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Importar e preparar a arte (Artwork)
Um design limpo e pronto a bordar não começa nos pontos — começa na arte certa e num fluxo de trabalho previsível. Neste projecto, vai pegar num desenho simples em PNG (um chapéu de chef) e transformá-lo rapidamente num design com texto (“Chef Master”) usando o Auto-Digitize Instant Embroidery do Hatch. Mas antes de clicar em “Auto-Digitize”, convém alinhar o software com a realidade física da máquina.

O que vai aprender (e para que é que este método é realmente bom)
Vai aprender a:
- Inserir um PNG no Hatch e confirmar que está seleccionado (procure as pegas/“handles” pretas à volta da imagem).
- Medir a parte realmente importante (o chapéu), e não o canvas inteiro.
- Redimensionar a arte para um tamanho de bordado prático antes de digitalizar (crítico para controlar a densidade).
- Centrar a arte usando réguas e a mira (crosshair).
- Converter a imagem em pontos com Auto-Digitize Instant Embroidery.
- Adicionar lettering, alterar cores de linha, pré-visualizar no Stitch Player e exportar.
Este fluxo é ideal para prendas rápidas, personalizações simples e line art com poucos detalhes. Para logótipos “de produção” com pormenores muito pequenos (abaixo de 5 mm), a auto-digitalização é apenas um ponto de partida — normalmente é necessário refinar manualmente ângulos de ponto, underlay, compensação de repuxo (pull compensation), etc.
Consumíveis “escondidos” e verificações de preparação (não saltar)
Apesar de o tutorial ser no software, a qualidade final depende sempre do triângulo Utilizador–Máquina–Material. Antes de exportar, confirme que a preparação física aguenta as instruções digitais.
Checklist de preparação (a lista do “senão…”):
- Qualidade da arte: O PNG tem contraste alto? Se houver “fumo” cinzento nas arestas, o software pode interpretar isso como ruído e criar pontos indesejados.
- Agulha: Uma agulha gasta é uma das causas mais comuns de rebentamento/desfiar da linha. Regra prática: se não se lembra quando foi a última troca, troque agora. O rascunho original sugere 75/11 Sharp para tecidos planos (ex.: aventais) e Ballpoint para malhas.
- Linha: Para uso geral, 40 wt poliéster é uma escolha robusta. Garanta que há linha suficiente no cone — ficar sem linha a meio do bordado é perda de tempo e material.
- Estratégia de estabilizador: Tenha preparado cutaway (mais estabilidade) ou tearaway (mais rápido). Dica prática: um adesivo temporário pode ajudar quando a montagem no bastidor é difícil (por exemplo, em zonas com costuras grossas).
- Limpeza da máquina: Abra a zona da bobina e remova cotão. O cotão altera tensões e pode transformar um ficheiro “perfeito” num ninho de linha.
Se vai bordar em peças e ainda está a afinar a preparação, é útil ter um “kit de teste” (retalhos de ganga/sarja + estabilizador) para validar tensões antes de arriscar o avental final.
Dominar o tamanho: como medir e escalar no ecrã
O dimensionamento é onde muitos iniciantes sabotam o trabalho. A física do bordado é simples: se digitalizar um design grande (ex.: 6") e depois o reduzir no ecrã da máquina, o número de pontos pode manter-se, aumentando a densidade e causando repuxo, enrugamento e quebras de linha. A abordagem do vídeo é a prática correcta: primeiro dimensionar a arte, depois digitalizar.

Passo 1 — Inserir a arte (PNG)
No Hatch:
- Abra a toolbox Artwork.
- Clique em Insert Artwork.
- Navegue até ao PNG (ex.: “Chef Master_Hatch Blog.PNG”) e clique em Open.
Ponto de controlo: Deve ver o chapéu de chef no canvas. Confirme visualmente que é line art nítida (preto sólido sobre fundo transparente/branco).


