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Materiais necessários para aplicação em sarja (twill)
Um bom resultado em aplicação decide-se, na maioria das vezes, antes do primeiro ponto — pela forma como se combina tecido, estabilizador, adesivo e método de corte. Quando estes elementos são tratados como um “sistema” (e não como peças soltas), desaparece grande parte dos problemas típicos: ondulação à volta do contorno, arestas com pelo, falhas de cobertura e reposicionamentos.
O que vai produzir: um sweatshirt com uma aplicação em sarja com aspeto profissional que (1) fica bem posicionada, (2) é cortada com elevada precisão, (3) é fixada com um ziguezague de 4 mm que cobre a aresta crua e (4) é estabilizada e “assentada” com prensa térmica.

Materiais principais mostrados no vídeo
- Bastidor magnético: Mighty Hoop 13"x16" (magnético — muito útil em malhas grossas)
- Peça base: sweatshirt Gildan DryBlend (azul-marinho)
- Tecido de aplicação: sarja cinzenta com adesivo (Pressure Sensitive Poly-Twill, Twill USA)
- Estabilizador: cut-away (corte e deixe) 2,5 oz – 3,0 oz
- Adesivo: spray adesivo (tack leve)
- Cortadora: Brother ScanNCut DX (SDX125)
- Software de picagem/digitalização: Hatch 2
- Máquina de bordar: Ricoma multiagulhas
- Acabamento: prensa térmica + folha de Teflon

Porque é que estas escolhas funcionam (lógica prática)
- Cut-away + sweatshirt com pelo interior: Em contornos com muita densidade (ziguezague/satin), o sweatshirt cede. O cut-away segura a malha. Com tear-away (rasgável), o contorno pode deformar após uso/lavagem.
- Montagem no bastidor com bastidor magnético: Bastidores de pressão tradicionais exigem força em malhas grossas e podem deixar marcas do bastidor e/ou esticar o tecido durante a montagem (resultado: ondulação depois de bordar). O bastidor magnético prende sem “puxar e apertar”, por isso um bastidor de bordado magnético é frequentemente associado a produção com menos danos em peças grossas.
- Corte lento: A sarja é tecida. Se a lâmina “arrastar” a alta velocidade, puxa fios e cria arestas com pelo. A velocidade baixa corta mais limpo.
Para quem quer padronizar produção (de 10 para 100 peças), a consistência vem de processos repetíveis. Um dos upgrades mais comuns é passar de bastidores de fricção para um sistema fiável de bastidor de bordado magnético.
Aviso (segurança em primeiro lugar): Bordado e corte são processos mecânicos com agulhas e lâminas.
* Agulhas: Não colocar as mãos na zona da barra de agulhas com a máquina ligada (mesmo em pausa). Usar paragem de emergência/desligar ao enfiar.
* Cortadora: A lâmina da ScanNCut fica exposta durante trocas/ajustes; manusear com cuidado.
Passo 1: Digitalizar a aplicação e o ficheiro de corte no Hatch
Aqui criam-se as “plantas digitais”. São necessários dois ficheiros que encaixem entre si: o ficheiro de bordado (para a máquina) e o ficheiro de corte (para a lâmina).

1) Confirmar o plano de pontos
No Hatch (ou software equivalente), o desenho precisa de duas camadas essenciais:
- Ponto de colocação (amarelo): ponto corrido que marca onde a sarja deve assentar.
- Ponto de fixação/cobertura (azul claro): ziguezague de 4 mm (ou satin equivalente) que prende e cobre a aresta.
Nota prática: 4 mm é um valor muito equilibrado para aplicações deste tipo. Mais estreito pode falhar a aresta; mais largo pode ficar pesado em insígnias pequenas.
2) Criar a linha de corte (a “margem de cobertura”)
O vídeo mostra um detalhe crítico: o offset.
- Selecionar o objeto do ponto de colocação.
- Ir a Create Layouts → Create Outlines.
- Selecionar Object Outline.
- CRÍTICO: definir Outline Offset = 0.70 mm.

