De PES a recortes perfeitos: SewWhat‑Pro + ScanNCut para aplique em cartolina (sem dramas com fita)

· EmbroideryHoop
Este guia prático mostra, passo a passo, como transformar a linha de corte (die line) de um aplique em PES num ficheiro SVG no SewWhat-Pro, cortar formas limpas em cartolina numa Brother ScanNCut e bordá-las numa máquina Brother para criar um ornamento de abóbora. Inclui o valor exacto do Inflation Factor usado no vídeo (1.05), como duplicar a peça e fazer um teste de corte na ScanNCut, como “flutuar” e fixar materiais rígidos no bastidor sem danificar a superfície, e como resolver rapidamente os três pontos de falha mais comuns: corte incompleto, danos/rasgões causados pela fita e ponto acetinado que não cobre totalmente a borda.
Aviso de direitos de autor

Apenas para fins educativos. Esta página é uma nota de estudo/comentário sobre a obra do(a) autor(a) original. Todos os direitos permanecem com o original; não é permitido reenviar nem redistribuir.

Veja o vídeo original no canal do(a) autor(a) e subscreva para apoiar novos tutoriais — um clique ajuda a financiar demonstrações passo a passo mais claras, melhores ângulos de câmara e testes práticos. Clique em “Subscrever” para apoiar.

Se for o(a) autor(a) e pretender ajustes, inclusão de fontes ou a remoção de partes deste resumo, contacte-nos através do formulário de contacto do site. Responderemos com a maior brevidade possível.

Índice

Guia mestre: criar aplique em cartolina com SewWhat-Pro & ScanNCut (workflow PES → SVG)

Para quem borda à máquina, ligar o mundo dos ficheiros de bordado (PES) ao mundo das máquinas de corte (SVG) pode parecer “duas línguas diferentes”. Mas dominar este fluxo de trabalho abre uma competência muito útil: bordado em papel/cartolina.

Neste guia, desmonta-se um tutorial de um ornamento de abóbora em aplique. Aqui não se trata apenas de converter ficheiros — trata-se de montar um processo repetível. Em cartolina, a margem de erro é mínima: o papel não estica como algodão; perfura. Se o alinhamento falhar por 1 mm, o ponto acetinado pode não cobrir a aresta e fica um “halo” branco.

Se o objectivo é evoluir na colocação de bastidor para máquina de bordar — especialmente em materiais não têxteis como cartolina (ou materiais rígidos semelhantes) — este projecto é um excelente treino: obriga a acertar estabilização, técnica de “flutuação” e cobertura de aresta.

SewWhat-Pro software interface showing the pumpkin design file loaded.
Software setup

O que vai aprender (e como evitar “perfuração do papel”)

No final, será capaz de:

  1. Isolar e exportar: usar o SewWhat-Pro (SWP) para extrair a linha de recorte (die line) de um ficheiro PES e convertê-la num SVG preciso.
  2. Ajustar a inflação: perceber porque “cortar exactamente em cima da linha” falha no bordado e como definir a margem (Inflation Factor).
  3. Flutuar com controlo: fixar cartolina sobre estabilizador rasgável sem métodos que estraguem a peça.
  4. Diagnosticar rápido: detectar lâmina gasta e falhas de cobertura antes de comprometer uma série.

Os três “assassinos do projecto” que vamos neutralizar:

  1. O “halo branco”: a aresta crua da cartolina aparece porque o SVG não foi inflacionado o suficiente.
  2. O “rasgão por perfuração”: a cartolina começa a abrir porque a agulha perfura demasiado junto/forte.
  3. A “cicatriz da fita”: a superfície fica marcada/rasgada ao remover a fita de fixação.

Parte 1: Preparação digital — o “segredo” no SewWhat-Pro

O sucesso deste trabalho decide-se mais no software do que na máquina. A ideia é extrair a “forma” do aplique e torná-la ligeiramente maior do que a linha de costura.

Passo 1: isolar a die line do aplique

No SewWhat-Pro, abra o desenho. Normalmente existem várias paragens de cor. É necessário identificar a linha de posicionamento/die line do aplique — muitas vezes a primeira paragem de cor num aplique, um ponto corrido simples que serve para marcar onde a peça deve assentar.

