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O que é o bordado Redwork?
Redwork é mais do que “linha vermelha em tecido branco”. Do ponto de vista técnico, é arquitectura de linha contínua. Procura imitar o aspeto do bordado à mão usando pontos corridos (run stitch) na máquina, dependendo mais da lógica do percurso (pathing) do que de enchimentos densos. Neste fluxo, aprende-se a transformar um esboço desenhado à mão num contorno limpo e contínuo, que fica visível e consistente — sem o “ninho” de saltos (jump stitches) que costuma aparecer em desenhos de iniciantes.
O conceito central, tal como o Ken demonstra, é a “solidez óptica”. Um único ponto corrido pode desaparecer no pelo/estrutura do tecido. Para o Redwork parecer profissional, é preciso espessura. Isso consegue-se com duas passagens de um ponto corrido simples (retrocesso manual/backtracking) ou com uma passagem de ponto triplo (bean stitch).
Este guia foca-se no método de duas passagens, porque dá mais controlo. Ao contrário do ponto triplo automático — que pode ficar mais “mecânico” — o retrocesso manual permite reforçar curvas específicas e manter um aspeto mais fluido, semelhante ao bordado à mão.
Se já aconteceu um contorno ficar “partido”, fino, ou a máquina estar a cortar linha a toda a hora, o problema muitas vezes não é a tensão: é a lógica do percurso. Aqui, a ideia é pensar como um GPS: construir uma rota contínua para reduzir paragens.

Ferramentas necessárias: tablet, software e bastidores magnéticos
O Ken demonstra este fluxo com o “Design Doodler” num PC, usando uma mesa digitalizadora Huion com caneta (stylus). A arte original foi esboçada rapidamente no Procreate e depois importada.
Na parte de produção, o desenho é bordado numa máquina de bordar multiagulhas com um bastidor de 5,5" x 5,5" magnético. Esta escolha não é por acaso. Em contornos (Redwork), a estabilidade do tecido é inegociável.
Se o tecido deslizar nem que seja 0,5 mm durante um desenho de dupla passagem, a segunda linha já não cai em cima da primeira — cai ao lado, criando um efeito de “visão dupla” e contorno desfocado. É por isso que, em ambiente profissional, se dá tanta importância às ferramentas de fixação.
Porquê investir em ferramentas melhores? Uma dúvida comum é: “Porque é que isto é tão caro?” ou “Porque investir em bastidores premium?”. A resposta está no custo do erro.
- Tempo: Um bastidor de parafuso exige apertos e ajustes manuais; em produção, é fácil perder 2–3 minutos por peça até ficar “no ponto”.
- Qualidade: Bastidores tradicionais podem deixar marcas do bastidor (anéis de fricção/pressão) que depois exigem vapor/tempo para desaparecer.
- Precisão: Bastidores magnéticos prendem de forma rápida e com pressão vertical mais uniforme, ajudando a evitar a distorção típica de “puxar e ceder” (pull-and-sag), sobretudo em malhas.
Se trabalha com equipamento comercial, procurar ferramentas compatíveis como bastidores de bordado magnéticos para máquinas de bordar tajima costuma ser um dos primeiros passos para estabilizar contornos delicados e reduzir retrabalho.

Passo 1: Preparar a área de trabalho e a opacidade
Antes de colocar um único ponto, convém reduzir a “fricção cognitiva”: se for difícil ver as linhas ou se estiver a adivinhar tamanhos, a digitalização vai sofrer.
1) Importar o esboço e escalar dentro do limite do bastidor
O Ken começa por importar o esboço e validar de imediato o desenho face às limitações reais do bastidor. Neste caso, mantém o desenho abaixo de 4x4 inches.
Fluxo de preparação:
- Importar: Usar a opção de importação para ir buscar o esboço à biblioteca.
- Referência visual: Ativar/desativar o “Hoop Overlay” (canto superior direito). É o perímetro de segurança.
- Escalar: Arrastar os cantos até o desenho ficar confortável dentro das margens.
Ponto de controlo: Confirmar visualmente uma folga de cerca de 1/2 inch entre o traço do desenho e a borda do bastidor. Métrica de sucesso: O desenho fica todo visível dentro da linha de limite do bastidor, sem ter de andar a deslocar o ecrã.
2) Baixar a opacidade do esboço para ver bem as linhas de ponto
O Ken baixa a opacidade da imagem até ficar como um “fantasma” (cinzento claro). Isto é crítico: se o esboço estiver a preto forte, deixa de se perceber onde já foram colocados os pontos/segmentos a vermelho.
Ponto de controlo: O esboço deve ficar suficientemente claro para quase desaparecer quando se semicerram os olhos — e as novas linhas digitais a vermelho devem destacar-se. Nota prática: Este contraste ajuda a detetar logo “falhas de ligação” — quando parece que se uniu uma linha, mas na verdade ficou um micro-espaço.



