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Master Class: Converter sketches em bordado (o método de “ponto corrido contínuo”)
A digitalização em estilo sketch (muitas vezes chamada “Redwork” ou “Freehand”) engana. No ecrã, parece uma linha simples. Na prática, é um teste implacável de lógica de percurso e de estabilidade no bastidor. Se colocar pontos a mais, obtém um emblema “à prova de bala”; se colocar pontos a menos, o desenho desaparece na trama do tecido.
Como formador na área do bordado, vejo sempre o mesmo erro em quem está a começar: tratar o software como se fosse uma mesa digitalizadora. Mas bordado não é desenho — é engenharia com linha.
Neste guia em estilo “white paper”, vamos desmontar o fluxo de trabalho do “Atlas Sketch”. Não estamos apenas a copiar um vídeo; estamos a estabelecer um processo com mentalidade de produção para criar um único percurso contínuo de ponto corrido que a máquina consegue bordar “num só fôlego” — minimizando cortes, eliminando saltos e melhorando a consistência.

O que estamos a “engenheirar”
- O ponto “num só fôlego”: criar um desenho que corre do início ao fim sem comandos de corte intermédios.
- Controlo de textura: usar retrocesso manual (2–3 passagens) para criar sombra sem acumular densidade excessiva.
- Lógica de bastidor: porque o “desenho manual” exige estabilização específica para evitar o famoso “desvio do contorno”.
Nota sobre ficheiros: a realidade de produção
Hoje vai exportar um ficheiro Tajima .DST. Porquê DST? Na indústria, o DST é uma linguagem universal de coordenadas: diz ao pantógrafo exactamente para onde se mover. Embora máquinas domésticas usem PES ou JEF, compreender DST é a ponte para equipamento profissional multiagulhas (como SEWTECH ou Tajima).
Parte 1: Preparação do “cockpit” (preparação & física)
Antes de tocar no rato, é preciso controlar as variáveis físicas. Os desenhos sketch dependem de ponto corrido (linhas simples). Se o tecido mexer nem que seja 1 mm, a “sombra” falha o contorno e o efeito perde-se.

Consumíveis “escondidos” (que quase ninguém prepara)
Muitos tutoriais saltam isto. Tenha estes itens prontos para que o teste real corresponda ao que vê no software.
- Agulha: para sketch em algodão tecido (como no vídeo), usar 75/11 ponta aguda (Sharp). Evitar ponta bola; aqui interessa perfuração limpa e linha definida. Se estiver a bordar em feltros ou peças espessas, pode ser necessário subir para 90/14 Titanium para reduzir a deflexão da agulha.
- Linha: no vídeo é amarelo sobre preto para máximo contraste.
- Verificação prática: preferir poliéster 40 wt de boa qualidade. Em percursos longos e contínuos, linha fraca tende a aquecer por fricção e pode partir.
- Estabilizador (entretela) de bordado:
- Regra: se o tecido tiver qualquer elasticidade (T-shirt), deve usar cutaway (2.5 oz).
- Motivo: o ponto corrido perfura o tecido como um picotado. Tearaway pode ceder e o desenho distorce.
- Bastidor:
- Ponto de dor: bastidores plásticos tradicionais exigem tensão “tipo tambor”. Em tecido preto, isso deixa frequentemente marcas do bastidor (marcas esbranquiçadas por esmagamento da fibra).
- Solução típica: é por isto que muitos profissionais procuram bastidor de bordado magnético — para segurar bem sem a fricção do anel interior.
Aviso de segurança: velocidade da agulha. Ao testar ponto corrido, a máquina pode acelerar para a velocidade máxima (800–1000 SPM). Manter os dedos a pelo menos 4 inches da barra da agulha. Um desenho de ponto corrido muda de direcção instantaneamente — não “persiga” a linha com pinças com a máquina em andamento.
Checklist de preparação (inspecção “pré-voo”)
- [ ] Estado da agulha: passe a unha na ponta. Se “agarrar”, descarte. Uma agulha com rebarba desfia ponto corrido.
- [ ] Tensão da bobina: puxe a linha da bobina. Deve sentir resistência suave (não solta). Teste de queda: a caixa da bobina deve descer 1–2 inches e parar.
- [ ] Escolha do bastidor: área-alvo 5x7 definida.
- [ ] Contraste: a cor da linha destaca no tecido (amarelo sobre preto).
Parte 2: Configuração do software (Run Tool)
Aqui entramos em “modo manual”. É preciso desactivar funcionalidades “prestáveis” do software, porque atrapalham o objectivo de percurso contínuo.
Passo 1 — Carregar e dimensionar com intenção
Não é para arrastar cantos ao acaso. Aqui introduzem-se valores.
- Load Backdrop: seleccionar a imagem do sketch.
- Properties: clique direito na imagem.
- Valor fixo: definir Height para 7.00 inches.

