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What Causes Gaps (Pinching) in Embroidery? A Master Class in Stabilization & Digitizing

Já aconteceu a todos: a máquina está a bordar “perfeito” há 20 minutos e, no fim, aparece uma falha branca bem visível entre o enchimento e o contorno. Isto é o chamado “pinch” (muitas vezes referido como gapping ou perda de alinhamento).
A verdade que faz a diferença entre iniciante e profissional é simples: o bordado é uma luta física contra a deformação do tecido.
Um “pinch” acontece quando duas áreas de enchimento que deveriam encostar visualmente acabam por se separar. No exemplo do vídeo (o desenho do pijama), o enchimento azul empurra o tecido numa direcção; a secção seguinte empurra de volta. Como o tecido não tem onde relaxar, cria uma “crista”, desloca-se e deixa uma abertura visível.
O ponto-chave para manter a calma: o defeito é físico. Não significa, necessariamente, que “a máquina está avariada”. E embora a causa raiz seja o movimento do tecido, é possível corrigir no software ao criar uma fundação melhor (base/underlay) e um percurso de pontos mais limpo.

O que vai aprender neste passo a passo
A ideia é sair do “clicar sem pensar” e perceber a física por trás das definições. Vai reconstruir o ficheiro como se faz em contexto profissional:
- Diagnóstico da direcção de força: usar o Slow Redraw para ver onde ocorre o “empurrão”.
- Engenharia de estabilidade: criar uma camada manual de estabilidade com um objecto Complex Fill.
- Protecção de elementos internos: excluir formas internas (como o carro) definindo um “buraco”.
- Controlo da física: ajustar ângulo, densidade e tipo de aresta da base.
- Sequenciação correcta: a fundação cose antes da “casa”.
- Evitar auto-sabotagem: mover início/fim para a base não criar o seu próprio “pinch”.
- Acabamento final: compensação de puxo absoluta e contorno mais espesso para margem de segurança.
Porque é que a base automática falha tantas vezes

O instrutor descreve um cenário muito comum: no preview 3D o desenho parece impecável, mas no tecido sai um desastre. Isto acontece frequentemente em ficheiros vindos de auto-digitização ou de conversões entre formatos.
No vídeo aparecem duas falhas estruturais típicas:
- Micro-vazios: conversões automáticas deixam pequenas aberturas junto aos contornos que um digitizador, à mão, normalmente sobreporia.
- Objectos fragmentados: o ficheiro fica dividido em dezenas de pequenos objectos (tipo satin/tatami) em vez de um enchimento limpo e contínuo. No Floriani, isto limita a criação de uma base “a sério”: pode activar base, mas ela fica presa a fragmentos — não dá suporte ao conjunto.
Contexto técnico: a teoria da “massa” (push–pull)
Mesmo com uma boa montagem no bastidor, imagine o tecido como massa de pão:
- Pull (puxo): a agulha perfura e a linha, ao apertar, puxa o tecido na direcção do ponto.
- Push (empurrão): ao compactar linha no tecido, o material expande e empurra perpendicularmente ao sentido do ponto.
Se estiver apenas a depender de técnicas básicas de colocação de bastidor para máquina de bordar (tecido “bem esticado”), pode estar a criar tensão que depois “devolve” o tecido. Em malhas delicadas (como pijamas), esticar em excesso distorce o fio do tecido antes de bordar. Quando a agulha perfura e o tecido relaxa, o desenho desloca-se.
Passo 1: Criar uma camada de estabilidade com Complex Fill

