é lento)
Se vai fazer apenas um centro de mesa, um bastidor standard é suficiente. No entanto, este projecto exige montar o estabilizador no bastidor pelo menos cinco vezes. Se estiver a “lutar” para deixar o WSS bem esticado em todas as montagens, ou se sentir esforço repetitivo ao apertar o parafuso, isso é uma limitação do hardware.
Para construções ITH repetitivas, muitos utilizadores passam de bastidores standard para um bastidor de bordado magnético para brother dream machine. O aperto magnético reduz as marcas do bastidor (marcas de pressão no tecido) e acelera significativamente o processo de voltar a montar no bastidor.
- Nível 1 (Técnica): Usar uma borracha antiderrapante (tipo abre-frascos) para apertar o parafuso do bastidor standard.
- Nível 2 (Ferramenta): Passar para bastidores magnéticos para uma montagem rápida e consistente.
Passo 1: preparar o estabilizador e a aplicação

No bordado, 80% é preparação e 20% é costura. O ritmo da Sue mostra bem isto: ter tudo pronto (materiais e instruções) evita stress a meio do bordado.
Preparação: consumíveis “escondidos” e verificações (não saltar)
Antes de carregar em “Start” (Iniciar), é importante controlar o processo. Em ITH, pequenas inconsistências acumulam-se. Uma agulha cansada pode até “passar” num bordado plano, mas em camadas (manta + tecido + estabilizador) aumenta o risco de falhas de linha e problemas de tensão.
Inspecção pré-arranque:
- Agulha: Colocar uma agulha nova adequada ao volume do “sanduíche”.
- Bobina: Confirmar que há linha da bobina suficiente (ficar sem bobina durante ponto cheio é difícil de disfarçar).
- Fixação: Ter fita de bordado ou adesivo temporário pronto para “flutuar” materiais com controlo.
- Limpeza: Remover cotão na zona de costura (especialmente se estiver a trabalhar com manta).
- Instruções: Imprimir as instruções do projecto. No vídeo, a Sue refere explicitamente que imprime as instruções antes de começar.

Passo a passo: construir a base do primeiro segmento
- Montar o estabilizador hidrossolúvel (WSS) no bastidor
- Verificação táctil/sonora: Ao tocar no estabilizador, deve sentir-se bem esticado (efeito “pele de tambor”). Se houver folga, os segmentos podem não alinhar mais tarde.
- Bordar o contorno de colocação
- Este contorno é o “mapa” de posicionamento. A Sue usa laranja vivo para se ver bem no vídeo; na prática, uma cor neutra pode ser mais discreta.
- Flutuar a manta e fixar com a costura de fixação
- “Flutuar” significa colocar o material por cima do bastidor, sem o prender dentro do aro.
- Colocar a manta dentro do contorno e executar a costura de fixação.
- Flutuar o primeiro tecido por cima da manta
- Colocar o charm square a cobrir totalmente a área.
- Ponto crítico: Garantir cobertura generosa, sobretudo nas zonas onde haverá sobreposição e união.

Pontos de controlo (como saber que está correcto)
- Visual: O contorno no WSS está regular (sem deformações).
- Táctil: A manta não levanta quando passa a mão suavemente.
- Cobertura: O tecido ultrapassa a linha de fixação com margem suficiente em todos os lados.
Resultados esperados
- Uma base estabilizada, plana e pronta para as camadas decorativas.
Lista de verificação (usar antes de cada segmento)
- [ ] Tensão do estabilizador: Está bem esticado no bastidor?
- [ ] Tesoura pronta: A tesoura curva está acessível?
- [ ] Enfiamento: A linha superior está correctamente posicionada no percurso?
- [ ] Área limpa: A base da máquina está livre de recortes e fios?
Passo 2: acolchoamento e ponto cheio nos segmentos

