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O protocolo “Salva-memória”: porque a pilha CMOS é o cérebro da máquina (e como a trocar)
No bordado de precisão, o controlador é quem “comanda”, mas a pilha CMOS é quem guarda a memória. Numa Chenille Combo com controlador Dahao, esta pequena pilha tipo moeda é responsável por manter parâmetros críticos de configuração quando a alimentação principal é cortada.
Quando a pilha falha — ou quando é removida sem preparação — não se trata apenas de uma troca de componente. Existe um risco real de reposição de parâmetros. Numa produção, isso costuma aparecer como problemas “fantasma”: alturas de ponto/loop que ficam subitamente demasiado baixas, velocidades de bordado plano que parecem estranhas, ou tempos de paragem (stop timing) que deixam a linha superior demasiado curta.

Este guia foi pensado para funcionar como rede de segurança: menos jargão, mais execução. O fluxo é simples e profissional: Documentar primeiro, mexer no hardware depois. Quer se trabalhe com equipamento de entrada ou com máquinas de bordar industriais, este hábito de manutenção é muitas vezes a diferença entre uma intervenção de 15 minutos e um dia inteiro a “caçar” parâmetros.
O que os técnicos experientes já sabem (e que também deve ficar claro)
- Onde está o essencial: como chegar ao ecrã Dahao de “Machine Parameter Management” e quais os sub-menus que guardam o “DNA” da máquina (Loop, Flat e Common).
- Acesso seguro: como abrir o armário/caixa electrónica sem beliscar cabos nem correr riscos eléctricos.
- Ciclo de verificação: como confirmar que a máquina ficou correcta antes de estragar uma peça.
Passo 1: a cópia de segurança da “caixa negra” (o passo mais crítico)
Não saltar este passo. Não confiar na memória. Os valores de fábrica raramente são os valores optimizados que a máquina está a usar neste momento. Antes de tocar numa chave de parafusos, é preciso “congelar” o estado do controlador.

1) Navegar até ao “centro nervoso”
- Ligar: Ligar a máquina e aguardar o fim do arranque.
- Encontrar Settings: No ecrã principal do Dahao, olhar para a barra de ícones na parte inferior. Usar as setas para seleccionar o ícone de Settings (normalmente engrenagens/ferramentas).
- Verificação visual: O ecrã deve apresentar uma lista de opções de menu.

2) Entrar em “Machine Parameter Management”
- Acção: Premir F3 para entrar em Machine Parameter Management.
- Confirmação: Deve aparecer uma lista com Common Parameters, Flat Parameters, Sequin Parameters e Loop Parameters.

3) Capturar o “DNA” da máquina
É necessário fotografar todas as páginas dentro destes três grupos (são os que o vídeo destaca como críticos para esta intervenção):
- Grupo A: Common Parameters (inclui sub-menus como Embroidery Assist, Frame Param e Machine Maint).
- Grupo B: Flat Parameters (parâmetros do bordado plano).
- Grupo C: Loop Parameters (críticos para trabalho de chenille/loop).
Porque isto importa: alguns sub-menus podem aparecer repetidos em mais do que um grupo. Ainda assim, a regra prática é simples: fotografar tudo o que estiver dentro de Common, Flat e Loop, página a página, para ter referência completa caso algum valor seja reposto.

Técnica profissional de documentação
Não basta uma foto “mais ou menos”. Tratar isto como registo técnico:
- Controlo de reflexos: inclinar o telemóvel para evitar brilho que apague os números.
- Contexto: garantir que se vê o cabeçalho/versão e, quando existir, a indicação de página (ex.: “Page 1/3”).
- Completude: se existir barra de deslocamento, há mais valores. Deslocar e fotografar tudo.



Contexto técnico: porque os “defaults” são perigosos
Na prática, quando alguém diz “a máquina ficou diferente”, muitas vezes é porque perdeu afinações feitas na instalação. Um técnico pode ter ajustado valores como Speed-Loop Ratio ou Stop Time Adj para o comportamento específico do conjunto motor/máquina.
- Exemplo (do ecrã mostrado): a máquina pode estar afinada para Max Speed = 600 RPM. Se após a troca a máquina voltar a um valor diferente, podem surgir quebras de linha e instabilidade.
- Objectivo: não é procurar o “número correcto” universal — é preservar o número que estava correcto para esta máquina.
Passo 2: aceder à caixa electrónica em segurança
Com os dados salvaguardados, passa-se ao trabalho físico.
1) Estado de energia zero
- Desligar: colocar o interruptor principal em OFF.
- Desligar da tomada: retirar o cabo de alimentação.
- Aguardar: esperar cerca de 60 segundos para ajudar a descarregar componentes.
2) Expor a caixa de controlo
Localizar o armário/caixa metálica de electrónica por baixo da mesa da máquina.

