Configuração de Máquina e Bastidor no Hatch: Adicionar a Máquina, Adicionar Bastidores e Evitar a Armadilha da “Área de Costura”

· EmbroideryHoop
Este guia prático no Hatch Embroidery mostra como selecionar a máquina correcta para que o Hatch apresente apenas bastidores compatíveis, como abrir as definições de Máquina e Bastidor e como criar um perfil de máquina personalizado (exemplo SWF) com bastidores standard e bastidores personalizados. A lição profissional mais importante é introduzir a área real de costura (em milímetros) — e não a medida “de etiqueta” do bastidor — algo especialmente relevante quando se adicionam bastidores de terceiros, como [[KWD: bastidores de bordado magnéticos]].
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Índice

Porque é que a selecção precisa da máquina é a primeira linha de defesa

Crie uma imagem mental do pior som num atelier de bordados. Não é uma quebra de linha. É o tum-tum-tum ritmado de um trabalho a correr bem que, de repente, é interrompido por um CRUNCH violento.

É o som da barra de agulhas a bater num bastidor de plástico a 800 pontos por minuto. Custa dinheiro em peças danificadas, estraga peças de vestuário e abala a confiança.

No Hatch Embroidery, escolher a máquina não é um menu “burocrático”; é o principal guarda-corpos de segurança. Quando se indica ao Hatch exactamente que equipamento está a ser usado — seja uma doméstica de uma agulha ou uma máquina de bordar multiagulhas — o software filtra cenários fisicamente impossíveis. Ajuda a evitar desenhar um logótipo de 200 mm para uma máquina que só consegue deslocar 100 mm.

Esta configuração torna-se crítica quando se passa de projectos de hobby para produção. Ao introduzir melhorias de eficiência como bastidores de terceiros ou bastidores de bordado magnéticos, o bastidor pode parecer “grande”, mas o limite do pantógrafo (o conjunto que desloca o bastidor) continua a mandar na área de bordado. Uma configuração limpa no software evita discutir com a física.

Start screen of Hatch Academy tutorial showing the title card.
Intro

Aceder às definições de Máquina e Bastidor no Hatch

O clique de “folha limpa”

O tutorial começa com um “truque” simples que muitos iniciantes ignoram: clicar no fundo branco da área de trabalho antes de abrir definições.

Porquê? Em software de bordado, o contexto manda. Se houver um objecto seleccionado (por exemplo, texto), o programa pode assumir que se pretende alterar definições desse objecto. Ao clicar no fundo, fica tudo desseleccionado e indica-se ao Hatch que se pretende ajustar definições globais — como a máquina activa.

O efeito de filtro

Quando se selecciona uma família de máquinas na barra superior, está-se a aplicar um filtro.

  • Cenário A: Selecciona-se “Brother Innov-is / NV series”. O Hatch esconde imediatamente bastidores gigantes (por exemplo, 360 mm) porque essa máquina não os consegue movimentar.
  • Cenário B: Muda-se para “Baby Lock Ellisimo”. A lista de bastidores aumenta.
Close up of the machine selection dropdown menu highlighting the Brother Innov-is series option.
Selecting Machine Model
Dropdown menu showing available hoop sizes for the Brother machine, highlighting the Regular 100x100 hoop.
Selecting Hoop

Este filtro evita a “paralisia por opções”: em vez de percorrer dezenas de bastidores que não existem no atelier, vê-se apenas o que faz sentido para a máquina seleccionada.

The machine selection is changed to Baby Lock Ellisimo, unlocking a much longer list of hoop sizes.
Comparing Machine Capabilities

O dilema da “confusão de modelos”

Na prática, é comum surgir frustração com a forma como os modelos aparecem (ou não) na lista. Por exemplo:

  • “Tenho uma Brother Innov-is 800E — que máquina devo escolher?”
  • “A Brother PE800 com bastidor 5x7 aparece nesta lista?”

Heurística profissional: não ficar preso ao nome comercial impresso na carcaça. Procurar a família pela área máxima. Se a máquina trabalha até 5x7" (aprox. 130x180 mm), escolher o perfil Brother que disponibiliza o bastidor 130x180 mm. Para o Hatch, o que interessa é a geometria e o curso do braço, não o marketing.