The Applique Cutter dialog box in SewWhat-Pro showing the Inflation Factor setting.
Configuring cut settings

Acção: clique na paragem de cor correspondente ao contorno. Verificação visual: no ecrã deve ficar visível apenas o contorno da abóbora. Se estiverem seleccionados olhos, boca, texto ou a borda acetinada, pare: está a exportar informação a mais.

Passo 2: passo crítico — definir o Inflation Factor

Clique no ícone Appliqué Cutter (parece uma lâmina/cortador). Escolha SVG como formato de exportação e procure Inflation Factor.

  • Definição no vídeo: 1.05
  • Na prática: pode ser necessário testar valores diferentes consoante o desenho e o comportamento do ponto (o próprio vídeo sugere “brincar” com os números).

Porque isto importa (mecânica do bordado): Os pontos tendem a “puxar” para dentro e a cartolina é rígida — não assenta/cede como um tecido. Se cortar exactamente ao tamanho da linha, o ponto acetinado pode falhar a aresta em alguns pontos e fica uma folga branca. A “inflação” cria uma pequena sobreposição para o ponto morder sobre a cartolina, e não apenas à volta.

Checkpoint: confirme que a inflação está activa e definida pelo menos em 1.05. Indicador de sucesso: o SVG exportado deve ficar (mesmo que de forma subtil) maior do que a die line original.

Aviso: segurança e desgaste
Projectos em papel/cartolina desgastam agulhas mais depressa do que tecido. Uma agulha gasta rasga em vez de perfurar limpo, aumentando o risco de fissuras. Recomenda-se começar com agulha em bom estado e, se notar “estalos”, furos irregulares ou rasgões, parar e substituir.


Parte 2: O corte — gerir a ScanNCut

Com o ficheiro pronto, é hora de produzir as peças físicas. O vídeo mostra um hábito muito útil: redundância.

Passo 3: transferir e fazer uma verificação rápida

Guarde o SVG numa pen USB (ou transfira por outro método compatível com a sua ScanNCut).

Verificação de 10 segundos (antes de sair do computador):

  1. O ficheiro está mesmo na unidade?
  2. É o ...svg (e não o ...pes)?
  3. Ejecte a unidade de forma segura para reduzir risco de corrupção.

Passo 4: estratégia de layout na ScanNCut

No ecrã da ScanNCut:

  1. Recupere os dados.
  2. Duplique a forma: no vídeo, corta-se uma frente e uma traseira.
  3. Teste de corte: adicione uma forma pequena (ex.: um círculo) numa zona livre para validar a lâmina/pressão antes de “apostar” na peça principal.
Close up of the Brother ScanNCut LCD screen.
Machine setup

Porque duplicar? Em cartolina, o verso (lado da bobina) pode ficar visualmente “sujo”. Ter uma segunda peça permite tapar o verso (por exemplo, colando uma traseira) e valorizar o acabamento.

Passo 5: corte e diagnóstico de lâmina

Carregue o tapete com a cartolina e execute o corte.

Loading the cutting mat with orange cardstock into the ScanNCut.
Loading material

Ponto de falha (no vídeo): ao levantar a cartolina, percebe-se que não cortou totalmente — típico de lâmina gasta ou definição inadequada.

Peeling the cardstock off the mat, revealing the cut didn't go fully through.
Material removal

Resolução prática (conforme o vídeo):

  • Se o corte ficar incompleto, pode terminar com tesoura para salvar a peça.
  • Para evitar repetição, considere substituir a lâmina quando começar a “falhar a meio” e a deixar arestas fibrosas.

Parte 3: Montagem no bastidor e preparação — onde se ganha (ou perde) qualidade

Esta é a secção mais crítica. O tecido perdoa; a cartolina não. Se o estabilizador estiver frouxo, a peça desliza. Se a fita for agressiva, estraga a superfície.

Preparação: checklist de consumíveis (antes de começar)

  • Agulha em bom estado: papel exige perfuração limpa.
  • Linha da bobina (linha inferior): se não for usar traseira, convém pensar na cor; com traseira, é menos crítico.
  • Estabilizador (entretela) de bordado rasgável: gramagem média.
  • Fita de pintor (azul/verde): no vídeo, recomenda-se em vez de fita cola forte, para reduzir risco de arrancar a camada superficial.
  • Escova/limpeza: a cartolina cria pó/“confettis” — convém limpar a zona da bobina no fim.

