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Master Class: Guia absoluto para iniciantes da FUWEI Série BC (A15-PLUS)
Introdução: ultrapassar o “medo de começar”
Ao longo de muitos anos em produção, é comum ver o mesmo cenário: uma máquina de bordar multiagulhas industrial à frente, um painel tátil cheio de opções e a sensação de que “isto parece mais um cockpit do que uma máquina”. O receio é real — receio de partir uma agulha, de provocar uma colisão com o bastidor, ou simplesmente de não saber por onde começar.
A boa notícia é simples: as máquinas gostam de rotina.
A FUWEI Série BC com o ecrã tátil A15-PLUS é uma máquina industrial robusta. Não exige que se seja programador; exige que se trabalhe como um piloto: um check-up antes de “descolar”. Este guia pega no essencial do vídeo e organiza-o num fluxo passo a passo, com verificações sensoriais (o que ver/ouvir/sentir) e pontos de controlo que ajudam a evitar paragens e erros caros.
Vamos cobrir o “Aperto de mão” (Energia e Segurança), o “Batimento” (Temporização mecânica) e a “Dança” (Movimento). No fim, não estará apenas a ligar a máquina — estará a controlar o arranque da produção.

Fase 1: o aperto de mão (energia e segurança)
Antes de tocar no ecrã, garante-se a segurança física. Em bordado industrial, segurança não é só evitar lesões — é evitar “crashes” (colisões) em que o bastidor bate na zona da agulha, com perda de tempo, material e dinheiro.
Passo 1 — Ritual de ligar (vídeo: 00:14–00:24)
Porquê: confirmar que a alimentação está estável e que o “cérebro” (controlador) comunica com os “músculos” (motores).
Sequência de ação:
- Localizar: encontrar o painel de alimentação na lateral da caixa de controlo.
- Verificar: confirmar que o cabo AC está bem encaixado. Um cabo solto pode causar mau contacto e falhas elétricas.
- Ligar: comutar o interruptor basculante preto de OFF (círculo) para ON (linha).
Verificação sensorial (o “sentir”):
- Som: deve ouvir-se de imediato o zumbido baixo das ventoinhas.
- Visão: o interruptor (se iluminado) acende e o ecrã A15-PLUS arranca com o logótipo FUWEI.
- Tempo: o arranque costuma demorar cerca de 15–20 segundos. Se reiniciar em ciclo ou piscar, é prudente parar e confirmar a alimentação.

Passo 2 — Verificação do “bloqueio” da paragem de emergência (vídeo: 00:25–00:46)
Porquê: o botão de paragem de emergência (E-Stop) não serve apenas para pânico. Funciona como um “pause” mecânico: quando está acionado, os motores ficam fisicamente cortados da alimentação, permitindo trabalhar com mais segurança perto das barras de agulhas.
Sequência de ação:
- Acionar: pressionar a direito o botão vermelho tipo “cogumelo” com a indicação “PUSH”.
- Repor: rodar o botão no sentido dos ponteiros do relógio (seguir as setas brancas) até este saltar para cima.
Verificação sensorial:
- Tato: ao pressionar, sente-se resistência firme da mola.
- Audição: ao repor, é normal ouvir um “CLACK” mecânico (contacto/relé). Se não houver resposta, confirmar se a máquina ficou efetivamente “ativa”.

AVISO: SEGURANÇA MECÂNICA
Nunca colocar as mãos perto das barras de agulhas, dos tiradores de linha (as alavancas móveis no topo) ou do pantógrafo enquanto a máquina está ativa (E-Stop desacionado). Estes componentes movem-se mais depressa do que o tempo de reação humano. Prender cabelo, retirar/ajustar joias e evitar cordões soltos.
Fase 2: o ambiente (configuração e preparação)
Com a máquina ligada, é importante garantir que operador e sistema “falam a mesma língua” — literalmente e, a seguir, mecanicamente.
Passo 3 — Alterar o idioma do sistema (vídeo: 00:53–01:12)
Porquê: navegar num interface complexo num idioma desconhecido aumenta erros e atrasos. Elimina-se essa variável logo no início.
Sequência de ação:
- No ecrã tátil, tocar no ícone de engrenagem (definições do sistema).
- Encontrar o menu de idioma.
- Selecionar English.
- Confirmar/sair.
Métrica de sucesso: o texto do menu muda de imediato. Como verificação rápida, confirmar que as designações dos eixos aparecem legíveis (por exemplo, X-Axis / Y-Axis).

