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O que é o bastidor metálico Husqvarna 200x200?
Se alguma vez se deparou com uma blusa de seda delicada ou com um “sanduíche” de quilt mais espesso e sentiu aquele receio das marcas do bastidor — a marca circular/retangular de pressão deixada por bastidores tradicionais — não é caso único. A montagem no bastidor convencional depende de fricção e tensão, o que é inimigo de materiais com textura, brilho ou volume.
O bastidor metálico Husqvarna Quilters 200×200 trabalha com uma lógica diferente: é um sistema de flutuação. Em vez de forçar o tecido entre dois aros, cria-se uma base autocolante e usa-se magnetismo para prender o material por cima.
Neste passo a passo com enfoque “de oficina”, vai além do manual para cobrir pormenores que, na prática, fazem a diferença:
- A lógica mecânica do sistema: compreender a arquitectura de bastidor de peça única.
- A técnica do “chão autocolante”: aplicar o estabilizador na parte inferior (o erro mais comum de quem começa).
- A flutuação: como assentar enchimento e seda sem distorcer “em tambor”.
- A armadilha dos cantos: porque aparecem franzidos e qual a disposição de ímanes que ajuda a evitá-los.




O que torna este bastidor diferente de um bastidor standard de dois aros?
Para usar uma ferramenta com consistência, é essencial perceber a sua lógica. Um bastidor standard é um dispositivo de tensão: estica o tecido ao prendê-lo entre um aro interior e outro exterior. Em veludo, seda ou quilts volumosos, isso pode deixar marcas do bastidor e/ou deformar a trama.
Este bastidor metálico funciona como um dispositivo de suspensão. É uma armação única, mais pesada, com superfície superior flocada (texturada) para ajudar a evitar escorregamento. Cria-se um “chão” adesivo com estabilizador autocolante, o tecido adere a esse plano, e depois aplica-se força de aperto com ímanes de alta potência.
Esta combinação de adesão + magnetismo é uma abordagem muito valorizada quando se pretende bordar sem stressar as fibras. É também por isso que muitos profissionais acabam por procurar um bastidor de bordado magnético para trabalhos onde “não há margem” para marcas e deformações.
Para quem este método é mais indicado
- Quilters: ideal para blocos “Quilt in the Hoop” (QITH), onde a espessura do enchimento pode dificultar bastidores plásticos.
- Peças de vestuário e tecidos delicados: útil em seda, cetim e veludo, onde marcas são inaceitáveis.
- Trabalhos difíceis de montar no bastidor: zonas como decotes, áreas próximas de costuras e peças já confecionadas, onde um bastidor concêntrico nem sempre é prático.
Materiais necessários: estabilizadores e ímanes
O desempenho do sistema depende da preparação. No cenário demonstrado, usa-se Sulky Sticky Fabri-Solvy para criar a base autocolante, e prendem-se Floriani embroidery batting (enchimento) e tecido de seda com oito ímanes.


Materiais mostrados no vídeo
- Husqvarna Quilters Metal Hoop 200×200 mm (sistema de armação única).
- 8 ímanes ovais (a força de aperto).
- Sulky Sticky Fabri-Solvy (estabilizador autocolante solúvel em água).
- Tesoura para papel: para cortar estabilizador (poupe as tesouras de tecido).
- Floriani Embroidery Batting.
- Tecido de seda e linha de bordar de seda.
Consumíveis “escondidos” e verificações rápidas (o que costuma causar problemas)
Na prática, muitas falhas vêm de pequenos consumíveis e detalhes de preparação. Antes de começar, vale a pena ter isto pronto:
- Agulha adequada e em bom estado: o autocolante pode deixar resíduos e aumentar fricção. Se houver dúvida, trocar a agulha mais cedo evita desfibragem de linha e falhas.
- Pinça: para apanhar pontas de linha sem aproximar os dedos da zona da agulha.
- Rolo tira-pelos/escova: a superfície autocolante “puxa” pó e fibras; um grumo pode criar uma bolha e comprometer a planura.
- Marcador temporário (solúvel em água): para alinhar o centro do bloco com as ranhuras/entalhes de centragem do bastidor.
- Tesoura de precisão: para cortes rápidos durante o processo.
Dúvida comum sobre estabilizador: “Uso estabilizador autocolante E outro estabilizador?”
Esta é uma das perguntas mais frequentes.
Resposta prática (de acordo com o método demonstrado): neste fluxo de trabalho de “flutuação”, usa-se apenas o estabilizador autocolante como base — ele faz de estabilizador e, ao mesmo tempo, cria o “chão” aderente que segura o conjunto.
Nota importante: o enchimento (batting) mostrado não é “mais um estabilizador”; faz parte do sanduíche do quilt (estrutura/volume do bloco).
Checklist de preparação (antes de tocar no bastidor)
- [ ] Compatibilidade/menus da máquina: confirmar se o bastidor “200x200 Metal Hoop” aparece no menu (no vídeo, a máquina reconheceu-o após actualização/assistência).
- [ ] Agulha: está recente? Se vai bordar através de autocolante + enchimento, uma agulha gasta aumenta o risco de problemas.
- [ ] Superfície limpa: a cola deve ficar livre de pó/fiapos.
- [ ] Contagem de ímanes: ter os 8 disponíveis (os cantos não devem ficar “sem apoio”).
- [ ] Plano de camadas: Armação metálica → estabilizador autocolante (por baixo) → enchimento → tecido → ímanes.
Passo a passo: preparar a armação autocolante
Este é o passo que mais determina o resultado. Ao contrário de um bastidor convencional, aqui o “agarrar” é criado na parte inferior da armação.