Porquê 7 inches? Encaixa na margem típica de um bastidor comercial 5x7 (com folga para o calcador).
Passo 2 — Hábitos de navegação
- Pan: manter Spacebar premida.
- Zoom: roda do rato.
- Armadilha de especialista: evitar zoom acima de 300%. Se digitalizar a 800%, vai colocar pontos minúsculos e irregulares, o que pode criar “bird nesting” (ninhos de linha) no avesso.
Passo 3 — Desactivar “Smart Join”
- Seleccionar a Run Tool.
- Ir a Tools Menu > desmarcar Smart Join.


A lógica: o “Smart Join” tenta calcular automaticamente o ponto de ligação mais próximo entre objectos. Como aqui queremos uma linha contínua (como desenhar sem levantar a caneta), precisamos que o software respeite a nossa ordem de cliques — sem reencaminhar o percurso.
Passo 4 — Definir o “ponto ideal” de parâmetros
Configure antes de começar a clicar:
- Comprimento do ponto: 2.5 mm.
- Porquê? 2.0 mm tende a “afundar” no tecido; 3.0 mm+ pode prender em botões/fechos. 2.5 mm é um padrão muito usado para legibilidade.
- Snap to Anchor: activado.
- Função: actua como um íman, “colando” a nova linha exactamente ao ponto final anterior, garantindo continuidade.
Nota para utilizadores Tajima: se estiver a preparar um ficheiro para um bastidor de bordado para tajima, confirme que os pontos de início/fim do desenho ficam bem posicionados em relação ao centro geométrico. Um início/fim bem pensado ajuda a reduzir “creep” (deriva) durante percursos longos.
Parte 3: Técnica “Redwork” (textura através do percurso)
Isto é “pintar com linha”: cria-se densidade voltando a passar por cima.

Passo 5 — Ritmo de percurso
- Clique esquerdo: cria pontos rectos (cantos mais “secos”).
- Enter: confirma o segmento (aparece o ícone de tesoura).
- Snap & continuar: pairar sobre o ponto vermelho final até “agarrar”, e continuar a clicar.
Verificação de “objecto contínuo”: Olhe para a Sequence View. Deve ver um único objecto a crescer. Se aparecer “Run 1, Run 2, Run 3”, falhou o encaixe no anchor. Pare e faça Undo.
Passo 6 — Criar sombra (regra das 3 passagens)
Como escurecer o músculo da perna sem enchimento?
- Acção: avançar no traço. Voltar atrás. Avançar novamente.
- Limite: não exceder 3–4 passagens exactamente na mesma coordenada.
- Consequência: com 5+ passagens de linha 40 wt, a agulha pode desviar-se na “pilha” de linha, causando “bird nest” ou até quebra de agulha.
Passo 7 — A “armadilha do zoom”
O instrutor alerta para o zoom a 700%. Âncora visual: deve conseguir ver o “fluxo” da anatomia. Se a perna ocupa o ecrã todo, está demasiado perto.
- Sintoma: linhas rectas com tremor, como mão nervosa.
- Correcção: voltar para 100–200% e reduzir cliques. Deixe o comprimento do ponto (2.5 mm) trabalhar.
Passo 8 — Pontos rectos vs. curvas
- Clique esquerdo: recto.
- Clique direito: curva.
- Estratégia: usar pontos rectos em 90% do sketch para um aspecto “desenhado à mão”. Reservar curvas (clique direito) para círculos grandes e limpos (como o globo).
Parte 4: Anatomia avançada & detalhe facial
“Desenhar” uma cara com linha é arriscado: pontos a mais e o sujeito parece ter uma nódoa negra.

Passo 9 — Contornos musculares (zig-zag)
Siga a direcção natural do músculo. Use um zig-zag solto para sugerir sombra.
- Chave: não criar um enchimento sólido. Deixe espaço negativo (tecido visível). Esse espaço dá contraste e mantém a peça flexível.

Passo 10 — “Sugerir” a face
Para nariz e olhos:
- Menos é mais: 3 cliques para o perfil do nariz pode resultar melhor do que 20.
- Formas sugeridas: o cérebro completa a imagem.
- Nota de produção: numa estação de colocação de bastidores magnética, os operadores garantem que a peça fica perfeitamente esquadrada. Em traços mínimos (olhos/nariz), se a peça ficar torta nem que seja 2 graus, a “sugestão” do olho parece desalinhada. A montagem no bastidor tem de ser precisa.

Parte 5: A fase de “prova”

Passo 11 — O globo (curvas com clique direito)
Use nós de clique direito para o arco grande do globo.
- Porquê: 3 pontos de curva podem substituir dezenas de pontos rectos. Reduz o tamanho do ficheiro e o esforço de cálculo da máquina.

Passo 12 — Auditoria “num só fôlego”
Antes de exportar, faça uma auditoria digital:
- Número de objectos: a Sequence View deve mostrar 1.
- Contagem de pontos: cerca de 3200 pontos.
- Cortes: idealmente 0 (ou 1 apenas no fim).