Checklist de consumíveis “essenciais”
O vídeo não entra neste detalhe, mas na prática é útil ter estes itens à mão antes de iniciar qualquer teste/produção:
- Óleo adequado: óleo transparente para máquinas (evitar produtos tipo WD-40).
- Agulhas novas: ter agulhas de reserva prontas para troca.
- Controlo de cotão: escova pequena para limpeza (evitar soprar sujidade para dentro de sensores).
- Tesoura de linhas: para cortar saltos/jump stitches.
- Estabilizador (entretela) de bordado: escolher conforme o artigo (por exemplo, recorte para malhas; rasgável para tecidos).
- Adesivo temporário em spray: quando for necessário “flutuar” tecido.
Fase 3: o batimento (testes mecânicos de base)
Esta é a secção mais crítica para máquinas de bordar industriais. Se a temporização estiver fora, haverá agulhas partidas e linha a desfazer, independentemente da qualidade do desenho.
Passo 4 — Verificação do veio a 100° (vídeo: 01:15–01:25)
Porquê: o “veio principal” é a referência da máquina. 100° é o ponto de posicionamento usado para alinhamento/recuperação: a agulha está em cima e o sistema está pronto para sincronizar. Se a máquina não encontra os 100°, fica sem referência.
Sequência de ação:
- Tocar no ícone de posicionamento da agulha no ecrã.
- Observar a roda/escala de graus na lateral da cabeça.
- Observação: o veio roda e pára no ponto definido.
Verificação sensorial:
- Visual: o marcador deve ficar exatamente na linha verde dos 100. Se parar antes/depois, pode indicar desvio de referência.
- Audição: o normal é um “whir-stop” suave. Se houver ruído de esforço, pode existir resistência (por exemplo, linha presa na zona da bobina).


Passo 5 — Mudança de cor manual (verificação de alinhamento) (vídeo: 01:27–01:47)
Porquê: antes de deixar o motor deslocar a caixa de agulhas, confirma-se manualmente que o movimento é livre e que não há interferências.
Sequência de ação:
- Localizar o manípulo preto atrás do conjunto de tensões.
- Rodar o manípulo para deslizar a caixa de agulhas lateralmente.
- Observar o indicador no ecrã (T1, T2, T3...).
Verificação sensorial:
- Tato: a rotação deve ser suave. Sensação “áspera” pode indicar sujidade ou falta de lubrificação nas guias.
- Visual: ao centrar uma agulha, o ecrã deve atualizar para o número correspondente. Se a posição física não coincidir com o número indicado, parar e investigar (possível leitura/sensor).



Passo 6 — Mudança de cor automática (vídeo: 01:49–02:05)
Porquê: confirmar velocidade, precisão e resposta do sistema ao selecionar agulhas no painel.
Sequência de ação:
- No ecrã, tocar num número de agulha (por exemplo, 9, 8, 7).
- Afastar as mãos da zona móvel.
- A caixa de agulhas desloca-se rapidamente para a posição selecionada.


Fase 4: a dança (movimento e corte)
Agora testa-se o movimento X/Y. É aqui que muitos iniciantes têm o primeiro “susto”: o bastidor/armação a aproximar-se demasiado do corpo da máquina.
Passo 7 — Teste do corte (“clunk”) (vídeo: 02:07–02:16)
Porquê: o cortador automático é um mecanismo com facas móveis sob a chapa. Cotão e linhas acumuladas podem impedir o corte.
Sequência de ação:
- Premir o ícone de tesoura no ecrã.
- Ouvir a atuação.
Verificação sensorial:
- Audição: procurar um som claro e decidido tipo “CLUNK-CLICK”.
- Dupla verificação: se soar fraco, “mole” ou incompleto, pode haver acumulação de linha/cotão na zona do corte. Evitar iniciar bordado sem limpar.

Passo 8 — Teste X/Y do pantógrafo (bastidor) (vídeo: 02:18–02:44)
Porquê: o pantógrafo segura o bastidor e desloca o trabalho. Se arrastar, tremer ou “falhar passos”, o bordado perde forma e alinhamento.
Sequência de ação:
- Usar as setas direcionais no ecrã.
- Mover o bastidor para Norte/Sul/Este/Oeste, até aos limites.
Verificação sensorial:
- Visual: o movimento deve ser fluido sobre a mesa.
- Tato (dica prática): com cuidado, pousar levemente as pontas dos dedos no bastidor enquanto se move. Vibração excessiva pode indicar guias secas ou sujidade nas calhas.


