Aviso de direitos de autor
Índice
Ferramentas necessárias para a troca
Se trabalha com uma máquina de bordar multiagulhas Tajima, a passagem de bonés para peças planas não é apenas “mais uma troca” — é a base mecânica da qualidade do bordado nesse turno. Um braço do sistema plano com folga não “faz só barulho”: cria vibração, degrada o alinhamento e pode resultar naquele aspeto de bordado “solto” que nenhum cliente aceita.
Neste guia, a troca é tratada como um procedimento técnico, com verificações simples e repetíveis. O objetivo é retirar o cap driver sem danificar a guia, montar os braços do sistema plano com rigidez real e validar o conjunto com um bastidor tubular. Mais do que “apertar”, o foco é perceber como deve sentir e soar quando está correcto.

O que vai conseguir fazer depois desta troca
- Executar a conversão de boné para plano sem dúvidas sobre onde soltar/apertar.
- Verificar a rigidez mecânica com um teste de folga antes de dar o primeiro ponto.
- Diagnosticar o “chocalhar metálico” típico de montagem mal apertada.
- Decidir quando faz sentido evoluir para soluções magnéticas para ganhar velocidade e proteger tecidos delicados.

Passo 1: Retirar o sistema de boné (cap driver)
Começa-se pela desmontagem. O objectivo é retirar o conjunto de forma limpa, sem espanar cabeças de parafuso nem riscar a guia (que é uma superfície de precisão).

1) Identificar e confirmar a ferramenta
No vídeo é usada uma chave Allen (normalmente ~3 mm, mas confirme no seu modelo).
- Verificação rápida (teste do “encaixe justo”): Introduza a chave no parafuso. Se “dançar” ou parecer folgada, pare — é o tamanho errado (métrico vs. imperial). Uma chave folgada arredonda a cabeça e transforma uma troca de 2 minutos numa reparação cara. A chave deve entrar com sensação de encaixe sólido.
2) Soltar os parafusos laterais da guia
- Localize o parafuso Allen na lateral da guia do cap driver.
- Acção: Rode no sentido anti-horário, com controlo.
- Detalhe crítico: Solte apenas o suficiente para permitir que o conjunto deslize (tipicamente 1–2 voltas). Não retire o parafuso.
- Feedback táctil: O cap driver deve ficar “desapertado” — capaz de deslizar, mas ainda suportado pela guia.

3) Libertar os “twisters” (parafusos de aperto manual)
Por baixo do cap driver existem dois manípulos/parafusos pretos de aperto manual.
- Acção: Rode para libertar.
- Nota prática: Ter um pequeno tabuleiro magnético para peças ajuda a não perder componentes durante a troca.
4) Deslizar para fora em linha recta
Segure o cap driver com as duas mãos.
- Acção: Puxe em linha recta na sua direcção.
- Verificação de fluxo: Deve deslizar de forma suave. Se houver resistência/raspagem, confirme se o parafuso lateral está suficientemente solto e verifique sujidade acumulada na guia.

Conceito para voltar a montar (visual dos “rolos”)
Repare no mecanismo de rolos na parte traseira: tem de ficar por baixo do braço do pantógrafo.
- Dica de oficina: Limpe a guia com um pano sem pêlo antes de retirar/instalar. Óleo misturado com pó e fiapos cria uma “pasta” que prende o deslizamento.
Passo 2: Preparar os braços do sistema plano (flat sash arms)
Agora prepara-se a máquina para trabalho plano. É aqui que muitos problemas começam — não por defeito da máquina, mas por falta de preparação e aperto correcto.

Verificações “pré-arranque” (antes de montar)
Antes de mexer nos braços, garanta que está pronto para produzir sem contaminar peças nem perder tempo.
- Zona limpa: Tenha um pano à mão. Os carris podem ter óleo; óleo em roupa de cliente é retrabalho garantido. Limpe o carril e as mãos.
- Linhas e agulhas: Se vem de bonés estruturados e vai para malhas/tecidos mais delicados, confirme se faz sentido trocar agulhas (por exemplo, ponta bola em malhas). Faça isto agora, com acesso livre.
- Organização: Numa linha de produção, uma estação de colocação de bastidores para bordado perto da máquina ajuda a manter peças limpas e a reduzir tempos mortos durante a transição.
Soltar as abraçadeiras dos braços
- Identifique o braço Direito e o Esquerdo.
- Acção: Solte os parafusos da abraçadeira apenas o suficiente para entrar no varão/carril do pantógrafo.
- Verificação visual: A abertura deve ficar visível, mas sem deixar a placa interna desalinhada.