Passo 6: método “flutuante” (floating)

Não se deve prender cartolina como tecido — vinca e marca. Usa-se a técnica de “flutuar” a peça por cima do estabilizador.

  1. Bastidor só com estabilizador: coloque apenas o estabilizador rasgável no bastidor.
  2. Verificação (teste do tambor): ao tocar, deve sentir-se firme. Estabilizador frouxo = micro-deslizamento = falhas de cobertura.
  3. Posicionamento: centre a abóbora de cartolina sobre o estabilizador.
  4. Fixação: use tiras de fita de pintor nas margens.
Showing the finished felt prototype vs the current cardstock project.
Comparison
Taping gingham ribbon strips to the back of the pumpkin cutout.
Assembly

Atrito comum: fita vs. superfície No vídeo, a fita cola “normal” agarra demasiado e a remoção danifica a cartolina. Solução prática: preferir fita de pintor; se tiver de usar outra fita, teste primeiro num recorte e remova devagar, puxando a fita para trás (em ângulo baixo) para reduzir a agressividade.

Placing the cardstock applique piece onto the hooped stabilizer on the embroidery machine.
Placement

“Upgrade” de ferramenta: quando deixar de usar fita

A fita funciona para 1–2 peças. Numa série maior, torna-se lenta e arriscada (cada remoção pode estragar a superfície).

Opção profissional (quando faz sentido): É aqui que um sistema magnético pode ajudar. Termos como bastidores de bordado magnéticos para Brother aparecem muito porque reduzem a dependência de adesivos em materiais rígidos.

  • Cenário: várias peças de cartolina para bordar.
  • Problema: alinhar e fixar com fita é demorado e pode deixar marcas/resíduos.
  • Alternativa: um bastidor de bordado magnético para brother pode permitir segurar a cartolina e o estabilizador por pressão magnética, minimizando o “micro-deslizamento”, sem colar fita na superfície.

Aviso: segurança com ímanes
Bastidores magnéticos usam ímanes fortes e podem entalar dedos. Manter afastado de pacemakers, cartões e relógios mecânicos. Ao manusear, é mais seguro deslizar os ímanes para os soltar, em vez de puxar a direito.

Se a dificuldade estiver em manter tudo esquadrado durante a fixação, algumas pessoas recorrem a uma estação de colocação de bastidores para máquina de bordar; no entanto, para cartolina “flutuante”, o maior impacto costuma estar no método de fixação (fita adequada ou solução magnética).

Checklist (não avançar sem confirmar)

  • [ ] Tensão do estabilizador: passou o teste do tambor.
  • [ ] Agulha: em bom estado (sem sinais de desgaste).
  • [ ] Zona da bobina: limpa, sem resíduos anteriores.
  • [ ] Ficheiro correcto: importou o SVG com inflação (não a die line “a seco”).
  • [ ] Segurança da fita: testada num recorte para garantir remoção limpa.

Parte 4: Produção — bordar sem sustos

Agora entra a máquina. Em aplique, a sequência típica é: marcação/posicionamento → fixação (tackdown) → acabamento (acetinado).

Passo 7: gerir “pernas”/fitas e acessórios

Se o ornamento tiver laço ou fitas pendentes, prepare-as agora. Regra (como no vídeo): fixe as fitas no verso da peça da frente, para ficarem “sanduichadas” no interior.

Applying tape to hold the cardstock in place on the stabilizer.
Securing material

Verificação de segurança: garanta que as pontas soltas ficam bem afastadas da área de bordado. Uma fita apanhada pelo calcador pode arrastar a peça e estragar o alinhamento.

Passo 8: tackdown e ponto acetinado

Execute o tackdown — é ele que prende a cartolina ao estabilizador.

The embroidery machine stitching the tack down line around the cardstock.
Embroidery process

Monitorização: um som ritmado é normal. Se notar esforço excessivo (especialmente sobre zonas com fita e várias camadas), pare e verifique se não há material a prender no percurso da agulha.