Preparação: consumíveis “escondidos” e verificações antes de mexer no ficheiro
Antes de editar o ficheiro, convém eliminar variáveis físicas. Estas correcções são muitas vezes “pequenas alterações, grande impacto visual”, por isso o teste deve ser o mais controlado possível.
Consumíveis e preparação (verificações rápidas):
- Estado da agulha (teste táctil): passe a unha pela ponta. Se sentir “agarro”/rebarba, a agulha está danificada e empurra o tecido de forma agressiva. Substituir.
- Limpeza da caixa da bobina: remova cotão. Um pequeno fio de cotão altera a tensão e muda o comportamento do puxo.
- Correspondência de material: não teste um desenho pensado para malha de pijama numa ganga rígida. A física não é comparável.
Em produção (50+ peças), a variação entre operadores é crítica: um monta no bastidor mais “apertado”, outro mais “solto”. Uma estação de colocação de bastidores hoop master ajuda a normalizar tensão e posicionamento, garantindo que, quando corrige a digitização, a correcção se mantém consistente em todas as peças.
Checklist (Preparação)
- [ ] Segurança do ficheiro: guardar uma cópia do original (ex.:
Design_v2_FIX.emb). - [ ] Material igual ao teste falhado: mesmo tecido + mesma combinação de estabilizador.
- [ ] Verificação de hardware: agulha nova (ponta bola para malhas, ponta aguda para tecidos planos).
- [ ] Verificação de tensão: ao puxar a linha superior, deve sentir resistência suave e contínua — não “aos solavancos”.
- [ ] Bobina: bobina com linha suficiente para concluir o teste.
1) Diagnosticar o defeito com Slow Redraw
Use o “Slow Redraw” (ou simulador). Não é só “ver a animação”: é analisar onde está o push. No vídeo, o enchimento progride da direita para a esquerda e depois regressa; quando esse movimento colide com uma zona já bordada, cria-se uma crista e aparece a falha.

Checkpoint: deve conseguir apontar no ecrã o momento exacto em que a linha temporal corresponde à falha que vê no tecido.
2) Adicionar uma nova cor para a camada de reparação
O instrutor adiciona uma cor separada (Laranja).
- Porquê: não é só para “ver melhor”. Ao separar por cor, fica mais fácil isolar o objecto na Sequence View e garantir que essa camada corre no momento certo.

3) Criar um “traço” rápido com ponto corrido
Com a ferramenta Run, marque manualmente um contorno à volta dos limites do desenho.

Nota prática: isto serve dois objectivos.
- Limite visual: dá um “mapa” do perímetro onde a base deve ficar.
- Fixação inicial: em produção, este ponto corrido funciona como alinhavo (basting), ajudando a prender tecido ao estabilizador antes do enchimento mais pesado.
Métrica de sucesso: o contorno em ponto corrido fica estritamente dentro do limite pretendido do desenho.
4) Digitalizar um objecto Complex Fill para servir de base
Mude para a ferramenta Complex Fill. Desenhe uma forma dentro do contorno preto. Não é preciso ficar perfeito na aresta — isto é fundação, não é acabamento.

Métrica de sucesso: uma única forma sólida que cobre a zona azul problemática. A ideia é substituir “mosaicos fragmentados” da conversão por uma “laje” de suporte.
5) Definir “buracos” para elementos internos
No vídeo, o instrutor carrega em H para definir um “buraco” à volta do carro.

Lógica crítica: se colocar uma base pesada por baixo de um elemento interno denso (como o carro) que fica por cima do enchimento, cria excesso de rigidez e espessura. Isso pode aumentar a deflexão da agulha (agulhas partidas) e deixar o bordado irregular. Sempre que fizer sentido, deixe vazio por baixo de elementos internos densos.
Passo 2: Corrigir ângulos e densidade

Agora a forma laranja deixa de ser “um enchimento qualquer” e passa a ser uma camada de estabilidade.
1) Definir o ângulo da base perpendicular (90°)
O instrutor usa a Shape tool para rodar o ângulo do ponto para cerca de 90° em relação ao enchimento superior.

O porquê (engenharia estrutural):
- Se o enchimento superior corre na Horizontal (esquerda-direita), tende a puxar/empurrar o tecido nesse eixo.
- Se a base também correr na Horizontal, amplifica o efeito.
- Ao colocar a base na Vertical (cima-baixo), cria um efeito de “contraplacado” (fibras cruzadas): a base resiste ao puxo da camada superior.
Regra prática: se o ponto superior estiver a 45°, faça a base a 135°. O objectivo é cruzar.
2) Reduzir a densidade (zona “nem demais, nem de menos”)
No vídeo, a densidade do enchimento da base é aberta de forma significativa.