Agora a máquina constrói as camadas estéticas: costuras de fixação, aparar excedentes, pontos de acolchoamento decorativo e acabamento das arestas.
Sequência de aparo da aplicação (com atenção às sobreposições)
Aparar é a parte mais “manual” do processo. A Sue não apara ao acaso; apara com intenção.
- Retirar o bastidor da máquina. Evite aparar com o bastidor preso ao módulo — pode forçar o conjunto e comprometer o alinhamento.
- Aparar junto à linha de fixação.
- Regra de ouro nas zonas de união: Nas arestas interiores (onde este segmento vai encaixar no seguinte), o aparo tem de ser limpo e consistente. Se ficar volume aqui, as “peças do puzzle” não assentam planas.

Nota prática: Em ITH, o volume é o inimigo. A tesoura curva ajuda a levantar ligeiramente o tecido para cortar rente sem cortar a costura estrutural.
Pontos de acolchoamento e escolhas de cor
Depois de aparar, a máquina executa o acolchoamento decorativo.
- Escolha de design: A Sue usa roxo para contraste.
- Consistência: Se estiver a fazer um conjunto, registe as cores/linhas usadas para que os segmentos não “destoem” quando formarem o anel.
Colocar o verso (rigidez e manuseamento)
Agora vira-se o bastidor. É preciso cobrir o verso do bordado. No vídeo, a Sue usa estabilizador cut-away como verso.
- Porquê? O WSS por si só não dá estrutura suficiente para aguentar bem o acabamento e o manuseamento. O cut-away acrescenta rigidez.
- Alternativa: Se quiser reversível, usar tecido a condizer em vez de estabilizador.

Fixe o verso na parte inferior do bastidor. Pode usar fita de bordado ou fita tipo pintor (baixa aderência). Evite fitas que deixem resíduos.
Aparar com cuidado (frente e verso)
Depois de a máquina prender o verso, retire o bastidor e apare o excedente no verso. Um corte limpo ajuda o trabalho a assentar plano.

Pontos de acabamento do segmento
- Ziguezague: Ancora as camadas.
- Ponto cheio (colunas): O “acabamento bonito”. A Sue usa roxo no exterior e preto em detalhes interiores.

Pontos de controlo
- Tensão: Não deve ver linha da bobina à superfície.
- Arestas: O ponto cheio deve encapsular as arestas cruas.
- Planura: Fora do bastidor, o segmento não deve enrolar. (Se enrolar, é sinal de estabilizador pouco esticado e/ou tensão excessiva.)
Resultados esperados
- Um “Parte 1” firme, limpo e com arestas bem acabadas.

A técnica “puzzle”: unir peças no bastidor
Esta é a fase decisiva. Mantém-se a “Parte 2” no bastidor e alinha-se fisicamente a “Parte 1” já pronta contra ela, enquanto a máquina as cose em conjunto.
Se tem interesse em multi-hooping na máquina de bordar, dominar este alinhamento manual é essencial.

Passo a passo: como unir duas partes
- Bordar a Parte 2 até à paragem de cor da “Join” (união).
- A máquina pára e normalmente faz uma linha de colocação que indica onde a união vai acontecer.
- Posicionar a Parte 1 já concluída.
- Encostar a aresta acabada da Parte 1 exactamente à linha de colocação da Parte 2.
- Regra do encaixe: Deve ficar encostado — sem sobreposição (volume) e sem folga (buraco).
- Manter a Parte 1 plana.
- É necessário segurar a peça solta plana contra o estabilizador.
- Executar a união.
- A máquina faz um ponto de “ponte” (por exemplo, ziguezague) que apanha tanto a peça no bastidor como a peça solta.