Passo 2 — Confirmar o tamanho do canvas (para não medir a coisa errada)
Com a imagem seleccionada (handles pretos visíveis), o vídeo refere que o tamanho global da imagem ronda 6 x 6 inches (quase 7 x 7). Isto é o canvas total, não o chapéu. Esta distinção é crítica: se dimensionar pelo “caixote” do canvas, o bordado pode ficar demasiado pequeno.

Resultado esperado: Fica claro que o “tamanho do canvas” não é o que interessa. É preciso medir o desenho (o “tinteiro”/traço) do chapéu.
Passo 3 — Medir o chapéu no ecrã (ferramenta Measure do Hatch)
- Prima M para activar a ferramenta Measure.
- Clique num lado da parte mais larga do chapéu.
- Desloque o rato (hover) para o outro lado para ler a largura (normalmente aparece perto de 4 inches no início).
- Prima Esc duas vezes para sair.
Nuance importante: não é necessário clicar no segundo ponto para ver o valor — basta manter o cursor sobre o lado oposto para obter a medição dinâmica.

Ponto de controlo: Já tem um número concreto para a largura do chapéu (não uma estimativa “a olho”).
Passo 4 — Redimensionar a arte para ~3 inches de largura
- Volte a seleccionar a imagem (handles pretos).
- Arraste as pegas de canto para reduzir.
- Prima M novamente e volte a medir até o chapéu ficar com 2,8–3 inches de largura.
- Prima Esc duas vezes para sair da medição.

Resultado esperado: O chapéu fica perto de 3" de largura — um tamanho comum para bordados tipo “peito esquerdo” ou zona frontal de um avental.
Passo 5 — Centrar a arte usando as réguas e a mira (crosshair)
No vídeo, a arte é centrada alinhando a mira com os 0 das réguas superior e esquerda.
- Arraste a arte.
- Observe as linhas da mira.
- Alinhe na vertical e na horizontal com os zeros das réguas.

Ponto de controlo: A arte fica na coordenada (0,0), ajudando a que o design fique centrado quando for carregado para o bastidor na máquina.
Nota técnica: porque “tamanho primeiro” evita problemas de pontos
As ferramentas de auto-digitalização calculam espaçamento/densidade com base no tamanho actual da arte.
- Correcto (Dimensionar -> Digitalizar): O software calcula a densidade para um objecto de ~3". Resultado: bordado mais flexível e limpo.
- Incorrecto (Digitalizar -> Reduzir): O software calcula para ~6" e depois é reduzido. Resultado: pontos “esmagados”, mais quebras e repuxo.
Se está a começar com a melhor máquina de bordar para iniciantes, criar este hábito de “tamanho primeiro” é uma das formas mais eficazes de melhorar resultados sem entrar logo em ajustes avançados.
Usar o Auto-Digitize Instant Embroidery
Com a arte dimensionada e centrada, é altura de converter pixels em instruções de agulha.
Passo-a-passo: auto-digitalizar o chapéu
- Confirme que a arte está seleccionada.
- Expanda a toolbox Auto-Digitize.
- Clique em Auto-Digitize Instant Embroidery.

Resultado esperado: O traço preto converte-se instantaneamente em pontos (no vídeo, aparecem a roxo). A textura muda de “tinta plana” para “linha simulada”.

Alternar visibilidade rapidamente (o teste “antes e depois”)
O vídeo usa um atalho simples:
- Prima D para desligar a imagem.
- Prima D novamente para voltar a ligar.
Isto é uma verificação rápida e útil: ao alternar, confirma-se se os pontos seguem o traço com precisão.
Verificação rápida pós-auto-digitize (auditar o ficheiro)
A auto-digitalização é um algoritmo, não um operador experiente. Antes de adicionar texto, faça zoom e confirme:
- Arestas serrilhadas: As curvas parecem “escadas”?
- Colunas muito finas: Existem colunas de satin demasiado estreitas (o rascunho refere 1 mm como referência de risco)?
- Falhas/gaps: Há espaços brancos entre contornos?
Se aparecerem problemas, muitas vezes é mais rápido voltar atrás (Undo) e melhorar a arte de origem do que tentar “remendar” ponto a ponto.
Adicionar e personalizar texto
O vídeo adiciona “Chef Master” em duas linhas e muda a cor do lettering para vermelho. É também aqui que, na prática, começam muitos desafios de produção (especialmente em tecidos mais grossos).
Passo-a-passo: adicionar o lettering “Chef Master”
- Abra a toolbox Lettering / Monogramming.
- Escreva Chef, prima Enter, e depois escreva Master.
- Seleccione o objecto de texto.
- Altere a cor para Red na paleta de cores inferior.