Passo 1 — Desembalar e inspecionar a armação
- Verificação táctil: passar o dedo na superfície cinzenta superior — é flocada/aveludada para ajudar a evitar escorregamento.
- Orientação: localizar os quatro entalhes de centragem (referências Norte/Sul/Este/Oeste).
- Gestão do espaço: manter os ímanes numa superfície metálica próxima (por exemplo, um carrinho metálico), acessíveis mas fora da zona onde possam beliscar.
Ponto de controlo: identificar claramente a parte inferior da armação (metal liso), diferente do topo flocado.
Resultado esperado: fica claro que o estabilizador é aplicado por baixo para criar uma “membrana” na abertura.
Passo 2 — Cortar o estabilizador autocolante de forma económica
Não é preciso desperdiçar material: basta que o estabilizador tenha área suficiente para aderir ao aro inferior.
- Cortar um quadrado de Sulky Sticky Fabri-Solvy ligeiramente maior do que o perímetro exterior do bastidor.
- Verificação de planura: se vier de rolo e estiver com “memória”/curvatura, alisar cuidadosamente para ficar bem plano (no vídeo, é referido que, por vezes, o rolo não assenta tão plano como as folhas).
Ponto de controlo: sem rugas nem bolhas antes de aplicar.
Resultado esperado: peça de estabilizador pronta para colagem uniforme.
Passo 3 — Aplicar o estabilizador na parte inferior da armação
- Virar o bastidor ao contrário.
- Retirar o papel de suporte para expor a parte autocolante.
- Colar o estabilizador ao aro inferior, garantindo que fica bem assente e sem folgas.
- Virar o bastidor para o lado correcto.
- Verificação táctil: a zona central deve ficar com o lado autocolante virado para cima.
Ponto de controlo: está a ver o lado flocado cinzento do bastidor e, no centro, o estabilizador autocolante está virado para cima.
Resultado esperado: um “chão autocolante” pronto para receber as camadas.
Se fizer isto com frequência, a consistência na aplicação ajuda a repetir resultados. Uma estação de colocação de bastidores para bordado pode apoiar a repetibilidade em alguns fluxos de trabalho, embora neste bastidor de peça única a aplicação manual seja o procedimento habitual.
Montagem no bastidor de tecidos delicados: seda e enchimento
Agora constrói-se o “sanduíche”. Esta técnica é flutuação: o tecido não é esticado; é assente e preso.


Passo 4 — Assentar o enchimento na superfície autocolante
- Colocar o enchimento (batting) directamente sobre o centro autocolante.
- Alisar: com a palma da mão, pressionar do centro para fora para expulsar ar e garantir aderência.
Ponto de controlo: o enchimento não deve deslizar. Se deslizar, pode faltar pressão/aderência.
Resultado esperado: base uniforme que suporta a perfuração da agulha.
Dica prática: é preferível que o enchimento se estenda até às zonas onde os ímanes vão prender, para que o aperto actue sobre o “sanduíche” (enchimento + tecido) e não apenas sobre o tecido.
Passo 5 — Flutuar o tecido de seda por cima
- Centrar a seda sobre o enchimento.
- Alinhamento visual: usar os entalhes do bastidor e uma marcação de centro no bloco.
- Pressão suave: “passar a mão como se fosse um ferro”, sem esticar. Na seda, o brilho denuncia ondulações.
Ponto de controlo: o tecido está plano, mas não tensionado.
Resultado esperado: sem ondulações visíveis antes de colocar ímanes.
Porque ajuda: ao evitar esticar o tecido como num bastidor de parafuso, reduz-se a tendência de contracção posterior que pode contribuir para franzidos. Numa configuração tipo bastidor de bordado sticky hoop para máquina de bordar, as fibras ficam mais próximas do seu estado natural durante o bordado.
O bordado: gerir franzidos e cantos
Aqui está a variável mais sensível: os ímanes não são “pesos”; são grampos estruturais.