Como abrir as definições “a sério”

Para personalizar, é preciso ir além da barra:

  1. Fazer clique direito no ícone “Show Hoop” (normalmente um ícone de bastidor/quadrado na barra superior).
  2. Este atalho abre de imediato a janela “Embroidery Settings”.
  3. Confirmar que o separador “Machine & Hoop” está activo.
User right-clicks the Hoop icon to open the context menu.
Accessing Settings
The Embroidery Settings dialog box appears with the 'Machine & Hoop' tab active.
Configuring Settings
Aviso
Segurança mecânica primeiro. Sempre que se muda o perfil de máquina e se usa um bastidor novo pela primeira vez, deve fazer-se um “Trace” (verificação do contorno/traçado) na máquina antes de iniciar. Observar a barra de agulhas a percorrer o perímetro. Se o motor do bastidor fizer esforço anormal ou se o calcador ficar perigosamente perto de uma braçadeira, parar. O software evita muitos erros, mas a verificação visual é a última barreira.

Como criar um perfil de máquina personalizado (exemplo SWF)

Por vezes, o equipamento não está na lista de fábrica — seja por ser mais recente, seja por ser de uma marca menos comum. O tutorial demonstra a criação de um perfil personalizado usando uma SWF como exemplo.

Mentalidade de “escala”

Porque é que isto importa? Se está a introduzir uma SWF (ou equivalente) manualmente, é provável que esteja a entrar em contexto de produção, onde consistência e repetibilidade contam.

  1. Em Embroidery Settings → Machine & Hoop, clicar em “Create…” ao lado do selector de máquina.
  2. Dar um nome à máquina (no vídeo, é introduzido “SWF”).
  3. Decisão crítica: em “Machine Type”, seleccionar “Multi-needle”.
'Add Machine' modal window where user types 'SWF' and selects 'Multi-needle'.
Creating New Machine Profile

Porquê seleccionar “Multi-needle”? Isto altera a forma como o software trata as mudanças de cor.

  • Modo de uma agulha: o software assume paragens para reenfiar a cada cor.
  • Modo multiagulhas: o software trata as mudanças de cor como comandos da máquina, evitando “paragens” desnecessárias no ficheiro.

Nota editorial (sem promessas): em produção, esta configuração ajuda a que a simulação e a lógica de paragens fiquem mais próximas do comportamento real de uma máquina de bordar multiagulhas.

Resolver a “confusão de bastidores”

Depois de criar a máquina, é necessário preencher a biblioteca de bastidores.

  1. Encontrar “5.0 Square” na lista “Available hoops” (coluna da esquerda).
  2. Usar a seta para o mover para “Machine hoops” (coluna da direita).
  3. Clicar em OK.
Selecting '5.0 Square' from the Available Hoops list to move to the Machine Hoops list.
Assigning Hoops

Dica prática: evitar adicionar todos os bastidores que “talvez um dia” venham a ser comprados. Adicionar apenas os bastidores que existem fisicamente no atelier. Se já trabalha com bastidores de bordado swf para determinados trabalhos, manter a lista curta reduz erros de selecção e acelera o fluxo.

A regra mais importante: tamanho físico vs. área de costura

Esta é a lição mais valiosa do tutorial. Se só memorizar uma coisa, que seja esta:

O tamanho físico do bastidor $\neq$ a área de costura.

Um bastidor pode medir 120 mm de ponta a ponta, mas o calcador precisa de folga e o conjunto mecânico tem limites de deslocação.

  • Realidade física: o bastidor é a “sala”.
  • Área de costura: é a “pista de dança” dentro da sala. Não se dança encostado às paredes.

No vídeo, a Linda cria um bastidor personalizado com o nome “Round 120mm”, mas introduz 100 mm como diâmetro no software.

Porquê? Porque 100 mm é a área de costura efectiva/segura para aquela configuração. Se fosse introduzido 120 mm, o software permitiria colocar pontos demasiado perto do aro, aumentando o risco de a agulha bater no bastidor (o tal “CRUNCH”).

O factor dos bastidores magnéticos: Esta distinção é especialmente importante quando se usam ferramentas aftermarket. Quem procura bastidores de bordado magnéticos fá-lo muitas vezes para ganhar rapidez e reduzir marcas do bastidor (marcas de pressão/brilho no tecido). Mas um bastidor magnético não aumenta, por si só, o curso mecânico da máquina. O que manda é a área de costura real que deve ser introduzida no Hatch — em milímetros.

Passo a passo: adicionar um bastidor redondo personalizado

Vamos criar um perfil de bastidor com foco em segurança.

Passo 1: iniciar a criação

Nas definições de “Machine & Hoop”:

  1. Clicar em “Create…” na secção de bastidores.
The 'Create Hoop' dialog box is opened to define a custom hoop.
Starting Custom Hoop Creation

Passo 2: definir a geometria

  1. Alterar “Format” para “Circle” (por defeito costuma estar em Rectangle/Square).
User selects 'Circle' from the format dropdown menu.
Selecting Hoop Shape

Passo 3: nomear para não haver dúvidas

  1. Nomear como: Round 120mm.

Convenção de nome (recomendação): para evitar confusões meses mais tarde, pode ser útil incluir a área de costura no nome.