Ponto de controlo: Vê “Chef Master” no canvas a vermelho, num tipo de letra simples.
Dicas de colocação e legibilidade (a realidade no tecido)
O texto exige estabilidade. Se o tecido se mover 1 mm durante o bordado, o lettering pode ficar irregular. Em aventais (lona/sarja), a montagem no bastidor pode ser mais difícil por causa de bainhas e zonas com várias camadas.
- Dificuldade comum: Forçar costuras grossas em bastidores de bordado para máquinas de bordar pode exigir muita força e deixar marcas do bastidor (marcas de pressão/brilho) que nem sempre saem.
- Alternativa prática: Se a montagem no bastidor estiver a ser um bloqueio (ou se as marcas forem um problema), um bastidor magnético pode ajudar por prender rapidamente sem parafuso.
Exportar o design para a máquina de bordar
Um erro típico é exportar logo um formato de máquina (PES/DST/JEF) e dar o trabalho por terminado. O problema: depois é muito mais difícil editar texto e propriedades.
Passo 1 — Guardar primeiro o ficheiro editável
- Vá a Output Design.
- Escolha Save Design As.
- Guarde no formato nativo .EMB.

Resultado esperado: Fica com um “ficheiro mestre” em EMB que mantém propriedades editáveis (ex.: objectos de texto, cor, etc.).
Passo 2 — Pré-visualizar no Stitch Player
O vídeo usa o Stitch Player para simular o percurso.
- Verificação visual: Há saltos desnecessários?
- Verificação lógica: A sequência parece coerente (base/underlay antes do satin de acabamento)?

Ponto de controlo: A simulação é fluida e faz sentido para bordar.
Passo 3 — Exportar para o formato da sua máquina
- Clique em Export Design.
- Seleccione o formato compatível com o seu equipamento.
- Clique em Save.

Guia rápido de formatos (referência prática):
- máquina de bordar brother: .PES ou .PEC.
- máquina de bordar janome: .JEF.
- Máquinas comerciais (ex.: Tajima, etc.): .DST.
Passo 4 — Confirmar cores e informação do trabalho em Preview/Print
No vídeo, é confirmada a existência de apenas duas cores (preto e vermelho). Use a caixa de linhas (thread box) para planear a troca física de cones.

Resultado esperado: Um plano de produção claro — sabe quando a máquina vai parar para mudança de cor.
Controlos de qualidade
Antes de carregar em “Start” (Iniciar) na máquina, faça uma validação final do software para o tecido. O vídeo mostra um tamanho final de cerca de 4.113 in (W) x 3.064 in (H).