Porque 0,70 mm? (para evitar “aberturas” no contorno) A forma da sarja deve ficar ligeiramente maior do que a linha de colocação.
- Offset 0 mm: a sarja termina exatamente onde começa a linha. Se houver vibração ou microdesvio, pode aparecer a cor do sweatshirt junto ao contorno.
- Offset 0,70 mm: a sarja estende-se por baixo do ziguezague, garantindo “mordida” suficiente e cobertura.
3) Limpar geometria interna
Se o logótipo for uma silhueta sólida, normalmente só é necessário cortar o perímetro exterior.
- Ação: desagrupar vetores e apagar linhas internas (furos/detalhes) quando não forem para cortar.

Checkpoint: fazer zoom e confirmar que existe apenas uma linha roxa contínua (contorno de corte) à volta da linha amarela, com uma folga visível entre ambas.
4) Exportar o ficheiro de corte
Usar Export Cutting para guardar como .FCM (Brother) ou .SVG.
Dica de produção: nomear ficheiros aos pares para não trocar tamanhos.
TeamLogo_EMB.dstTeamLogo_CUT.fcm
Passo 2: Cortar sarja na Brother ScanNCut
O objetivo é uma aresta tão limpa que o ziguezague a “fecha” sem esforço. Arestas desfiadas são o inimigo de um contorno perfeito.

1) Carregar o ficheiro
Inserir a pen USB na ScanNCut e abrir o .fcm.
2) Definir as regulações “sem stress”
A sarja tem direção de fio (grão). Se a lâmina atravessar demasiado depressa, pode puxar fios. No vídeo, as regulações são:
- Cut Speed: 1 (o mais lento — ajuda muito em cantos)
- Cut Pressure: -4 (pressão leve — reduz risco de marcar a base)
- Half Cut: OFF (pretende-se cortar tecido, não “kiss cut” de vinil)

3) Preparação da base e execução
Fixar a sarja na base standard (Standard Grip Mat).
- Verificação tátil: passar a mão por cima. Deve estar totalmente plano, sem bolhas. Se levantar com facilidade, a base pode ter pouca aderência — pressionar melhor (rolo/brayer) ou prender cantos.

4) Inspeção de “pelo”/desfiado
Depois de cortar, levantar o excedente.

Checkpoint: observar a aresta do recorte.
- OK: aresta nítida.
- NOK: fios soltos/aspeto “peludo”.
- Correção rápida: manter Speed 1 e considerar trocar lâmina. Evitar bordar uma aplicação com aresta desfiada — o ziguezague pode não cobrir de forma uniforme.
Pergunta típica na prática: “Dá para fazer kiss cut em sarja de duas camadas e depois depilar (weeding) a camada de cima?”
O vídeo não demonstra esse cenário (trabalha com corte completo da peça de sarja). Se o objetivo for kiss cut, as regulações e o material (incluindo o tipo de adesivo) podem ter de ser diferentes.
Passo 3: Montagem de um sweatshirt no bastidor com bastidor magnético
Aqui é onde conforto e qualidade se encontram. Sweatshirts grossos são difíceis de montar em bastidores tradicionais (anel interior/anel exterior) sem esticar a malha.
O que se aprende aqui é a mecânica de como usar bastidor de bordado magnético para ganhar velocidade e, sobretudo, neutralidade do tecido (a malha fica relaxada, não esticada).

1) Alinhamento por “dobrar e vincar”
Para encontrar o centro sem complicar:
- Dobrar o sweatshirt ao meio na vertical.
- Vincar bem para criar uma linha de centro visível.
- Marcar a linha com giz ou caneta de marcação temporária.
2) Definir a altura (regra dos 3,5 dedos)
No vídeo, a altura é definida de forma manual:
- Medir a partir da zona da gola para baixo com cerca de 3,5 dedos.
- Marcar aí o ponto/linha de referência no centro.
3) O “snap” magnético
O vídeo usa um Mighty Hoop.
- Colocar a parte inferior do bastidor por dentro da peça.
- Colocar o estabilizador cut-away totalmente por baixo da zona do bastidor.
- Verificação de orientação: garantir que o entalhe/“notch”/etiqueta do bastidor fica virado para baixo/para longe das mangas, para evitar que as mangas se acumulem e fiquem presas na máquina.
- Assentar a parte superior e deixar o bastidor fechar.