- Acção: usar uma chave Phillips para remover os parafusos do painel frontal.
- Dica prática: ao retirar o último parafuso, segurar o painel para não cair nem puxar cabos.

Verificação rápida (cheiro anormal)
Ao abrir uma caixa electrónica, parar um instante e verificar se há cheiro anormal.
- Normal: plástico aquecido ou pó leve.
- Mau sinal: cheiro a queimado/ozono.
Se existir cheiro a queimado, a pilha pode não ser o problema principal — deve ser avaliado por um técnico.
Passo 3: intervenção cirúrgica — substituir a pilha
1) Expor a placa principal
- Acção: desapertar o painel lateral da caixa para aceder à placa (motherboard/placa principal). Guardar os parafusos de forma organizada para não os perder.


2) Localizar o alvo
A placa tem muitos componentes, mas o que se procura é uma pilha tipo moeda.
- Referência 1: um conector branco com vários fios.
- Referência 2: o conjunto de LEDs indicadores (devem estar apagados se a máquina estiver correctamente desligada da tomada).
- Local: a pilha costuma estar atrás desse conector branco e por cima dos LEDs.


3) A troca
- Identificação: confirmar o tipo de pilha (frequentemente CR2032 ou semelhante — confirmar na própria pilha/placa).
- Remoção: libertar a patilha do suporte e retirar a pilha antiga com cuidado.
- Inserção: colocar a pilha nova no suporte, garantindo que fica bem assente.
- Confirmação tátil: deve sentir-se um encaixe firme (sem folgas).
Nota prática para máquinas adquiridas em segunda mão
Ao comprar uma máquina de bordar usada à venda, esta é uma verificação preventiva importante: máquinas paradas muito tempo podem ter a pilha CMOS descarregada e, ao serem desligadas para transporte, podem perder parâmetros.
Passo 4: reposição e verificação
1) Fechar tudo
- Acção: voltar a montar o painel lateral. Apertar apenas o suficiente (sem forçar).

