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Porque é que qualquer digitalizador precisa de um amostrador de densidade
Se já ficou a olhar para uma área de enchimento no ecrã e pensou: “Isto vai ficar com cobertura rica — ou vai virar um emblema rígido e ‘à prova de bala’?”, não está sozinho. Esta é uma das dúvidas mais comuns na digitalização para bordado. O ecrã engana; quem dita a verdade é a linha.
Um amostrador de densidade é a sua “chave de leitura”. Neste fluxo de trabalho, não se trata apenas de criar um ficheiro: trata-se de construir uma biblioteca física de referência. Vai criar um ficheiro que compara, lado a lado, vários padrões de enchimento tipo tatami com várias definições de densidade.
Porque é que isto importa? Um amostrador transforma a adivinhação (“Acho que 0,4 mm é o ideal”) em conhecimento baseado em teste (“Sei que 0,4 mm dá cobertura perfeita neste tecido específico”).
A realidade comercial: Em produção (ou quando se digitaliza para clientes), “adivinhar” sai caro. Um teste falhado consome estabilizador, linha, tecido e tempo de máquina. Se estiver a fazer vários testes numa máquina de bordar multiagulhas, combinar o stitch-out com bastidores de bordado magnéticos pode reduzir o tempo de re-montagem no bastidor e ajudar a evitar as temidas marcas do bastidor em peças de teste mais caras.

Step 1: Setting Up Your Grid in Design Doodler
Um bom amostrador começa num ambiente previsível. O objectivo é reduzir o “ruído” visual. A abordagem da Linda é disciplinada: definir a grelha para que cada quadrado seja matematicamente consistente, tornando o resultado físico fácil de medir mais tarde.
O que vai construir (o modelo mental)
- Eixo X (colunas): progressão de densidade (leve → pesado).
- Eixo Y (linhas): progressão de textura (Pattern 1, 2, 3, Smooth).
- Objectivo: uma matriz de 20 pontos de comparação bordados numa só amostra de tecido.
Passo a passo: definir a grelha para 1 inch x 1 inch
- Abrir o menu dos três pontos no canto superior.
- Seleccionar Settings.
- Mudar as unidades para Imperial (polegadas são o padrão para este tamanho de grelha).
- Nas definições da grelha, introduzir 1 em Height e 1 em Width.
- Fechar as definições.
Ponto de controlo: o fundo do canvas deve passar a mostrar quadrados grandes e bem definidos de 1 polegada.
Verificação visual: deixa de ser necessário “apertar os olhos” para ver caixas pequenas — as linhas da grelha devem parecer mais abertas e espaçadas.

Step 2: Creating and Aligning Test Squares
O método “científico” precisa de constantes. Aqui, a constante é o tamanho do quadrado e o espaçamento. Se os quadrados tiverem tamanhos diferentes, a comparação de densidade fica enviesada.
Passo a passo: desenhar o quadrado mestre
- Seleccionar a ferramenta Brush.
- Activar a ferramenta Fill (“On”) na interface inferior.
- Escolher a forma geométrica Square.
- Seleccionar uma cor de alto contraste (a Linda usa Hot Pink, porque evidencia falhas contra um fundo branco).
- Clicar e arrastar na diagonal para criar um quadrado que preencha bem um bloco da grelha.
Ponto de controlo: fica um quadrado rosa sólido no canvas. Este é o seu “mestre” (referência base).

Passo a passo: duplicar para formar uma linha
- Seleccionar o quadrado mestre.
- Tocar em Copy e depois em Paste.
- Arrastar a cópia para a direita.
- Repetir até ter cinco quadrados numa linha horizontal.
Nota prática: deixar pelo menos 0,5" a 1,0" de espaço entre quadrados. Se ficarem demasiado próximos, a distorção de “push/pull” de um quadrado pode influenciar o seguinte e “contaminar” a leitura.
Passo a passo: alinhar e distribuir
- Usar a caixa de Select All (arrastar uma selecção à volta dos cinco quadrados).
- Abrir a ferramenta Align e escolher Align Bottom.
- Seleccionar Distribute Horizontally Center.
Ponto de controlo: os quadrados devem parecer uma formação perfeitamente direita e com espaçamento uniforme.
Métrica de sucesso: simetria visual. Se algum quadrado parecer “fora do sítio”, corrigir já — as etiquetas vão depender deste alinhamento.


Dica para bastidores pequenos: se estiver limitado a um bastidor 4x4, não reduza os quadrados. Reduzir o tamanho altera a física do ponto. Em vez disso, elimine as últimas colunas (as densidades mais abertas) e/ou simplifique as etiquetas para caber no campo.
Step 3: Customizing Density and Fill Patterns
Aqui está o núcleo da lição: retirar “automatismos” para observar o comportamento real do ponto.
Passo a passo: remover o underlay para transparência
- Abrir o Properties Docker.
- Procurar as definições de Traveling Route ou Underlay.
- Alterar para Edge (ou desactivar o underlay do tipo center run/tatami, conforme a opção disponível).
Porquê fazer isto? Normalmente, o underlay é essencial para estabilidade. Mas num amostrador de densidade, interessa ver a cobertura do enchimento “a nu”. Se ficar um underlay pesado, tudo parece mais cheio do que realmente é.