Confirmar o tamanho final após a escala
No vídeo:
- Com o design seleccionado, as dimensões finais aparecem como 4.113 in x 3.064 in.
Verificação crítica: O seu bastidor tem uma área útil de costura superior a isto? Um bastidor “4x4” é muitas vezes 100 mm x 100 mm (3,93"). Com estas medidas, o design pode não caber num 4x4 standard. Nesse caso, pode ser necessário reduzir ligeiramente (ex.: para ~3,8") ou usar um bastidor maior (ex.: 5x7), conforme o seu equipamento.
Árvore de decisão: estabilizador + montagem no bastidor
A estabilização correcta é a diferença entre um bordado profissional e um trabalho repuxado.
1. Determinar o tipo de tecido:
- Tecido plano pesado (aventais, ganga):
- Recomendação: tearaway (2 folhas) se o tecido for muito rígido; cutaway (peso médio) se tiver alguma flexibilidade ou se for lavado com frequência.
- Montagem no bastidor: precisa de boa tensão (efeito “pele de tambor”). Se o aperto por parafuso for difícil em zonas grossas, um bastidor magnético pode facilitar.
- Malhas (t-shirts, polos):
- Recomendação: cutaway (regra geral). A malha estica; o tearaway tende a resultar em lettering com falhas.
- Montagem no bastidor: não esticar a malha; colocar em posição neutra.
- Tecido com pêlo (toalhas):
- Recomendação: topper solúvel em água por cima + tearaway por baixo, para evitar que os pontos “afundem”.
2. Volume de produção:
- Peça única (prenda): bastidor standard é suficiente.
- Série (ex.: 50 unidades): a montagem no bastidor torna-se o gargalo. Bastidores magnéticos podem reduzir o tempo de colocação por peça (o ganho exacto depende do operador e do artigo).
Se vai exportar para uma máquina de bordar tajima ou para máquinas de bordar melco, é provável que esteja a pensar em consistência de produção. Nesses casos, ajuda manter o mesmo tipo de estabilizador e a mesma agulha ao longo do lote.
Resolução de problemas
O vídeo não entra em erros, mas na prática eles aparecem. Aqui fica um “kit de primeiros socorros” para falhas comuns.
Lógica de reparação: do mais barato para o mais caro
Comece sempre pelo que é gratuito/rápido antes de mexer em parâmetros.
| Sintoma | Causa provável | Verificação rápida | Correcção (Nível 1) | Correcção (Nível 2) |
|---|---|---|---|---|
| Ninho de linha (grande nó por baixo) | Linha superior sem tensão (enfiamento incorrecto). | Puxar a linha junto à agulha: está solta? | Voltar a enfiar com o calcador levantado. | Verificar bobina/cápsula: cotão, danos. |
| Quebra de linha (repetida) | Agulha gasta ou rebarba. | Passar a unha na ponta da agulha para sentir “gancho”. | Trocar agulha (ex.: 75/11 em tecido plano). | Reduzir velocidade (ex.: 600 SPM, se aplicável). |
| Falhas no contorno / gaps | Tecido a mexer (montagem no bastidor). | Tocar no tecido no bastidor: som “mole” ou “seco”? | Re-montar com mais tensão; usar adesivo temporário. | Ajustar “Pull Compensation” no software (ex.: 0,3 mm+). |
| Repuxo / enrugamento | Densidade alta / estabilizador fraco. | Zona do bordado fica rígida/esmagada. | Trocar para cutaway em vez de tearaway. | Reduzir densidade no software (ex.: 10–15%). |
Problemas específicos deste fluxo do vídeo
Sintoma: exportou o ficheiro, mas depois não consegue editar.
- Causa: guardou apenas o formato de máquina (DST/PES/etc.).
- Prevenção: Guardar primeiro em Save Design As (.EMB).
Sintoma: os pontos não seguem bem o traço.
- Causa: PNG com baixa resolução/arestas pouco definidas.
- Correcção: dimensionar a arte antes de clicar em Auto-Digitize. Se a imagem estiver desfocada, o Hatch não “adivinha” as arestas.
Resultado
Ao seguir este fluxo, conseguiu:
- Importar e dimensionar a arte antes de digitalizar, respeitando a “física” do ponto.
- Auto-digitalizar um chapéu de chef em line art.
- Adicionar lettering “Chef Master” com contraste.
- Guardar um ficheiro mestre editável .EMB.
- Exportar um ficheiro pronto para a máquina.
Próximos passos: Dominou o básico do software, mas o bordado é um processo físico. Se começar a sentir limitações (por exemplo, trocas manuais de cor numa máquina de uma agulha, ou dificuldade recorrente na montagem no bastidor em artigos grossos), é sinal de que a técnica está a evoluir.
- Nível 1: investir em bons estabilizadores e considerar bastidor magnético para facilitar a montagem.
- Nível 2: máquinas de bordar multiagulhas para automatizar mudanças de cor e ganhar consistência.
Mantenha as verificações de segurança e continue a testar em amostras antes de produzir em peça final.