Passo 2: Escolher o comprimento de ponto certo para contornos
Nas definições da ferramenta de ponto corrido (“Run stitch tool”), o Ken seleciona modo Freehand e define o comprimento de ponto para 2,0 mm.
Calibração prática:
- Armadilha do valor por defeito: Muitas configurações ficam nos 3,5 mm ou 4,0 mm. Para Redwork, isto tende a ficar demasiado longo — o contorno parece “tracejado” e as curvas ficam angulosas.
- Zona segura (2,0 mm): 2,0 mm é curto o suficiente para contornar curvas com suavidade e manter um aspeto delicado, semelhante ao bordado à mão.
Porque 2,0 mm é uma referência comum no Redwork
O comprimento de ponto é um equilíbrio entre definição e arrasto.
- Demasiado longo (>3,0 mm): A linha “flutua” sobre a textura do tecido; curvas perdem suavidade.
- Demasiado curto (<1,5 mm): Perfurações muito próximas podem fragilizar o tecido e criar furos.
- 2,0 mm – 2,5 mm: Zona “Goldilocks”: assenta bem à superfície e mantém o traço legível.
Nota: O Ken demonstra 2,0 mm. Em materiais mais espessos (por exemplo, ganga), pode fazer sentido testar 2,5 mm. Em algodão comum ou t-shirts, 2,0 mm costuma resultar bem.
Ponto de controlo: Confirmar 2,0 mm na barra de propriedades. Verificação visual: Ao desenhar uma curva, a linha parece contínua e suave (bom) ou parece “liga-pontos” (mau)?

O segredo para costura contínua: a técnica do Ponto Vermelho
Este é o ponto de viragem técnico de todo o tutorial. Digitalizar Redwork é, na prática, um jogo de “não levantar a caneta” — ou, quando se levanta, voltar a ligar corretamente.
Quando o Ken pára um segmento e precisa de retomar, não recomeça “perto”. Ele aproxima a ponta da caneta exatamente do fim do segmento anterior até aparecer um pequeno Ponto Vermelho.
O que significa o “Ponto Vermelho”
Esse ponto é a confirmação visual do software de que existe um encaixe de nó (node snap). Em termos práticos, é como se dissesse: “estas duas linhas vão ficar soldadas numa só”.
- Com Ponto Vermelho: A máquina continua a bordar sem interrupção.
- Sem Ponto Vermelho: A máquina interpreta como uma quebra: pára, pode cortar (trim) e recomeça noutro ponto.
Como executar:
- Desenhar o arco/segmento. Levantar a caneta.
- Voltar ao fim desse segmento.
- Esperar pelo gatilho visual (o Ponto Vermelho).
- Baixar a caneta e desenhar o segmento seguinte.
Ponto de controlo: Não iniciar uma nova linha sem ver o Ponto Vermelho, a menos que a intenção seja mesmo saltar para outra zona. Métrica de sucesso: Idealmente, o ficheiro final terá apenas UM comando de corte (no fim do desenho).


Como fazer linhas em dupla passagem para um resultado profissional
Um único ponto corrido pode ficar fino demais. O Ken usa uma estratégia de “retrocesso” (backtracking): borda a linha (Passagem 1) e depois regressa com outra linha paralela (Passagem 2).
O ritmo mental “1, 2”
Um espectador referiu que o Ken vai contando “1, 2” enquanto desenha. É uma âncora mental excelente.
- “1” (ida): Desenhar a estrutura do contorno.
- “2” (volta): Engrossar o traço e regressar ao “tronco” principal para seguir para outra parte sem cortar linha.
Isto resolve o problema do “beco sem saída”. Se se borda até à ponta de uma folha, fica-se preso na ponta. Ao fazer “1” (até à ponta) e “2” (de volta), regressa-se ao caminho principal e continua-se para a próxima área sem cortes.
Pontos de controlo durante o retrocesso
- Tolerância de desvio: Não é obrigatório que a segunda passagem caia exatamente nos mesmos furos. Isso pode criar volume. O objetivo é ficar ligeiramente ao lado, apenas o suficiente para dar espessura óptica.
- Direção: Trabalhar com lógica (por exemplo, no sentido dos ponteiros do relógio). Evitar saltos aleatórios dentro do desenho.
Se a montagem no bastidor for feita com um bastidor de bordado magnético mighty hoop 5.5 (o tamanho mostrado), a fixação magnética ajuda a reduzir micro-deslocamentos entre a Passagem 1 e a Passagem 2, mantendo o alinhamento mais nítido.