2) Momento da verdade
- Ligar: voltar a ligar à tomada e ligar a máquina.
- Navegar: regressar a F3: Machine Parameter Management.
- Auditar: comparar no ecrã os valores actuais com as fotografias.
- Verificar Flat Parameters: confirmar se os valores-chave se mantêm.
- Verificar Loop Parameters: confirmar se valores como Max Speed correspondem às fotos.
- Repor: se algum valor tiver voltado a “0”/“Default”, introduzir manualmente o valor conforme as fotos.
Árvore de decisão: protocolo de reposição
Usar esta sequência para confirmar que está pronto para voltar a produzir:
- A máquina arrancou sem mensagens de “System Error”?
- Não: parar e verificar se algum cabo/conector ficou mal encaixado.
- Sim: avançar.
- Os parâmetros “Loop” e “Flat” coincidem exactamente com as fotografias?
- Não: corrigir manualmente os valores.
- Sim: avançar.
- Fazer um “dry run” (sem linha/sem tecido). O som e o ritmo parecem normais?
- Não: voltar a verificar ligações e, se necessário, contactar assistência.
- Sim: fazer um teste de bordado simples.
Preparação: kit profissional
Antes de começar, garantir ambiente e ferramentas. Procurar uma chave a meio do trabalho aumenta o risco de deixar cair um parafuso dentro da caixa.
Consumíveis “escondidos”
- Ferramenta não condutora: espátula/plástico para afastar cabos sem risco de curto.
- Recipiente para parafusos: para não perder fixações.
- Pilha correcta: confirmar se é CR2032, CR1220, CR2450, etc. Não adivinhar — verificar na pilha/placa.
Nota de compatibilidade
Embora este guia mostre um controlador Dahao, a lógica aplica-se de forma geral: equipamentos como máquinas de bordar barudan também usam memória suportada por pilha. A localização muda, mas a regra “Documentar primeiro” mantém-se.
Lista de verificação (antes de iniciar)
- [ ] Telemóvel: espaço para ~15 fotos em alta resolução.
- [ ] Iluminação: lanterna pronta (as caixas são escuras).
- [ ] Ferramentas: chaves Phillips #1 e #2; ferramenta não condutora.
- [ ] Estado da máquina: funcional e com acesso aos menus.
Montagem: ergonomia e segurança
Posicionamento de trabalho
O trabalho será, em regra, ao nível dos joelhos.
- Desimpedir a zona: afastar a estação de colocação de bastidores para máquina de bordar ou outros obstáculos do chão.
- Luz: posicionar a iluminação antes de abrir o painel para não trabalhar “à sombra”.
Lista de verificação (montagem)
- [ ] Inspecção visual: cabos exteriores com folga suficiente para remover painéis.
- [ ] Energia: cabo de alimentação fisicamente desligado da tomada.
- [ ] Documentação: fotos de Loop, Flat e Common tiradas e legíveis.
Operação: fase de execução
Sequência de acções
- Cópia de segurança: navegar nos menus e fotografar.
- Isolar: desligar da tomada.
- Abrir: remover painéis frontal e lateral.
- Trocar: localizar a pilha atrás do conector branco e substituí-la.
- Verificar: montar, ligar e comparar parâmetros com as fotos.
Lista de verificação (operação)
- [ ] Pilha: bem encaixada e nivelada (sem ficar “de lado”).
- [ ] Cabos: nenhum cabo ficou entalado ao fechar o painel.
- [ ] Auditoria de parâmetros: valores-chave iguais às fotos do “antes”.
- [ ] Teste: a máquina completa um teste simples sem erros.
Controlos de qualidade e melhorias para produção
Com o “cérebro” protegido, vale a pena olhar para o resto do fluxo. Uma máquina afinada só rende se o tecido estiver bem fixo.
Ligação entre manutenção e eficiência
Acabou de garantir precisão electrónica — não a desperdiçar com fixação mecânica fraca.
- Problema: bastidores de parafuso podem causar marcas do bastidor ou permitir deslizamento em bordado plano a alta velocidade.
- Solução (em muitas oficinas): transitar para bastidores magnéticos.
- Nível 1: em artigos espessos (casacos pesados, toalhas), o bastidor magnético ajusta-se melhor à espessura.
- Nível 2: para quem usa bastidores de bordado para barudan em máquinas mais antigas, um bastidor de bordado magnético para barudan pode modernizar o fluxo sem trocar de máquina.
Muitos profissionais procuram sistemas de bastidor magnético para resolver problemas de alinhamento que, à primeira vista, parecem “do computador”. Muitas vezes, não são os parâmetros — é o tecido a mexer no bastidor.
Guia de resolução de problemas
Se algo não correr como esperado, usar esta abordagem por sintomas (do mais simples para o mais crítico).
| Sintoma | Causa provável | Verificação | Solução |
|---|---|---|---|
| Parâmetros repostos | A troca da pilha levou tempo suficiente para perder memória/valores. | Verificar se valores (ex.: Stop Time Adj, Max Speed) ficaram em “0” ou em valores genéricos. | Introdução manual: repor os valores com base nas fotografias. |
| Não liga | Cabo/conector mexido. | Foi tocado o conector branco perto da pilha? | Verificar ligações: desligar da tomada, abrir e confirmar encaixes firmes. |
| “System Error” | Memória corrompida / intervenção com energia residual. | Ocorreu após a troca. | Reposição: seguir o manual para reset de fábrica e depois reintroduzir parâmetros a partir das fotos. |
| Pilha com folga | Patilha do suporte deformada. | A pilha não “assenta” ou não fica firme. | Inspecção do suporte: corrigir cuidadosamente o contacto para garantir pressão adequada. |
Nota sobre variações de equipamento
Para modelos antigos específicos (por exemplo, o Barudan BENT-ZQ-201U, frequentemente referido em fóruns), pode ser difícil obter especificações. A melhor prática é confirmar referências directamente na placa (etiquetas e códigos) em vez de depender apenas do manual. E, ao procurar upgrades, verificar compatibilidades — por exemplo, bastidores de bordado mighty hoops para barudan podem exigir medições específicas para encaixe correcto.
Considerações finais: disciplina de disponibilidade
Trocar uma pilha CMOS é uma reparação barata que pode evitar horas (ou dias) de paragens. A troca em si é simples; o que separa um operador ocasional de um profissional é a disciplina de guardar os parâmetros antes.
Ao seguir este protocolo, a máquina não só volta a ligar — volta a ligar “lembrando-se” exactamente de como estava afinada. Depois de dominar este ritmo de manutenção, vale a pena olhar para a linha de produção: a montagem no bastidor está a atrasar? O equipamento de apoio está a limitar? A manutenção protege a base; a optimização de ferramentas (como adicionar uma estação de colocação de bastidores para máquina de bordar ou bastidores melhores) melhora a rentabilidade.
Manter os parâmetros seguros, a alimentação estável e os bastidores bem apertados. Bom trabalho.