  • Exemplo: Round 120 [Sew 100]
  • Vantagem: ao seleccionar na lista, fica claro que o limite real é 100 mm.

Passo 4: introduzir o valor correcto (com segurança)

  1. Introduzir 100 no campo “Diameter”.
  2. Verificação crucial: confirmar que as unidades estão em milímetros (mm).
    • Nota: no vídeo é reforçado que os tamanhos devem ser introduzidos em milímetros (não em polegadas).
User enters 'Round 120mm' into the Name field of the hoop creation dialog.
Naming Custom Hoop

Passo 5: guardar

  1. Clicar em “Save Hoop”.
  2. Clicar em OK para fechar.
Entering '100' into the Diameter field while explaining the difference between physical size and sewing area.
Defining Sewing Area

Passo 6: verificação da “linha vermelha”

De volta à área de trabalho, aparece um círculo vermelho — a linha de “não ultrapassar”. No vídeo, o desenho fica fora dessa linha.

Clicking 'Save Hoop' to finalize the custom hoop creation.
Saving Settings

Este “desencontro” é um bom sinal: significa que o Hatch está a impedir um erro antes de chegar à máquina.

Se estiver a configurar uma biblioteca de bastidores de bordado para swf, repetir este processo para cada bastidor que possui. É um investimento único que reduz falhas e retrabalho.


Preparação (consumíveis “escondidos” e verificações)

A configuração no software é teórica; a execução na máquina é prática. Antes do primeiro teste com um perfil novo, alinhar o “mundo físico” com a “expectativa digital”.

Consumíveis que fazem a diferença

É comum focar-se na máquina e no software e esquecer o que estabiliza o tecido.

  • Agulhas: 75/11 ponta bola para malhas; 75/11 ponta aguda para tecidos planos. Uma agulha com rebarba corta a linha independentemente do bastidor.
  • Adesivo temporário em spray (KK100 ou semelhante): útil para “flutuar” tecido e também em alguns fluxos com bastidores magnéticos.
  • Tesouras de precisão: para cortar saltos sem picar o tecido.
  • Caixa de bobina suplente: uma queda pode afectar a mola de tensão; ter reserva evita paragens.

Se estiver a normalizar o atelier com bastidores de bordado para swf, ajuda ter um “kit de calibração” (tecido estável + estabilizador consistente) para testar perfis novos e reduzir variáveis.

Checklist de preparação: verificação rápida

  • [ ] Correspondência no software: a máquina seleccionada no Hatch é a máquina que está efectivamente montada?
  • [ ] Unidades: os valores foram introduzidos em mm? (Se for introduzido “4” a pensar em polegadas, o campo fica minúsculo.)
  • [ ] Medição relevante: usar a área de costura indicada na documentação/manual da máquina (como no exemplo 120 mm físico vs 100 mm de costura).
  • [ ] Agulha: se houver qualquer dúvida após um toque/batida, substituir.
  • [ ] Bobina: limpar cotão na caixa de bobina; acumulação altera tensão e pode puxar o tecido.

Configuração

Biblioteca de bastidores “sem surpresas”

Consistência reduz erros. Exemplo prático com bastidor de bordado magnético para brother pe800: ao adicionar um bastidor de terceiros, medir/confirmar a área de costura e criar (se necessário) um perfil correspondente no Hatch, em vez de confiar apenas na etiqueta “5x7”.

Aviso de segurança (ímanes): bastidores magnéticos comerciais usam ímanes fortes. Podem entalar dedos. Manter afastado de pacemakers/implantes e de suportes magnéticos. Ao fechar o bastidor, segurar pelas zonas de pega exteriores, nunca entre os aros.

Árvore de decisão: tecido vs. estabilizador

Um desenho que “cabe” no software pode falhar se o tecido se mover. Use esta lógica:

Passo 1: o tecido é elástico? (t-shirts, polos, hoodies)

  • SIM: recomenda-se estabilizador de recorte (cutaway).
    • Porquê: a malha estica; o cutaway dá estrutura.
    • Montagem no bastidor: não esticar em excesso; deve ficar plano, sem tensão.
  • NÃO: avançar para o Passo 2.

Passo 2: o tecido é instável/tecido aberto? (linho, algodão solto)

  • SIM: estabilizador de rasgar (tearaway) e, se necessário, adesivo temporário para fixar.
  • NÃO: avançar para o Passo 3.