Depois, execute a borda em ponto acetinado.

Machine executing the satin stitch border on the paper.
Embroidery process

Verificação visual: confirme se o ponto está a “abraçar” a aresta. Com inflação 1.05, deverá cobrir melhor; no vídeo, a autora refere que 1.05 pode ter ficado ligeiramente curto e que, numa próxima vez, aumentaria.

Passo 9: retirar do bastidor e revelar

No fim, retire o bastidor.

Holding up the finished hooped design showing the 'Boo' text.
Result reveal

O verso pode ficar pouco apresentável (linha da bobina e fibras do estabilizador). Por isso se cortou uma segunda forma: para colar atrás e tapar o verso. Em alternativa, pode usar feltro.

Preparing to attach the backing material (felt) to cover the bobbin thread.
Finishing

Remoção do estabilizador: rasgue com cuidado. Técnica: apoie os pontos com o polegar enquanto rasga, para não forçar as perfurações do papel.

Gently tearing away the stabilizer from the stitched cardstock.
Cleaning up
Final showcase of the finished cardstock ornaments.
Conclusion

Checklist de controlo de qualidade (pós-bordado)

  • [ ] Cobertura: sem arestas brancas visíveis (teste do “halo branco”).
  • [ ] Integridade: sem fissuras/rasgões ao longo do acetinado.
  • [ ] Superfície: sem resíduos nem arrancos ao remover a fita.
  • [ ] Limpeza: zona da chapa/lançadeira limpa do pó de papel.

Parte 5: Diagnóstico e lógica do bordado em papel/cartolina

Quando algo corre mal em cartolina, raramente dá para “desmanchar” sem deixar marca. Use esta matriz para diagnosticar rápido.

Matriz de troubleshooting

Sintoma Causa provável “Correção rápida” Prevenção
“Halo branco” (falhas de cobertura) Inflation Factor baixo. Disfarçar com marcador da cor. Aumentar a inflação no SWP (testar valores superiores ao 1.05, se necessário) e garantir estabilizador bem tenso.
Cartolina a rasgar Perfuração excessiva/agulha em mau estado/combinação de camadas. Parar para evitar alastrar o rasgão. Reduzir agressividade do processo (menos fita na zona de costura) e trabalhar com agulha em bom estado; testar primeiro.
Arestas “peludas”/fibrosas Lâmina de corte gasta. Aparar com tesoura fina. Substituir a lâmina e fazer teste de corte antes da peça principal.
Marcas do bastidor Cartolina presa directamente no bastidor. N/A (em papel, tende a ficar marcado). Trabalhar sempre em método “flutuante” (bastidor só com estabilizador).
Fita arranca a superfície Adesivo demasiado forte. N/A (normalmente fica marcado). Usar fita de pintor e testar; em superfícies muito delicadas, considerar um bastidor de bordado sticky hoop para máquina de bordar (testar primeiro).

Árvore de decisão: escolher o método de fixação

Use esta lógica para escolher a forma mais segura de segurar o material:

  • Q1: O material é rígido (cartolina/materiais semelhantes)?
    • Sim: avançar para Q2.
    • Não: usar métodos standard de colocação no bastidor.
  • Q2: A superfície tolera fita adesiva?
    • Sim: usar Flutuar + fita (fita de pintor).
    • Não (papel delicado/metalizado/veludo): não usar fita.
  • Q3: Vai fazer 1 peça ou 100?
    • 1 peça: flutuar + fita é aceitável.
    • 100 peças: uma solução magnética pode tornar o processo mais consistente e reduzir perdas por danos na superfície.

Nota final de eficiência

Para quem produz por encomenda, o bastidor de bordado 4x4 para Brother é um “cavalo de batalha”, mas em materiais rígidos há limitações. Se a luta constante for com alinhamento e remoção de fita, muitas vezes é um gargalo de hardware/processo, não uma falta de técnica.

Profissionais encaram os bastidores de bordado para máquinas de bordar como parte de um sistema: software (inflação), estabilização, método de fixação e repetibilidade. Comece por dominar a inflação no SWP e a técnica de flutuação; quando o volume aumentar, ajuste as ferramentas ao nível de produção.