Passo 3: Instalar e fixar os braços
Este passo determina a qualidade do bordado. O alvo é rigidez sem folgas.

1) Deslizar e posicionar
- Deslize os braços para o carril do pantógrafo.
- Posicione-os aproximadamente à largura do bastidor que pretende usar.
2) Protocolo “bem apertado” (sem exageros)
- Acção: Aperte os parafusos da abraçadeira com a chave Allen.
- Âncora sensorial (aperto): Deve ficar “apertado à chave”, mas não “apertado até espanar”. Aperte até sentir que encostou firme e, depois, dê uma fracção muito pequena adicional (aprox. 1/16 de volta) para eliminar microfolgas.
3) Teste crítico de folga (“Wiggle Test”)
Não salte este teste. Segure o braço já montado e tente mexer para cima/baixo e para os lados.
- Critério de sucesso: Deve parecer uma extensão sólida da máquina.
- Critério de falha: Se sentir qualquer movimento, ou ouvir um “clique-clique” leve, está solto. Reaperte e confirme se o braço assentou bem no carril.

Porque é que a rigidez importa (impacto directo na qualidade)
Se os braços vibram, o bastidor vibra. Se o bastidor vibra, a agulha entra no tecido com coordenadas inconsistentes. Isto pode causar:
- Problemas de alinhamento: contornos a não baterem certo com enchimentos.
- Laçadas/irregularidade: tensão a variar com a vibração.
- Bordado “solto”: pontos com aspeto frouxo e pouco profissional.
Caminho de optimização: manual vs. magnético Se os braços estão bem fixos mas continua a haver escorregamento do tecido ou marcas do bastidor em artigos delicados, o problema pode estar mais no bastidor do que na máquina.
- Sinais típicos: dor nos pulsos por montagem repetitiva; marcas circulares/pressão no tecido.
- Opção: muitos profissionais passam para bastidores de bordado magnéticos para tajima, que prendem o tecido por força magnética e reduzem a necessidade de “apertar parafuso e forçar”, acelerando recargas e diminuindo esforço.

Checklist de montagem (segurança e prontidão)
- [ ] Ferramenta confirmada: chave Allen correcta (~3 mm) sem folga na cabeça do parafuso.
- [ ] Carril limpo: gordura/fiapos removidos.
- [ ] Abraçadeiras soltas: apenas o suficiente para deslizar (placas internas alinhadas).
- [ ] Braços fixos: apertados com firmeza.
- [ ] Teste de folga aprovado: ZERO movimento em qualquer direcção.
Passo 4: Encaixar o bastidor plano (tubular)
Verificação final. Usa-se um bastidor tubular verde (standard) para confirmar que o sistema ficou bem montado e alinhado.

Encaixar e bloquear
- Alinhe as presilhas metálicas laterais do bastidor com as ranhuras dos braços.
- Acção: Empurre em linha recta.
- Verificação auditiva: procure um “clique”/“snap” nítido quando as molas engatam.

Árvore de decisão: estratégia de optimização
Com a máquina já em modo plano, como optimizar a produção?
Cenário A: Alto volume, artigos idênticos (ex.: 50 polos)
- Gargalo: tempo de montagem no bastidor.
- Solução: usar um bastidor magnético ou um fluxo de dois bastidores (um a bordar, outro a ser preparado).
Cenário B: Casacos pesados / equipamento tipo Carhartt
- Gargalo: espessura a “expulsar” bastidores standard.
- Solução: avaliar a força de aperto. Se os bastidores standard saltam, sistemas de bastidor de bordado para boné tajima não resolvem — é preciso uma fixação mais robusta.
Cenário C: Precisa de mais velocidade?
- Contexto: se uma máquina de uma cabeça está a trabalhar 24/7 e mesmo assim falha prazos, só trocar bastidores não chega. É o momento de considerar SEWTECH Multi-Needle Machines para paralelizar a produção.