Aviso (força magnética elevada): Bastidores magnéticos podem fechar com muita força.
* Risco de entalar: segurar pelas pegas/zonas próprias, não pela borda.
* Segurança médica: manter afastado de pacemakers.
* Eletrónica: manter afastado de telemóveis e pens USB.
Porque reduz ondulação: ao evitar puxar o tecido para “tensionar” no bastidor, a malha fica no seu estado natural. Se o sweatshirt for esticado na montagem, tende a “voltar” depois do bordado, criando rugas.
Caminho de upgrade: se houver dores nos pulsos, muita remarcação ou marcas do bastidor recorrentes, vale a pena pesquisar bastidores de bordado magnéticos para máquinas de bordar.
Passo 4: Bordar na máquina e finalizar com prensa térmica

1) Encaixar o bastidor na máquina
Deslizar os braços do bastidor para o suporte da máquina.
- Verificação auditiva: no vídeo, ouvem-se dois “cliques” ao encaixar. Se não ficar bem travado, o alinhamento pode sair.
2) Traçar e centrar
Usar o painel da máquina para mover o bastidor e alinhar a agulha com a marca de giz.
- Verificação visual: confirmar que as mangas não ficam presas por baixo/atrás antes de iniciar.

3) Sequência de operação (bordado)
O vídeo resume a costura, mas a sequência operacional é esta:
- Cor 1 (colocação): a máquina cose o contorno de colocação no sweatshirt.
- PARAR: pausa para aplicar a sarja.
- Aplicar adesivo: pulverizar ligeiramente o verso da sarja com spray adesivo (longe da máquina para não sujar mecanismos).
- Colocar a sarja: posicionar a peça cortada dentro das linhas.
- Checkpoint: a sarja deve cobrir a linha de colocação em toda a volta (é aqui que o offset de 0,70 mm ajuda).
- Cor 2 (fixação): coser o ziguezague de 4 mm para prender a aresta.
4) Finalização na prensa térmica
No vídeo, a sarja tem adesivo que é ativado com calor.
- Regulação mostrada: 340ºF.
- Tempo: 20 segundos.
- Proteção: usar folha de Teflon por cima.