Passo 6 — Colocar os 8 ímanes (o apoio nos cantos é decisivo)
Durante o bordado, a agulha e a linha exercem forças que podem puxar e deformar, e os cantos são pontos naturalmente mais frágeis.
- Colocação segura: deixar o íman “assentar” na armação, mantendo os dedos fora da zona de beliscão.
- Prioridade aos cantos: colocar um íman em cada canto (o mais próximo possível do canto útil), antes de distribuir os restantes.
- Reforço nas laterais: colocar os outros 4 ímanes a meio de cada lado.
Ponto de controlo: observar os cantos — se houver folga/“moleza”, ajustar a posição do íman para dar mais apoio.
Resultado esperado: o conjunto fica firme tanto no centro como no perímetro.
Passo 7 — Configuração da máquina e selecção do bastidor
A demonstração é feita numa Husqvarna Viking Designer Epic 2.
- Reconhecimento do bastidor: no menu, seleccionar 200x200 Metal Hoop para activar os limites correctos e evitar bordar sobre metal.
- Fixação: encaixar o bastidor no braço de bordar.
- Verificação auditiva: ouvir o “clique” de encaixe e confirmar que não há folga.
Ponto de controlo: os limites no ecrã correspondem à área útil do bastidor metálico.
Resultado esperado: a máquina trabalha com zonas de segurança activas.
Checklist de operação (durante o bordado)
- [ ] Confirmar selecção do bastidor: está mesmo em 200x200 Metal no software?
- [ ] Verificar folga: aproximar manualmente a zona do pé/calcador de um íman para confirmar que não toca.
- [ ] Vigiar os cantos no início: se notar deslocamento, pausar e reposicionar ímanes.
Veredicto final: porquê usar bastidores magnéticos?



Revisão do resultado (o que ficou bem e o que pode melhorar)
No bordado demonstrado, o centro ficou muito limpo e estável. O ponto a melhorar foi uma ligeira fragilidade nos cantos (pequenos franzidos), associada sobretudo à forma como os ímanes foram posicionados.
Regra prática: o centro só fica estável se o perímetro estiver bem apoiado.
Resolução de problemas: sintomas → causas → soluções
| Sintoma | Causa provável | Solução rápida | Solução de fundo |
|---|---|---|---|
| Franzidos nos cantos | Ímanes demasiado para dentro; cantos sem apoio directo. | Pausar e reposicionar ímanes mais perto dos cantos. | Garantir apoio consistente nos 4 cantos e que o enchimento chega sob os ímanes. |
| Movimento/“fraqueza” nos cantos | Camadas pouco presas no perímetro antes do desenho principal. | Reforçar a fixação nos cantos com melhor colocação dos ímanes. | Considerar um contorno de alinhamento/basting antes do bordado principal (no vídeo, é referido que poderia ter ajudado). |
| Desgaste da agulha / resíduos | O autocolante pode deixar resíduos e aumentar fricção. | Trocar a agulha se houver dúvida (no vídeo, é sugerido trocar com regularidade). | Manter rotina de troca de agulhas e consumíveis para reduzir falhas. |
Lógica rápida para decidir a abordagem de estabilização em blocos de quilt
- O tecido é escorregadio/delicado (ex.: seda)?
- Sim: o método com estabilizador autocolante por baixo ajuda a manter o conjunto plano.
- Não (ex.: algodão): há quem tenha bons resultados apenas com ímanes, dependendo do projecto.
- Quer evitar resíduos no verso e não pode usar solúvel em água?
- Em alguns casos (tecidos mais robustos), as instruções referem que pode bordar sem estabilizador e prender apenas com ímanes — mas o resultado depende da estabilidade do material e da densidade do bordado.
Onde entram upgrades de ferramenta (sem mudar todo o fluxo)
Se o resultado “sem marcas do bastidor” é o objectivo, mas o processo de colar e descolar for demasiado moroso em volume, faz sentido olhar para alternativas.
Muitos profissionais pesquisam estação de colocação de bastidores magnética para padronizar posicionamento e acelerar a montagem no bastidor. E, ao procurar bastidores de bordado magnéticos, o foco costuma ser precisamente reduzir tempo de preparação mantendo consistência.
Remoção e acabamento
- Deslizar os ímanes para fora (evitar puxar para cima).
- O bloco fica aderido ao estabilizador.
- Descolar com cuidado: primeiro soltar o estabilizador do bastidor e depois remover do verso do trabalho com um movimento gradual, para não forçar os pontos.
Ponto de controlo: o bloco deve manter-se plano e esquadrado.
Resultado esperado: acabamento limpo, sem marcas do bastidor e com boa definição do bordado.
Fecho
O bastidor metálico Husqvarna 200x200 exige uma mudança de mentalidade: de “prender e esticar” para “assentar e fixar”. O segredo está no conjunto base autocolante (estabilidade lateral) + ímanes (pressão vertical).
Se estiver a pesquisar bastidores de bordado para husqvarna viking ou um bastidor de bordado magnético para husqvarna viking, este tipo de solução pode ser particularmente útil em peças difíceis de montar no bastidor e em materiais sensíveis a marcas. Com boa colocação dos ímanes — especialmente nos cantos — o bordado tende a ficar muito mais controlado.