Erros comuns: evitar folgas e vibração nos braços
Vamos resolver o “fantasma na máquina”: o barulho de vibração que destrói a qualidade.
Tabela de diagnóstico
| Sintoma | Causa provável | Investigação (sensorial) | Solução |
|---|---|---|---|
| Chocalhar metálico | Parafusos dos braços pouco apertados. | Toque no braço com a chave: som “zumbido” indica folga. | Aperte até o toque soar mais “seco” (tipo “tud”). |
| Pontos soltos | Vibração dos braços (folga). | Faça o teste de folga no braço. | Reassente o braço encostado ao carril e aperte novamente. |
| Bastidor não encaixa | Braços com espaçamento incorrecto. | Verificação visual: as presilhas chegam às ranhuras? | Solte, encaixe o bastidor para definir a largura e só depois aperte os braços. |
| Marcas do bastidor | Aperto excessivo em tecido delicado. | Visual: marca persistente no tecido. | Mudar para bastidores magnéticos ou usar um reforço “macio”. |
Seleccionar o tamanho certo
Use sempre o bastidor mais pequeno que acomode o desenho. Um bastidor demasiado grande para um logótipo pequeno permite que o tecido “salte” (efeito trampolim), criando erros de alinhamento. Verifique o seu stock de tamanhos de bastidor de bordado tajima e escolha o ajuste mais justo.
Introdução
Compreender o “porquê”: mudar de modo boné para modo plano é a ponte entre duas disciplinas diferentes. Bonés exigem um sistema rotativo (configuração bastidor de boné para tajima) para acompanhar a curvatura. Peças planas exigem um plano X-Y rígido.
Se esta troca for feita à pressa, introduz-se folga mecânica. E folga mecânica é o inimigo da precisão no bordado. Trate isto como um procedimento técnico, não como uma tarefa secundária.
Preparação
Antes de tocar na máquina, evite perder tempo a procurar ferramentas a meio do processo.
Checklist de preparação
- [ ] Identificar fixações: localizar os 2 parafusos de aperto manual e o parafuso Allen lateral.
- [ ] Apoios prontos: pano para gordura, tabuleiro para peças.
- [ ] Tempo: reservar 5–10 minutos se for a primeira vez; não apressar.
- [ ] Segurança: máquina desligada ou E-stop accionado.
Configuração
Esta fase foca-se nos braços do sistema plano. É aqui que se cria a “fundação” para trabalhar com bastidores de bordado para tajima.
- Limpar: limpar o carril sempre que necessário.
- Deslizar: montar os braços sem forçar.
- Apertar: fixar até à especificação “zero folga”.
Dica prática: se troca frequentemente, pode marcar a “largura standard” do bastidor mais usado (por ex., 15 cm) no carril com fita/marker (se for permitido) para acelerar o alinhamento.
Operação
A “operação” é a validação com o bastidor.
- Inserir: empurrar o bastidor para encaixar.
- Verificar: puxar ligeiramente para trás. Não deve sair sem accionar as patilhas de libertação.
- Centrar: confirmar visualmente que o bastidor está centrado em relação à chapa da agulha.
Checklist de operação
- [ ] Presilhas do bastidor totalmente engatadas (auditoria: som de “clique”).
- [ ] Bastidor assenta plano, sem inclinar.
- [ ] Pantógrafo move-se livremente (mover X/Y manualmente com cuidado) sem prender.
Controlos de qualidade
Antes de colocar um casaco caro na máquina, faça o “shake down” final.
- O abanar: segure no bastidor e abane. Deve mexer a máquina, não a ligação do bastidor.
- O som: toque no aro do bastidor. Deve soar sólido, não como um pandeiro solto.
- Segurança: confirme que não há tecido a entrar na zona do gancho/lançadeira.
Se estiver constantemente a lutar com estabilidade, verifique se as presilhas do seu bastidor de bordado para tajima estão gastas. Presilhas gastas podem criar movimento mesmo com os braços bem apertados.
Resolução de problemas
(Consulte a Tabela de diagnóstico na secção “Erros comuns” para a lógica sintoma–causa–solução.)
Ideia-chave: 90% dos “problemas da máquina” após a troca são, na prática, “problemas de montagem”. Se a máquina bordava bonés bem mas borda mal em plano, a máquina provavelmente está bem — a variável é a troca. Comece por confirmar o aperto dos braços.
Resultados
A conversão da sua Tajima está concluída. O cap driver ficou guardado, os braços do sistema plano estão rígidos e o bastidor tubular está encaixado.
Passou de “esperar que aguente” para saber que está seguro.
Próximos passos para evoluir:
- Competência: praticar a troca até conseguir fazê-la em menos de 3 minutos.
- Ferramentas: se detesta apertar parafusos em bastidores standard, considerar bastidores magnéticos.
- Escala: se uma cabeça não chega, avaliar máquinas multiagulhas para multiplicar a eficiência.