Porque bordar e prensar? Na prática, surge muitas vezes a dúvida se dá para “só prensar”. O próprio autor esclarece que a sarja com adesivo sensível à pressão não é permanente por si só — é pensada para ser cosida; a prensa ajuda a ativar/assentar a cola e a estabilizar, mas a fixação mecânica vem do ponto.
Preparação
A fase de preparação é o seguro contra peças estragadas.
Ao explorar fluxos de colocação de bastidor para máquina de bordar, convém lembrar: muitos erros (desenho torto, agulhas partidas, mangas apanhadas) vêm de preparação insuficiente.
Consumíveis “escondidos” (não começar sem isto)
- Agulhas ballpoint (75/11): em malhas, ajudam a reduzir danos na fibra.
- Rolo tira-pelos: sweatshirts largam pelo; limpar a zona ajuda a manter a área da bobina mais limpa.
- Tesoura de aplicação (duckbill): útil para aparar um fio solto se o corte não ficar perfeito.
- Óleo de máquina: densidades mais altas podem evidenciar falta de lubrificação (seguir o manual da máquina).
Árvore de decisão: estratégia de estabilizador
- Cenário A: sweatshirt/hoodie pesado
- Estabilizador: cut-away 2,5 oz.
- Bastidor: magnético (preferencial) ou tubular.
- Cenário B: t-shirt fina (jersey)
- Estabilizador: polymesh + topper solúvel.
- Bastidor: magnético ou standard.
- Cenário C: costas de casaco (lona/denim)
- Estabilizador: tear-away pode ser aceitável; cut-away é mais robusto.
Checklist de preparação
- [ ] Agulha: nova e direita.
- [ ] Bobina: linha suficiente para um contorno denso.
- [ ] Offset: confirmar 0,70 mm no Hatch.
- [ ] Teste de lâmina: fazer um corte pequeno em sobra para validar pressão na ScanNCut.
Configuração
Configuração é repetibilidade.
Se estiver a avaliar bastidores de bordado ricoma, confirmar sempre a compatibilidade do suporte/braços com o tipo de bastidor.
Configuração da máquina e da cortadora
- ScanNCut: Speed 1 | Pressure -4 | Half Cut OFF.
- Velocidade de bordado: trabalhar a velocidade moderada em contornos largos ajuda a estabilidade (o vídeo não fixa SPM).
- Tensão: manter uma tensão equilibrada e consistente; se houver quebras no ziguezague, rever tensão e limpeza (especialmente se usar spray adesivo).
Checklist de configuração
- [ ] Marcas de referência: centro marcado na peça.
- [ ] Folga do bastidor: confirmar espaço para o volume do sweatshirt se movimentar.
- [ ] Correspondência: a peça de sarja cortada corresponde ao contorno do ficheiro.
Operação
A fase de execução.
Um bastidor de bordado mighty hoop para ricoma (ou equivalente) pode acelerar a montagem, mas os controlos de qualidade continuam a ser essenciais.
Execução passo a passo
- Cortar: executar o corte na ScanNCut e inspecionar as arestas.
- Montar no bastidor: colocar parte inferior dentro da peça, estabilizador, alinhar e fechar.
- Montar na máquina: encaixar no suporte.
- Traçar/centrar: confirmar alinhamento.
- Bordado 1: linha de colocação.
- Pausa e colocação: spray na sarja; posicionar dentro das linhas e pressionar com os dedos.
- Bordado 2: ziguezague de fixação; observar se a agulha apanha a aresta.
- Desmontar e limpar: retirar estabilizador em excesso no interior (sem puxar o bordado).
- Prensar: finalizar na prensa.
Checklist de operação
- [ ] Cobertura: a sarja cobre totalmente a linha de colocação.
- [ ] Segurança das mangas: mangas controladas e fora da zona do bastidor.
- [ ] Som/ritmo: costura regular; ruídos anómalos podem indicar agulha gasta ou interferência.
Controlos de qualidade
Inspeção de nível comercial:
- Integridade do contorno: ao afastar ligeiramente o tecido, não deve aparecer a linha de colocação.
- Toque da aresta: não deve estar áspera nem com fios soltos.
- Marcas do bastidor: se houver brilho/anel, considerar vapor e rever método de montagem (bastidor magnético ajuda a reduzir).
Resolução de problemas
| Sintoma | Causa provável (baixo custo -> alto custo) | Solução |
|---|---|---|
| Arestas com pelo/desfiadas | 1. Velocidade de corte alta.<br>2. Lâmina gasta. | Manter Speed 1. Trocar lâmina. |
| Falhas de cobertura (a sarja não chega ao contorno) | 1. Sarja mal colocada.<br>2. Offset errado na digitalização. | Confirmar 0,70 mm no Hatch. Reposicionar e usar tack leve suficiente. |
| Ondulação/rugas à volta do contorno | 1. Tecido esticado na montagem no bastidor.<br>2. Estabilizador insuficiente. | Não puxar a malha; deixar assentar natural. Usar cut-away. |
| Quebras de linha no ziguezague | 1. Agulha com cola/spray.<br>2. Tensão demasiado apertada.<br>3. Resíduos/lint. | Limpar agulha (com cuidado) e reduzir ligeiramente tensão. Limpar zona da bobina. |
| Mangas cosidas ao corpo | 1. Falta de controlo das mangas antes de iniciar. | Prender mangas com molas/fita e confirmar antes de arrancar. |
Resultados
Este fluxo transforma um sweatshirt “normal” numa peça personalizada de maior valor, combinando digitalização com offset de 0,70 mm, corte lento (Speed 1) e montagem neutra no bastidor (bastidor magnético) para obter consistência.
Se o tempo estiver a ser consumido a corrigir marcas do bastidor, a re-montar peças tortas ou a refazer cortes, faz sentido reavaliar ferramentas e processo. Padronizar com bastidores de bordado magnéticos para máquinas de bordar é um caminho comum em produção de malhas grossas.
Dominar o sistema e manter checkpoints em cada fase é o que sustenta resultados repetíveis em oficina.