Exportar e bordar numa máquina multiagulhas
O Ken exporta o ficheiro em DST (Tajima) — um formato muito usado em bordado comercial — e passa para a máquina.
Preparação (consumíveis “escondidos” e gestão de risco)
Antes de carregar em “Start” (Iniciar), é importante controlar o ambiente. O Redwork não perdoa: não há ponto cheio para “esconder” falhas.
Lista de consumíveis (checklist):
- Agulha: 75/11 ponta aguda (para tecidos planos) ou ponta bola (para malhas). Evitar agulhas gastas; uma ponta danificada pode puxar fio em ponto corrido.
- Bobina: Garantir que a caixa da bobina está limpa. Acumulação de cotão pode causar variações de tensão e “laçadas” no lado superior.
- Tesoura: Tesoura de precisão (curva, se possível) para cortar a ponta inicial do fio rente ao tecido.
Árvore de decisão: escolha do estabilizador
O Redwork pode distorcer porque puxa o tecido em direções lineares.
- Cenário A: Tecido plano sem elasticidade (algodão de patchwork, ganga)
- Opção: rasgável (2 camadas) ou recortável leve.
- Porquê: O tecido já tem estrutura.
- Cenário B: Malha instável (t-shirt, jersey)
- Opção: recortável tipo malha (no-show mesh).
- Porquê: A malha estica com o arrasto da agulha. O rasgável pode romper/perfurar ao longo do contorno e deformar o desenho. Em Redwork sobre malha, o recortável tende a ser a escolha mais segura.
- Cenário C: Pelo alto (toalha turca, veludo)
- Opção: recortável (por baixo) + película solúvel em água (por cima).
- Porquê: Sem topping, o ponto de 2,0 mm pode “afundar” e perder definição.
Para quem faz produção com frequência, é comum procurar um bastidor de bordado magnético para acomodar diferentes “sanduíches” (tecido + estabilizador + topping) sem andar a reajustar parafusos.
Aviso: segurança mecânica
Manter mãos, roupa solta e cabelo comprido afastados da barra de agulhas durante o funcionamento. Nunca tentar retirar fios soltos com a máquina a trabalhar a alta velocidade.
Aviso: segurança com ímanes
Bastidores magnéticos comerciais usam ímanes de neodímio com força elevada. Podem entalar dedos com gravidade. Não aproximar de pacemakers, suportes magnéticos (cartões) ou discos rígidos.
Preparação: alinhamento e montagem no bastidor
O Ken alinha o bastidor com a ajuda do laser da máquina.
- Princípio da montagem no bastidor: O tecido deve ficar “teso como pele de tambor”, mas sem ser esticado. Se uma t-shirt for esticada na montagem, ao sair do bastidor vai retrair e criar franzidos no contorno.
- Vantagem do magnético: O bastidor magnético permite “assentar” o estabilizador e colocar o tecido por cima, prendendo sem a distorção típica de puxar e apertar.
A montagem no bastidor é uma competência, mas as ferramentas ajudam. Uma estação de colocação de bastidores para bordado pode padronizar a colocação e garantir que o desenho cai sempre no mesmo sítio, peça após peça.
Checklist de preparação
- [ ] Esboço escalado <4" dentro da zona de segurança.
- [ ] Opacidade reduzida para ver bem as linhas.
- [ ] Comprimento de ponto confirmado em 2,0 mm.
- [ ] Agulha nova instalada.
- [ ] Zona da bobina limpa (sem cotão).
Checklist de configuração
- [ ] Escala/tamanho de bastidor correto selecionado no software.
- [ ] Tecido liso no bastidor, sem excesso de estiramento.
- [ ] Laser (ou descida de agulha) alinhado ao centro.
- [ ] Percurso da linha verificado (sem encravamentos).