Pontos de controlo
- Som: O som deve ser regular. Se ouvir “batidas” fortes, a agulha está a encontrar volume excessivo (normalmente por aparo insuficiente).
- Visual: A união fica alinhada e sem “degrau”.
Resultados esperados
- Dois segmentos unidos numa só peça. A emenda pode parecer “bruta” nesta fase, mas o ponto cheio final vai cobri-la.
Porque é que as uniões falham (e como evitar)
- Problema: A peça solta desloca-se quando o bastidor se move.
- Solução: Em vez de dedos perto da agulha, usar uma ferramenta (estilete/stylus) para segurar perto do calcador.
- Problema: Quebra de agulha.
- Solução: Quase sempre é volume acumulado. Rever o aparo no Passo 2 e, se necessário, reduzir volume nas zonas de encaixe.
Nota de produção: Se estiver a produzir para venda, a consistência manda. Usar uma colocação de bastidor para máquina de bordar mais padronizada ajuda a repetir a tensão e o posicionamento, facilitando o encaixe de peças geométricas em séries.
Dica de segurança: gerir a velocidade da máquina durante a união
A união é o único momento em que as mãos ficam perigosamente perto da agulha em movimento. No vídeo, a Sue insiste em abrandar.
Aviso: risco mecânico
Durante a união, os dedos podem ficar a milímetros de uma agulha em movimento. Reduza a velocidade da máquina para cerca de 400 SPM (ou o mínimo disponível). No vídeo, a Sue refere trabalhar por volta de 400.
Não coloque os dedos na zona do calcador com a máquina a correr. Use um pauzinho/stylus para segurar o tecido.
Postura segura (prática)
- Apoiar a peça solta na mesa (uma mesa de extensão ajuda).
- Não deixar o peso da peça puxar o bastidor: a gravidade pode roubar 1–2 mm ao alinhamento e estragar a união.
Montagem final: fixar a peça central
A montagem final usa uma técnica de “encaixe”: borda-se um octógono central e fixa-se o anel exterior completo sobre ele.

Passo a passo: fluxo da peça central
- Montar e fixar: Montar WSS no bastidor, flutuar manta e tecido, e executar a costura de fixação.
- Acolchoamento: Executar os pontos decorativos interiores.
- Personalização: Aqui pode adicionar monograma/data (no vídeo, a Sue refere que este é o momento para colocar uma frase, se quiser).
- Verso primeiro: Ao contrário de outras fases, colocar o verso antes de aparar (a Sue corrige isto no vídeo).
- Aparar: Aparar com precisão o octógono — isto dita se o anel fica centrado ou desalinhado.

Passo a passo: unir o anel exterior ao centro
- Flutuar o anel exterior completo: Colocar o anel por cima do bastidor onde está a peça central.
- Alinhar as marcas: Fazer coincidir as marcas do desenho com as emendas do anel.
- Coser: Executar a união muito devagar.
Nota prática: O anel é pesado e tende a escorregar. É necessário suportar o peso com as mãos (ou com apoios na mesa) para manter tudo ao nível da chapa da agulha.
Pontos de controlo
- Simetria: A distância do centro ao anel deve parecer igual em todos os lados.
- Sem dobras: Nenhuma parte do anel deve ficar dobrada por baixo da costura de união.
Resultados esperados
- Um centro de mesa completo e unificado.
Contexto comercial: Se pretende vender, o tempo de bordado é relativamente constante, mas o tempo de manuseamento varia muito. Passar para bastidores de bordado magnéticos pode reduzir o atrito das múltiplas montagens no bastidor num projecto com 5+ montagens.
Acabamentos finais e recorte