Referências do próprio fluxo do vídeo:
- Objectivo de densidade para base: 1,5 mm – 2,0 mm.
- Demasiado denso: endurece e pode aumentar franzido/ondulação.
- Demasiado aberto: o tecido pode “bolsar” entre linhas.
Checkpoint: no ecrã deve parecer uma grelha/mesh, não uma parede sólida.
3) Mudar o tipo de aresta para Square
O instrutor altera a aresta do enchimento de Chiseled para Square.

Porquê: para base estrutural, interessa uma aresta mais definida a suportar o perímetro.
Contexto comercial: se estiver sempre a lutar com distorção nas bordas em artigos macios (hoodies, pijamas), pode estar a agravar o problema com marcas do bastidor e tensão excessiva de bastidores tradicionais. É uma razão comum para passar para bastidores de bordado magnéticos, que seguram sem “esticar e apertar” de forma agressiva.
Passo 3: Reordenar a sequência para controlar o tecido

1) Colocar a base a coser primeiro
Objectos novos costumam entrar no fim do ficheiro. Na Sequence View, arraste a camada laranja (base) para a Posição 1.
Verificação visual: no simulador, a grelha laranja deve coser antes de qualquer outro elemento.
2) Mover início/fim para evitar “lavrar” o tecido
Este é um detalhe de nível avançado: ao fazer Slow Redraw, o instrutor vê que a própria base estava a empurrar tecido do centro para fora.
Correcção: mover Start (Verde) e Stop (Vermelho) para extremidades opostas da forma (por exemplo, de baixo para cima).
Lógica: em vez de empurrar uma “onda” de tecido à frente da agulha, pretende-se que a máquina “pinte” a base progressivamente de um ponto de ancoragem para o outro.
Árvore de decisão: correcção no software vs. correcção na montagem no bastidor
Não vale a pena perder horas a digitizar se o problema for mecânico.
- A falha aparece em tecido estável (ganga/lona)?
- Sim: é muito provável ser digitização. Siga os passos acima.
- A falha só aparece em tecido instável (jersey/piqué)?
- Sim: é provavelmente estabilização. Use estabilizador de recorte (cutaway) e, se fizer sentido no seu processo, considere adesivo temporário.
- Existem anéis brilhantes/marcas do bastidor à volta do desenho?
- Sim: a montagem no bastidor está demasiado agressiva; o tecido foi esticado e depois “volta”.
- Solução: experimentar “floating” (flutuar o tecido) ou usar bastidores de bordado magnéticos para reduzir pressão de aperto mantendo boa fixação.
Acabamentos finais: compensação de puxo e espessura do contorno
1) Aplicar compensação de puxo absoluta (0,3 mm)
O instrutor aplica 0,3 mm de compensação de puxo absoluta à base.
Absoluta vs. percentagem:
- Percentagem: varia com o tamanho do objecto.
- Absoluta: adiciona um valor fixo (ex.: 0,3 mm) nas arestas.
- Recomendação do fluxo mostrado: para fechar falhas, usar Absoluta.
Atenção: exagerar (por exemplo, acima de 0,6 mm) pode “engordar” e deformar o desenho.
2) Aumentar a largura do contorno (margem de segurança)
Por fim, seleccione o contorno preto e aumente a largura/espessura para 125%.
Porquê: não é “batota”; é engenharia. Um contorno ligeiramente mais espesso ajuda a cobrir micro-falhas residuais e dá tolerância de alinhamento.
Configuração (como fazer um teste de bordado fiável)
A correcção no ficheiro só vale o que vale o teste.
Parâmetros recomendados para testar:
- Velocidade: reduza. Se a máquina faz 1000 pontos/min (SPM), teste a 600–700 SPM. Velocidade alta aumenta distorção.
- Estabilizador: em malhas, use cutaway no teste. Tearaway não dá suporte permanente suficiente para evitar falhas.
Se estiver a perder 15 minutos a montar cada peça no bastidor para testar, está a perder margem. Uma estação de colocação de bastidores hoopmaster é uma forma comum de garantir que a Peça #1 e a Peça #50 têm a mesma tensão e posicionamento.
Checklist (Configuração)
- [ ] Tecido: igual ao do erro (não testar um desenho de T-shirt em feltro).
