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Preparar o ficheiro SVG no SewArt
Transformar uma silhueta SVG “plana” num ficheiro de aplique profissional é, muitas vezes, o ponto onde quem está a começar bloqueia. É comum haver receio de a máquina “comer” o tecido, ou de o contorno final não apanhar a margem do aplique. Quando se percebe a lógica do software, esse receio desaparece — e o processo torna-se repetível.
Neste guia, vamos converter uma silhueta simples (cabeça de veado) num ficheiro de aplique robusto em Brother PES. O foco é trabalhar dentro da limitação física de um bastidor 4x4 (pol.), o que obriga a ser rigoroso no dimensionamento para manter uma margem de segurança. O objectivo é obter os três passos essenciais de um aplique bem construído: linha de colocação, ponto de fixação (tack-down) e um contorno de acabamento limpo.

O que vai aprender (e o que pode correr mal)
Na prática, estamos a “ensinar” o SewArt a ignorar o ruído e a concentrar-se apenas na forma. A sequência é esta (e convém segui-la pela ordem):
- Dimensionamento seguro: Redimensionar o desenho para 3,9 pol. para deixar uma margem física dentro de um bastidor 4x4.
- Forçar cores: Reduzir a imagem a duas cores contrastantes (Vermelho/Branco) para a auto-digitalização não se baralhar.
- Escolha do modo: Usar Appliqué (Border) e não CenterLine, para evitar o erro de “explosão” de pontos aleatórios.
- Definição do contorno: Definir Satin Border Height = 25 (2,5 mm) — um valor seguro para muitos trabalhos gerais.
- Verificação: Confirmar num visualizador como o SewWhat-Pro que o ficheiro tem 3 passos de aplique.
Nota rápida sobre bastidores e dimensionamento
O tamanho do bastidor é o limite físico “duro”. Se o desenho encostar ao limite do campo de bordado, há risco de o bastidor/armação interferir com o calcador — um choque que pode sair caro. Ao redimensionar para 3,9" de altura, cria-se uma zona de segurança para um bastidor de bordado 4x4 para Brother. Assim, a máquina não se aproxima da “zona de perigo” junto à moldura plástica.

Passo 1 — Abrir o SVG e redimensionar para 3,9" de altura
- Abrir o SewArt e ir a File > Open.
- Localizar o ficheiro SVG.
- Ajuste crítico: Na janela Resize Image:
- Verificar: Confirmar que “Lock Aspect Ratio” está activo.
- Definir altura: Introduzir 3.90.
- Acção: Clicar em OK.
Ponto de controlo: A silhueta deve manter as proporções e “flutuar” com espaço livre nos quatro lados, sem tocar nos limites da área de trabalho.
Resultado esperado: Uma imagem limpa e redimensionada, reduzindo o risco de a agulha bater no bastidor.


Dica profissional: o pânico do “ficheiro invisível”
É uma frustração típica: abre-se uma pasta e parece que o SVG “não existe”.
- Causa provável: Está a tentar abrir um SVG (arte) no SewWhat-Pro (visualizador de bordados).
- Solução: Abrir o SVG no SewArt. Abrir o PES final no SewWhat-Pro.

Configurar as definições do contorno de aplique
Passo 2 — Forçar uma imagem limpa a duas cores (Vermelho em primeiro plano, Branco no fundo)
A auto-digitalização confunde-se facilmente com degradés e arestas “suaves” (anti-aliasing). Para o SewArt, convém tornar a imagem binária: ou é “forma” ou é “fundo”.
- Seleccionar a ferramenta Paint Bucket (balde de tinta).
- Escolher uma cor de alto contraste (por exemplo, Vermelho sólido) e clicar na forma do veado.
- Escolher Branco sólido e clicar na área de fundo.
Ponto de controlo: A imagem deve parecer um sinal de aviso — duas cores chapadas, arestas nítidas, sem sombras.
Resultado esperado: Reduzem-se drasticamente as variáveis que fazem o software gerar “pontos confetti”.
Lista de preparação (antes de digitalizar)
Antes de avançar para a área de pontos (“Stitch”), vale a pena fazer esta verificação rápida:
- [ ] Segurança do bastidor: A altura do desenho é ≤ 3,9" para um bastidor 4x4?
- [ ] Integridade da forma: A silhueta é um único contorno fechado? (Partes “soltas” podem exigir contornos próprios).
- [ ] Contraste: Está mesmo limitado a 2 cores?
- [ ] Ferramentas: Existem tesouras de aplique (tipo “duckbill”) para aparar sem cortar os pontos?
- [ ] Fixação do tecido do aplique: Existe adesivo temporário em spray ou fita para manter o retalho no sítio?
Aviso (segurança física): No bordado real, o aplique implica colocar as mãos na zona do bastidor para aparar tecido. Nunca aparar com a máquina em estado “activo” se houver risco de arranque acidental. Manter sempre os dedos fora do percurso da barra da agulha.
Passo 3 — Entrar em Stitch Image e escolher Appliqué (Border)
- Clicar no ícone Stitch Image (botão com máquina de costura).
- Pergunta: “Reload previous stitch list?” → escolher No.
- Selecção crucial: Clicar no separador Appliqué (Border).
Armadilha comum: Não escolher Appliqué (CenterLine). O CenterLine procura uma linha única para seguir (como um traço). O Border procura a aresta de uma forma. Usar CenterLine numa silhueta faz o software “inventar” trajectos e encher o ecrã com pontos aleatórios.
Ponto de controlo: Está no separador correcto e a área está pronta para aplicar o contorno.