Padrões de acabamento profissionais
- Dissolver o WSS: Se estiver a usar estabilizador hidrossolúvel, dissolver conforme as instruções do fabricante.
- Limpeza de linhas: Cortar linhas soltas rente com tesoura de precisão.
- Passar a ferro: Passar do avesso sobre uma toalha felpuda para não achatar o ponto cheio.
Aviso: segurança com ímanes
Se utilizar bastidores magnéticos, tenha em conta que usam ímanes fortes.
1. Manter afastado de pacemakers.
2. Atenção aos dedos — podem prender com força.
3. Não deslizar os ímanes sobre o ecrã/braço da máquina.
Árvore de decisão: lógica de estabilizador/verso
Use esta lógica para evitar trabalhos moles ou excessivamente rígidos:
Cenário A: Decorativo (centro de mesa/peça de exposição)
- Base no bastidor: WSS de gramagem elevada.
- Verso: Cut-away.
- Resultado: Mais rígido e muito plano.
Cenário B: Funcional (individual/reversível)
- Base no bastidor: WSS de gramagem elevada.
- Verso: Algodão a condizer.
- Resultado: Toque mais macio e bonito dos dois lados, mas mais exigente a aparar.
Cenário C: Produção em volume
- Base no bastidor: WSS.
- Verso: Cut-away.
- Ferramenta: bastidores de bordado para máquinas de bordar com fixação magnética.
- Resultado: Maior consistência e menos tempo perdido em montagens.
Momentos “atenção” (do tipo que acontece na prática)
- Efeito bola de neve: Pequenos erros de aparo no Segmento 1 transformam-se em folgas grandes quando chegar ao centro. Seja rigoroso no início para poder relaxar no fim.
- Emaranhado por baixo: Se não segurar a ponta da linha superior ao iniciar um novo segmento, pode formar-se um nó por baixo. Segure a ponta nos primeiros 3–5 pontos.
Lista de verificação (antes de unir)
- [ ] Velocidade reduzida para ~400 SPM (ou menos).
- [ ] Verificação de posição: a agulha está onde deve estar?
- [ ] Mesa de extensão instalada (se disponível) para suportar o peso do tecido.
- [ ] Arestas de união aparadas limpas e consistentes.
Lista de verificação (durante a união)
- [ ] Peso do tecido suportado (não a puxar pelo bastidor).
- [ ] Dedos fora da zona do calcador.
- [ ] Parar imediatamente se o tecido fizer “bolha”.
- [ ] Ouvir a máquina: som regular é bom; “batidas” indicam volume/risco.
Nota sobre retorno do investimento (simples vs. escalável)
Para um hobbyista a fazer uma prenda, uma boa tesoura e paciência resolvem. Mas se estiver a produzir conjuntos para feiras, o esforço repetitivo de montar no bastidor acumula. Muitos profissionais investem em bastidores de bordado magnéticos para Brother para reduzir esforço e manter a mesma tensão do primeiro ao quinquagésimo bastidor do dia.
Resolução de problemas (Sintoma → Diagnóstico → Solução)
| Sintoma | Causa provável | Solução rápida | Prevenção |
|---|---|---|---|
| Folgas na união | Peça deslocou-se ou WSS pouco esticado. | Reforçar com ponto cheio mais largo para cobrir a folga. | WSS bem esticado; segurar/suportar o peso e alinhar com calma. |
| Agulhas partidas | Volume acumulado nas zonas de encaixe. | Trocar a agulha e repetir com velocidade mais baixa. | Aparar melhor nas arestas interiores; reduzir volume na zona de união. |
| Marcas do bastidor | Bastidor standard apertado em excesso. | Vapor suave para levantar fibras (sem “esmagar” com ferro). | Usar bastidor magnético para segurar sem esmagar tanto o tecido. |
| Anel empenado | Alinhamento/posicionamento inconsistentes entre segmentos. | Reposicionar e assentar o trabalho com cuidado antes da união final. | Repetir o mesmo método de montagem no bastidor e aparo em todos os segmentos. |
Resultados
Seguindo este método disciplinado, é possível obter um centro de mesa de Halloween que assenta plano, com uniões tão limpas que parecem bordado contínuo.

A transição de “esperar que resulte” para “saber que vai resultar” vem de duas coisas: estabilização consistente e controlo de velocidade na união. Se quiser padronizar ainda mais o processo, vale a pena considerar uma estação de colocação de bastidores hoop master para tornar a montagem no bastidor mais repetível e facilitar que cada “peça do puzzle” encaixe sempre da mesma forma.