- [ ] Velocidade: máquina limitada a 600–700 SPM.
- [ ] Percurso da linha: sem enredos; cone estável.
- [ ] Montagem no bastidor: tensão “pele de tambor”, firme mas sem distorcer.
Operação (recapitulação passo a passo no Floriani)
- Diagnóstico: Slow Redraw para identificar a direcção do “push”.
- Ordem/visibilidade: adicionar uma nova camada de cor.
- Traço: Run tool à volta do perímetro (dentro dos limites).
- Base: Complex Fill para cobrir a zona da falha.
- Exclusão: tecla 'H' para criar buracos em elementos internos (carro).
- Física: Shape tool -> rodar ângulo ~90° face ao enchimento superior.
- Estrutura: Properties -> densidade para 1,5 mm – 2,0 mm.
- Aresta: Properties -> Edge Type para Square.
- Sequência: mover a base para a Posição 1.
- Fluxo: Shape tool -> início/fim em extremidades opostas.
- Sobreposição: compensação de puxo absoluta (0,3 mm).
- Margem: aumentar espessura do contorno (125%).
Checklist (Operação)
- [ ] Direcção: a base está perpendicular (cruzada) ao enchimento superior?
- [ ] Densidade: a base está aberta (tipo grelha) e não sólida?
- [ ] Ordem: a camada laranja cose primeiro?
- [ ] Fluxo: a base cose de forma contínua (ex.: de baixo para cima) sem “lavrar”?
- [ ] Cobertura: a zona da falha fica totalmente coberta pela nova forma?
- [ ] Contorno: o contorno está espesso o suficiente para cobrir pequenas variações?
Controlo de qualidade (como deve ficar)
Antes de iniciar, faça uma última verificação no simulador:
- Sem cristas: a base deve assentar plana.
- Sem saída fora do contorno: a base não deve ultrapassar o limite do contorno preto.
- Percurso limpo: sem saltos erráticos entre áreas.
Em contexto comercial, consistência é tudo. Muitos ateliers adoptam fluxos com estação de colocação de bastidores magnética não só por velocidade, mas porque reduzem a variável “mão do operador” — cada peça é fixada com força constante, ajudando a reduzir problemas de alinhamento.
Resolução de problemas
Sintoma: as falhas continuam, mas menores
- Causa provável: compensação de puxo insuficiente.
- Ajuste rápido: aumentar a compensação absoluta de 0,3 mm para 0,4 mm.
- Ajuste de processo: usar topping hidrossolúvel pode ajudar a manter o ponto mais “alto” em malhas.
Sintoma: a base fica visível fora do contorno
- Causa provável: compensação demasiado alta ou contorno demasiado fino.
- Ajuste rápido: reduzir a compensação para 0,2 mm OU puxar manualmente os nós da base ligeiramente para dentro.
Sintoma: “ninho de pássaro” (bola de linha por baixo)
- Causa provável: não segurou a ponta da linha no arranque ou a tensão está incorrecta.
- Ajuste rápido: segurar sempre a linha superior nos primeiros 3–5 pontos. Confirmar que o calcador está realmente em baixo (os discos de tensão só actuam com o calcador descido).
Sintoma: o contorno não “agarra” (perda de alinhamento)
- Causa provável: o tecido está a escorregar no bastidor.
- Solução: aplicar fita de encadernação no anel interior para aumentar fricção, ou passar para bastidor magnético para melhor aderência.
Resultados e upgrades para produção
Depois destas alterações, o ficheiro deve segurar melhor o tecido através de estrutura (base + percurso) em vez de “força bruta”.
Se estas situações forem recorrentes, vale a pena rever o conjunto de ferramentas:
- Montagem no bastidor inconsistente? Um gabarito/fixture tipo hoopmaster ajuda a normalizar alinhamento e tensão.
- Marcas do bastidor / “pinch” por aperto? Bastidores magnéticos são uma solução comum para tecidos delicados.
- Demasiado tempo parado? Se estiver sempre a parar para trocar linhas manualmente, uma plataforma multiagulhas pode ajudar a manter a produção a andar enquanto prepara a próxima correcção.
O bordado é 50% arte e 50% engenharia. Aqui ficou com a parte da engenharia mais controlada.