Operação: o bordado
O desenho do Ken corre rápido — estimado em 1.000 pontos no total. Graças ao percurso (técnica do Ponto Vermelho), a máquina borda de forma contínua, com poucas interrupções.
Monitorização sensorial:
- Som: Procurar um ritmo consistente. Um “clac-clac” repetitivo pode indicar contacto do bastidor com limites ou uma zona mais dura.
- Visão: Observar a alimentação da linha. Deve sair de forma fluida; puxões podem indicar encravamento no cone.
Para oficinas que querem reduzir fadiga do operador, mudar para bastidores de bordado magnéticos pode reduzir o esforço repetitivo associado à montagem em bastidor, ajudando a manter consistência em séries mais longas.
Checklist de operação
- [ ] Slow Redraw: Pré-visualizar o ficheiro no ecrã. Existem saltos? (Se sim, voltar ao PC).
- [ ] Teste: Bordar primeiro num retalho de tecido semelhante.
- [ ] Acompanhar: Vigiar os primeiros 100 pontos para confirmar tensão equilibrada (sem branco da bobina a aparecer por cima).
Controlos de qualidade
1. Teste de rigidez
Pegar no bastidor no fim. O tecido está a franzir à volta do contorno?
- Sim: Estabilizador demasiado leve ou tecido esticado na montagem no bastidor. Na próxima, usar recortável ou melhorar a fixação.
- Não: Bom sinal. O tecido deve ficar plano.
2. Teste de laçadas
Observar de perto os pontos de 2,0 mm. Existem laçadas de linha a levantar?
- Sim: Tensão superior demasiado solta, ou percurso da linha com problema.
- Não: O ponto assenta bem no tecido.
3. Verificação de “visão dupla”
Olhar para as linhas em dupla passagem.
- Falha: Espaços grandes e irregulares entre Passagem 1 e Passagem 2. (Causa típica: tecido deslizou no bastidor.)
- Passa: Linha mais grossa e unificada, como traço de marcador.
Quem trabalha com equipamento comercial, como uma máquina de bordar tajima, tende a beneficiar aqui: a estabilidade do conjunto ajuda a traduzir a digitalização precisa em contornos mais nítidos.
Resolução de problemas
| Sintoma | Causa física provável | Causa provável no software | Solução |
|---|---|---|---|
| Cortes aleatórios | A máquina interpreta que tem de saltar. | Percurso interrompido: falhou a ligação do “Ponto Vermelho”. | Usar a ferramenta de edição para aproximar o fim de uma linha ao início da seguinte até “encaixar”. |
| Linhas tremidas | Deslizamento no bastidor: o tecido mexeu. | Tremor da mão: desenho livre instável. | Físico: melhorar a fixação e usar estabilizador adequado. <br>Software: ajustar nós/pontos com a ferramenta de edição para suavizar curvas. |
| Linha a desfazer/partir | Densidade/atrito: 2,0 mm pode ser curto para a velocidade/condição do fio. | N/A | Reduzir a velocidade (por exemplo, começar a 700 SPM) ou aumentar ligeiramente para 2,2 mm. |
| A app fecha no iPad | Limitação de memória/recursos do tablet. | Instabilidade/bug. | Reiniciar o tablet e garantir que só a app necessária está aberta. |
Nota sobre “a app não abre no iPad”
Alguns utilizadores referiram que a app complementar no iPad abre e fecha de imediato. Vale a pena confirmar se o sistema operativo está atualizado. Ainda assim, o Ken demonstra o fluxo principal no PC; o tablet funciona como dispositivo de entrada. A fiabilidade tende a ser maior na aplicação de desktop.
Resultados
Ao seguir de forma rigorosa o fluxo do Ken — “Ponto Vermelho” + “dupla passagem” — obtém-se um Redwork que é:
- Eficiente: de zero a poucos cortes (menos paragens).
- Visível: contorno marcado sem ficar excessivamente denso.
- Limpo: sem saltos para aparar manualmente.
De hobby a produção: Conseguir este resultado uma vez é satisfatório; conseguir 50 vezes seguidas é processo. Para escalar:
- Dominar o percurso: praticar o “1, 2” até ser automático.
- Padronizar a fixação: reduzir variáveis. Usar estabilizadores consistentes e ferramentas como bastidores magnéticos ajuda a minimizar o maior fator de variação no bordado: erros de montagem no bastidor.