Passo 13 — Simulador “Redraw” (Shift + R)
Execute o simulador a 3x.
- Verificação visual: a “agulha” salta pelo ecrã? Se sim, quebrou a continuidade.
- Correcção: localizar o salto, apagar o nó e reencaminhar com uma linha de deslocação (voltar a traçar por cima de pontos existentes para chegar à nova zona).
Checklist final (digital)
- [ ] Escala: Height a 7.00".
- [ ] Percurso: Sequence View com exactamente UM objecto.
- [ ] Densidade: nenhuma zona com >4 passagens sobrepostas.
- [ ] Simulador: corre dos pés à cabeça sem saltos.
- [ ] Ficheiro: guardado como .JDX editável e .DST de máquina.

Parte 6: Teste na máquina & resolução de problemas
Agora passa-se para a máquina. No vídeo, o teste é feito numa Tajima com bastidor magnético.


O problema das marcas do bastidor
No vídeo, o bordado é feito em tecido preto.
- Problema: bastidores standard exigem “forçar” o anel interior no exterior. Em tecido preto, essa fricção esmaga a fibra e pode deixar uma marca esbranquiçada permanente.
- Solução: este é um motivo clássico para actualizar ferramentas. Quem procura bastidor de bordado magnético muitas vezes quer resolver exactamente isto. Bastidores magnéticos prendem por pressão — sem fricção, sem marca.
Aviso: força magnética.
Se optar por ferramentas profissionais como o sistema bastidor de bordado magnético mighty hoop para tajima ou outros bastidores magnéticos, atenção: a força de aperto é industrial (muitas vezes acima de 30 lbs).
* Não colocar os dedos entre as peças.
* Não deixar o bastidor “fechar” de repente.
* Segurança com pacemaker: manter ímanes afastados de implantes médicos.
Resolução de problemas: matriz “Sintoma–Causa–Correcção”
| Sintoma | Verificação rápida | Causa provável | Correcção |
|---|---|---|---|
| Detalhe “empastado”/escuro | Visual: a cara parece uma mancha. | Excesso de digitalização: demasiadas passagens (4+) em zonas pequenas. | Apagar nós. Reduzir sombra para 1–2 passagens no máximo. |
| Falhas de alinhamento | Visual: o contorno não coincide com a sombra. | Deslocação do tecido: o tecido mexeu durante o percurso longo. | 1. Usar estabilizador cutaway.<br>2. Considerar bastidores de bordado magnéticos para tajima para melhor aderência em toda a área. |
| Linha a desfiar/partir | Som: “cliques”/estalos. | Agulha/velocidade: agulha com rebarba OU velocidade >800 SPM. | Trocar agulha (Titanium 75/11). Reduzir para 600 SPM (ponto de equilíbrio). |
| Linhas “tremidas” | Visual: traço serrilhado. | Zoom excessivo: digitalizou demasiado perto (700%). | Apagar a secção serrilhada. Redigitalizar a 150% com menos cliques. |
Árvore de decisão: optimização para produção
Fez uma peça. Agora precisa de fazer 50.
Q1: A montagem no bastidor está a atrasar?
- Sim: está a “lutar” para alinhar o sketch.
- Solução: avaliar um fluxo com uma estação de colocação de bastidores para bordado. Permite preparar a próxima peça enquanto a máquina borda, garantindo colocação consistente (por exemplo, no peito) em série.
Q2: Está a ter marcas do bastidor em artigos delicados?
- Sim: está a perder tempo a vaporizar/recuperar peças após produção.
- Solução: mudar para bastidores de bordado magnéticos para máquinas de bordar tajima (ou marcas compatíveis como SEWTECH). O tempo poupado pode compensar o investimento ao longo de lotes repetidos.
Q3: A velocidade de uma máquina de uma agulha é o gargalo?
- Sim: sketches demoram por exigirem velocidade mais baixa para evitar quebras.
- Solução: este é um sinal para passar de uma doméstica flatbed para uma máquina multiagulhas SEWTECH. O braço tubular e as tensões industriais lidam melhor com ficheiros de ponto corrido contínuo.
Checklist de operação (pós-bordado)
- [ ] Visibilidade: olhos e nariz estão legíveis? (Se não, editar o ficheiro).
- [ ] Estabilidade: contornos alinham com a sombra?
- [ ] Limpeza: existem saltos para cortar? (Objectivo: zero).
- [ ] Arquivo: guardar o .DST final verificado na pen/USB de produção.
Palavra final
A digitalização sketch é o teste máximo do “mínimo eficaz”: dizer o máximo com o mínimo de linha.
Não desanimar se o primeiro teste ficar “fino” ou “sujo”. É normal. Use a matriz Sintoma–Causa–Correcção, ajuste a estratégia de estabilizador e lembre-se: em sketch work, a estabilidade do bastidor é tão importante como a colocação dos pontos.