Nota de especialista: o “ponto de dor” da montagem no bastidor
Mover o bastidor com fluidez é uma coisa; prender o tecido com consistência é outra. O vídeo mostra uma armação grande tipo “sash frame”, mas no dia a dia é comum trabalhar com bastidores tubulares.
O problema: bastidores de aperto (plástico) são uma fonte frequente de frustração: exigem força para fechar em artigos grossos e podem deixar marcas do bastidor (marcas de pressão) em tecidos sensíveis.
A solução: é por isso que muitos profissionais procuram vídeos sobre how to use magnetic embroidery hoop. Passar para bastidores de bordado magnéticos pode reduzir a fricção mecânica da montagem no bastidor.
- Rapidez: assenta-se o tecido e fecha-se a janela magnética, sem parafuso de aperto.
- Proteção do material: tende a reduzir marcas do bastidor por não esmagar fibras da mesma forma.
- Consistência: em séries, uma estação de colocação de bastidores magnética ajuda a repetir a posição e o alinhamento, evitando logótipos tortos.
Se o teste de movimento do bastidor falhar por colisão com braços da máquina ou por arrasto, muitas vezes não é defeito da máquina — pode ser um bastidor demasiado volumoso ou mal montado.
AVISO: SEGURANÇA COM ÍMANES
bastidores de bordado magnéticos usam ímanes de neodímio.
1. Risco de entalamento: fecham com força. Manter os dedos afastados das superfícies de contacto.
2. Dispositivos médicos: manter afastado de pacemakers.
3. Eletrónica: não colocar telemóveis ou cartões diretamente sobre o bastidor magnético.
Fase 5: lógica de decisão antes de bordar
Antes de iniciar o bordado, usar esta lógica ajuda a escolher o método de montagem no bastidor e o estabilizador mais adequado.
Árvore de decisão: escolher a ferramenta certa
Cenário A: Produção em volume (50+ polos)
- Desafio: fadiga, consistência de alinhamento, velocidade.
- Recomendação: usar uma estação de colocação de bastidores para bordado com bastidor tubular.
- Estabilizador: quadrados pré-cortados de rasgável médio.
Cenário B: Artigos delicados/espessos (casacos, veludo, roupa técnica)
- Desafio: marcas do bastidor e dificuldade em fechar o aperto.
- Recomendação: bastidores de bordado magnéticos.
- Estabilizador: recorte pesado (para casacos) ou malha “no-show” (para roupa técnica).
Cenário C: Testes/amostras
- Desafio: minimizar custos.
- Recomendação: bastidores standard.
- Estabilizador: o que estiver disponível (sem comprometer em excesso a estabilidade).
Fase 6: checklists obrigatórias
Imprimir e afixar junto à máquina.
Checklist 1: preparação “a frio” (antes de ligar)
- [ ] Óleo: conjunto do gancho lubrificado (1 gota a cada 4–8 horas de uso, conforme rotina).
- [ ] Limpeza: zona da bobina sem acumulação de cotão (usar escova).
- [ ] Agulha: direita, afiada e corretamente inserida.
- [ ] Bobina: tensão dentro do normal (teste tipo “ioiô”: ao segurar a linha, a caixa da bobina deve descer muito ligeiramente com um pequeno puxão).
Checklist 2: preparação “a quente” (máquina ligada)
- [ ] E-Stop: desacionado (posição para cima).
- [ ] Temporização: teste dos 100° OK (marcador na linha verde).
- [ ] Cabeça: mudança de cor alinhada (T no ecrã corresponde à agulha física).
- [ ] Cortador: teste de atuação com som claro.
- [ ] Percurso: bastidor move em X/Y sem tocar no corpo da máquina ou na mesa.
Checklist 3: “avançar ou não avançar” (operação)
- [ ] Desenho: orientação correta (rodar 180° se estiver a usar um driver de bonés).
- [ ] Bastidor: bem encaixado no braço do pantógrafo (confirmar travamento).
- [ ] Traçado: executar “Trace”/“Border Check” para garantir que a agulha não bate no aro do bastidor. (Passo de segurança crítico)
- [ ] Início: premir Start.
Resolução de problemas: matriz de correção rápida
Quando um teste falha, seguir esta matriz ajuda a isolar a causa sem perder tempo.
| Sintoma | Causa provável | Correção |
|---|---|---|
| Máquina não arranca / ecrã apagado | Interruptor / cabo solto | Confirmar o encaixe do cabo AC. Verificar se o E-Stop não está acionado (em alguns modelos pode cortar alimentação). |
| Teste dos 100° faz ruído/“procura” | Enrolamento de linha (ninho) | Não forçar. Remover a chapa e cortar/retirar linha presa na zona do gancho/rotativo. |
| Caixa de agulhas não se move (mudança de cor) | Sujidade nas guias / agulha em baixo | Garantir que o veio está em 100°. Não é possível mudar de cor com a agulha dentro do material. |
| Cortador soa “mole” | Cotão acumulado | Remover a chapa. Limpar o canal da faca móvel com escova. |
| Erro “Frame Limit” | Desenho maior do que o bastidor | Confirmar dimensões do desenho e limites do carro X/Y. |
| Bastidor solta-se durante o movimento | Encaixe/travamento incompleto | Ao inserir o bastidor de bordado no suporte, garantir que os encaixes esquerdo e direito ficam totalmente travados. |
Conclusão
A diferença entre um dia frustrante e um dia rentável está, muitas vezes, nestes primeiros cinco minutos. Ao validar de forma sistemática a lógica mecânica da máquina (energia, temporização, alinhamento e movimento), cria-se uma “rede de segurança” para a produção.
A FUWEI Série BC é potente, mas depende de uma rotina consistente do operador. E quando chegar a altura de passar de “aprender” para “produzir em série”, ferramentas como conjuntos de magnetic embroidery hoop podem melhorar a interface com o material — tal como dominar o A15-PLUS melhora a interface com a máquina.
Verificar o óleo, fazer o traçado e premir Start.