Compreender os tipos de ponto no SewArt: Satin vs Bean
Passo 4 — Escolher o tipo de contorno e definir a largura (Height = 25)
Esta decisão tem impacto directo no acabamento do aplique. O contorno tem de ser suficientemente largo para cobrir a aresta crua do tecido, mas não tão largo que deixe o trabalho rígido.
- Tipo de ponto: Seleccionar 5 Satin.
- Largura (Height): Definir 25.
- Nota: No SewArt, 10 unidades = 1 mm. Logo, 25 = 2,5 mm.
- Na prática: 2,5 mm é um valor seguro para começar, mas em arestas muito detalhadas pode evidenciar falhas.
- Aplicar: Clicar explicitamente na área vermelha (a forma do veado).
Ponto de controlo: Deve aparecer de imediato um contorno espesso e texturado à volta da silhueta.
Resultado esperado: O contorno de cobertura fica definido e o SewArt gera automaticamente as linhas subjacentes de colocação e de fixação.



Conceito crítico: o problema das pontas (Satin vs Bean)
O ponto satin funciona como “blocos” de largura. Em curvas muito apertadas (por exemplo, pontas finas das hastes), tende a abrir falhas no exterior e a acumular no interior. O resultado pode ficar irregular.
Quando mudar de estratégia: Se o SVG tiver detalhes muito finos, o satin pode ficar confuso. O Bean Stitch (ponto corrido com múltiplas passagens) lida melhor com cantos agudos porque não depende de uma largura de cobertura.
Árvore de decisão — Escolher contorno e estabilizador
Use esta lógica antes de guardar o ficheiro:
- Cenário A: Algodão padrão / bodies
- Desenho: Formas arredondadas.
- Escolha: Satin (2,5 mm – 3,0 mm).
- Estabilizador: Cutaway (2,5 oz).
- Cenário B: Toalhas / polar (pêlo alto)
- Desenho: Formas maiores.
- Escolha: Satin (3,5 mm – 4,0 mm) + topping solúvel em água.
- Porquê: Ajuda a evitar que o ponto “afunde” no pêlo.
- Cenário C: Arte detalhada / pontas agudas
- Desenho: Espigões, texto ou linhas finas.
- Escolha: Bean Stitch.
- Estabilizador: Reforço termocolante no próprio tecido do aplique para reduzir o desfiar.
Guardar e verificar o ficheiro de aplique no SewWhat-Pro
Passo 5 — Guardar em PES e confirmar a estrutura de aplique em 3 passos
Não convém confiar cegamente na auto-digitalização. Confirmar a ordem dos pontos garante que a máquina pára quando tem de parar.
- File > Save As → seleccionar Brother PES.
- Abrir o novo ficheiro no SewWhat-Pro.
- Verificação visual: Na lista de cores/passos, devem aparecer 3 cores distintas (3 passos), mesmo que fisicamente se use apenas uma cor de linha.
Sequência obrigatória:
- Passo 1 (linha de colocação / die line): Um ponto corrido simples. Acção: colocar o tecido do aplique após este passo.
- Passo 2 (fixação / tack-down): Um ponto de fixação dentro da primeira linha. Acção: aparar o excesso de tecido após este passo.
- Passo 3 (acabamento satin): Cobertura final densa. Acção: deixar terminar.
Ponto de controlo: Se no SewWhat-Pro só aparecer 1 passo/cor, a máquina pode avançar directamente para o satin, sem dar tempo para colocar/aparar o tecido. Voltar ao Passo 3 e confirmar que o modo de aplique está activo.