Passo 3: é espesso/rígido? (ganga, lona, bonés)

  • SIM: muitas vezes o tearaway é suficiente.
    • Nota prática: materiais espessos podem ser difíceis de montar em bastidores de plástico; sistemas de aperto/magnéticos podem facilitar, desde que a área de costura esteja correctamente definida no perfil.

Checklist de configuração: decisão “avançar / não avançar”

  • [ ] Limite visual: no Hatch, o desenho está 100% dentro da linha vermelha.
  • [ ] Alinhamento ao centro: o desenho está centrado? (muitos acidentes acontecem nas extremidades).
  • [ ] Exportação: o formato de ficheiro é o adequado à máquina (ex.: .DST em muitas comerciais; .PES em Brother).
  • [ ] Guardar: confirmar que o bastidor/máquina ficaram guardados no perfil.

Operação

Execução do fluxo

  1. Seleccionar a máquina: menu na barra superior.
  2. Verificar visualização: activar “Show Hoop”. Se o contorno vermelho não aparece, parar e confirmar.
  3. Analisar folga: observar a distância entre o desenho e a linha vermelha.
    • Bom: 5 mm ou mais.
    • Risco: a tocar na linha.
    • Mau: a ultrapassar.
  4. Sincronizar hardware: montar o bastidor na máquina.
  5. Trace: executar o “Trace”/verificação de contorno na máquina e comparar com o que o Hatch mostra.

Resultados esperados (sinais)

  • Visual: a orientação no ecrã da máquina deve corresponder ao Hatch.
  • Auditivo: movimentos suaves; ruídos de esforço podem indicar limites ultrapassados.
  • Táctil: o bastidor deve encaixar sem forçar; se for preciso “empurrar”, pode haver incompatibilidade de encaixe com o perfil escolhido.

Checklist final

  • [ ] Lógica do Trace: o traçado corresponde ao limite estimado no Hatch?
  • [ ] Folgas: durante o trace, o calcador passa com folga sobre braçadeiras/parafusos/ímanes?
  • [ ] Velocidade: iniciar a primeira camada com velocidade conservadora (400–600 SPM) e só aumentar depois de confirmar folgas.

Resolução de problemas

Quando a realidade não bate certo com o software, usar uma abordagem estruturada.

1) Sintoma: “Design is too big for Hoop” (erro no software)

  • Causa provável: o desenho está no limite do perfil (100 mm num perfil de 100 mm sem margem).
  • Correcção imediata: reduzir ligeiramente ou ajustar orientação.
  • Prevenção: garantir margem de segurança no perfil e no desenho (evitar trabalhar “em cima” da linha vermelha).

2) Sintoma: “Machine not listed in Hatch”

  • Causa provável: a base de dados não inclui todos os modelos/marcas.
  • Correcção imediata: criar um perfil personalizado (como o exemplo SWF) e atribuir bastidores.

3) Sintoma: “A agulha bateu no bastidor” (o “CRUNCH”)

  • Causa provável: foi introduzida a medida física (ex.: 120 mm) em vez da área de costura (ex.: 100 mm).
  • Correcção imediata: parar, substituir a agulha e verificar se há danos.
  • Prevenção: corrigir o perfil do bastidor no Hatch com a área de costura real indicada na documentação.

4) Sintoma: “No ecrã está centrado, mas no tecido sai fora do centro”

  • Causa provável: centro digital $\neq$ centro físico (mais relacionado com montagem no bastidor do que com o perfil).
  • Correcção imediata: usar as teclas de “jog”/ajuste na máquina para alinhar a agulha com a marcação do centro.
  • Solução de fundo: melhorar a consistência da montagem no bastidor e a marcação; bastidores magnéticos podem ajudar a reduzir deslizamento, mas não substituem a calibração do perfil.

Resultados

Ao seguir esta lógica — ignorar etiquetas comerciais e focar-se na área de costura real — obtêm-se três ganhos práticos:

  1. Segurança: reduz-se o risco de colisões e danos.
  2. Velocidade de decisão: deixa-se de “tentar e ver”; se o Hatch diz que não cabe, não cabe.
  3. Escalabilidade: o processo fica repetível, útil para produção.

Passa-se de “esperar que funcione” para “saber que funciona”.

Quando os valores no software estão correctos, o limite passa a ser apenas o hardware. Se estiver constantemente limitado por bastidores pequenos ou por fluxos pouco eficientes, isso é um dado de operação — não um problema de “talento”.

Para já, o objectivo está cumprido: um ambiente calibrado e seguro. Agora, sim, pode bordar esse círculo de 100 mm com confiança.

The workspace updates to display the new Round 120mm hoop boundary in red.
Visualizing Result