Dicas para melhorar o resultado do ponto satin
Controlos de qualidade antes de bordar em tecido
Digitalizar é metade do trabalho; a outra metade é física. Se o contorno satin ficar com “falhas” ou ondulado no tecido real, muitas vezes não é o software — é estabilidade na colocação e suporte.

Lista de configuração (para o bordado real)
Esta auditoria ajuda a reduzir deslocações e marcas do bastidor:
- [ ] Tensão da bobina: Ao puxar a linha da bobina (linha inferior), deve sentir-se uma resistência ligeira. Um “teste de queda” deve deixar a caixa descer 1–2" e parar.
- [ ] Agulha: Usar uma agulha nova 75/11 para bordado. Uma agulha gasta empurra o tecido e pode causar desalinhamento.
- [ ] Preparação do tecido: Passar a ferro o tecido base e o tecido do aplique. Rugas = franzido.
- [ ] Estabilizador: Em malhas/tecidos elásticos (T-shirts), usar cutaway. Tearaway tende a deformar o desenho.
O “ponto de dor” da colocação no bastidor: quando faz sentido evoluir
Bastidores plásticos standard dependem de fricção e aperto. Para obter um bastidor bem esticado (importante para o alinhamento do aplique), por vezes aperta-se tanto que ficam marcas do bastidor em tecidos delicados — ou, em peças grossas, o tecido pode escorregar.
Escada de soluções:
- Nível 1 (técnica): Envolver o aro interior com fita coesiva (tipo Vetrap) para aumentar a aderência.
- Nível 2 (ferramenta): Se houver dificuldade em manter tensão sem marcas, considerar um bastidor magnético compatível (quando aplicável). Mantém a peça por força vertical em vez de fricção.
- Nível 3 (produção): Para repetição em série, uma estação de colocação de bastidores hoop master ajuda a posicionar sempre no mesmo sítio e a reduzir rejeições.
Aviso (segurança com ímanes): Ímanes fortes podem entalar os dedos. Aviso para pacemakers: manter bastidores magnéticos a pelo menos 6" de implantes médicos.
Lista de operação (durante o bordado)
- [ ] Paragem 1: Coser a linha de colocação. A máquina pára.
- [ ] Acção: Aplicar ligeiramente adesivo temporário no verso do tecido do aplique e posicionar sobre a linha.
- [ ] Paragem 2: Coser o tack-down. A máquina pára.
- [ ] Acção: Retirar o bastidor da máquina (sem desbastidorar). Colocar numa mesa plana e aparar o tecido a 1–2 mm da costura.
- [ ] Paragem 3: Voltar a montar o bastidor na máquina e coser o acabamento satin.
- [ ] Verificação auditiva: Um som regular é bom sinal. Um “toc-toc” pesado pode indicar esforço excessivo — trocar a agulha ou reduzir a velocidade na máquina.
Resolução de problemas (Sintoma → Diagnóstico → Correcção)
| Sintoma | Causa provável | Correcção |
|---|---|---|
| “Pontos confetti” | Modo errado seleccionado | Confirmar Appliqué (Border) e não CenterLine. |
| Arestas brancas visíveis | Aparo demasiado rente | No Passo 4 (SewArt), aumentar Height para 30 (3,0 mm) para mais cobertura. |
| Tecido a franzir | Falta de estabilização | Usar cutaway e melhorar a colocação no bastidor. |
| Desenho a bater no bastidor | Limite de tamanho | Guardar o SVG a 3,85" ou 3,9" de altura. |
| Bastidor a abrir/escorregar | Peça muito grossa | Considerar bastidores de bordado para máquinas de bordar mais adequados ao tipo de peça. |
Resultados
Ao seguir este fluxo de trabalho, transformou uma arte plana num ficheiro de bordado com volume e textura. Ficou com:
- Uma margem de segurança (3,9").
- Dados “limpos” para a auto-digitalização.
- Uma largura de contorno (2,5 mm) que cobre a aresta sem tornar o aplique excessivamente rígido.
Quer esteja a usar bastidores de bordado para máquinas brother ou soluções de fixação mais avançadas, o princípio mantém-se: boa digitalização + estabilidade no bastidor = aplique consistente.