Passo a passo: definir a progressão de densidade
Seleccionar cada quadrado individualmente e introduzir estes valores. Nota: em bordado, “densidade” costuma referir-se ao espaçamento entre linhas (mm). Número mais baixo = linhas mais próximas = maior cobertura.
- Quadrado 1: 0,4 mm (cobertura padrão).
- Quadrado 2: 0,6 mm (mais leve).
- Quadrado 3: 0,8 mm (leve; a trama pode começar a notar-se).
- Quadrado 4: 1,2 mm (aberto; útil para efeitos e Mylar).
- Quadrado 5: 1,6 mm (muito aberto; alinhavo/efeitos especiais).
Ponto de controlo: no ecrã, o Quadrado 1 deve parecer mais “cheio” e o Quadrado 5 mais “aberto”.

Passo a passo: duplicar linhas para comparar padrões
- Seleccionar a linha de cima (os 5 quadrados).
- Copy e Paste.
- Arrastar a nova linha para baixo, imediatamente por baixo da primeira.
- Com a nova linha seleccionada, mudar o Fill Pattern para Pattern 2.
- Repetir para Pattern 3 e Smooth.
A Linda identifica estes como padrões Tatami (enchimento). O tatami é o “cavalo de batalha” do bordado: dá textura e uma direcção de ponto bem definida.
Nota importante sobre o “Smooth”: neste contexto do software, “Smooth” aparece como mais um enchimento (tatami) com textura mais lisa. Ainda assim, a regra prática mantém-se: para quadrados largos, evitar padrões de ponto tipo satin.



A lógica de quem trabalha em produção
Profissionais insistem nisto porque tempo é dinheiro. Numa oficina, não é viável testar cada logótipo na peça final.
- Hobby: escolhe valores “a olho” e espera pelo melhor.
- Profissional: consulta o amostrador e decide com base em referência física.
Se estiver a fazer muitos testes, a escolha do equipamento pesa. Bastidores tradicionais exigem aperto por parafuso, cansam as mãos e podem deixar marcas do bastidor (pressão no pêlo/na malha). Por isso, muitos ateliers evoluem: uma estação de colocação de bastidores para bordado ajuda a manter a amostra alinhada e direita, e um bastidor magnético reduz o esforço repetitivo na montagem.
Recommended Density Settings for Different Materials
O vídeo mostra uma gama de 0,4 mm a 1,6 mm. Mas números sem contexto não ajudam. Use este enquadramento para escolher um ponto de partida e, depois, confirme no amostrador.
Árvore de decisão tecido → densidade
Use esta lógica antes de digitalizar:
1. Qual é a estrutura do tecido?
- Tecido plano estável (denim, sarja, lona):
- Restrição: pouca elasticidade.
- Ponto de partida: 0,4 mm.
- Estabilizador: rasgável médio.
- Malha instável (t-shirts, desporto):
- Restrição: elasticidade alta; tendência a franzir.
- Ponto de partida: 0,5 mm – 0,6 mm (mais leve para reduzir rigidez).
- Estabilizador: recortável (cutaway).
2. Existe pêlo/volume (hoodies, polar, toalhas)?
- Alto volume: o pêlo pode “furar” o enchimento.
- Ponto de partida: 0,4 mm + película hidrossolúvel (topping).
- Hardware: bastidores de bordado magnéticos podem ajudar a reduzir marcas do bastidor à volta do aro, sobretudo em tecidos com pêlo.
3. É um material especial (Mylar/efeito)?
- Requisito: ver o brilho/folha por baixo.
- Ponto de partida: 1,2 mm.
- Técnica: sem underlay, para manter o enchimento mais aberto.
A dúvida típica: “E em hoodies, que densidade usar?”
Na prática, esta pergunta aparece muito. O vídeo não define um valor específico para hoodies; por isso, a melhor abordagem é usar o amostrador como referência e escolher a densidade que dá cobertura sem criar rigidez excessiva.
Orientação prática: em hoodies, a combinação de estabilizador adequado + topping costuma ter mais impacto do que “fechar” demasiado a densidade. Se estiver a montar peças volumosas, uma estação de colocação de bastidores para máquina de bordar ajuda a manter o tecido direito durante a colocação no bastidor.
The Stitch Out: Comparing Results on Fabric
As simulações acabam aqui. Agora cria-se o activo físico. A Linda finaliza o ficheiro e envia-o para uma máquina de bordar multiagulhas com um bastidor magnético azul.
Passo a passo: etiquetar com cuidado
Daqui a três dias, é fácil esquecer o que cada quadrado representa. Etiquetar já.
- Seleccionar a ferramenta Text.
- Escrever etiquetas para as linhas (por exemplo, P1, P2, P3).
- Escrever etiquetas numéricas para as colunas (por exemplo, .4, .6, .8).
- Crucial: garantir que o texto tem pelo menos 0,35 inches de altura para bordar legível.
Ponto de controlo: no ecrã, o desenho deve parecer uma folha de cálculo.


Passo a passo: guardar e exportar
- Guardar o ficheiro de trabalho como .JDX (formato do Design Doodler) para editar no futuro.
- Exportar o ficheiro de bordado (DST, PES, JEF, etc.) adequado à máquina.
- Transferir para a máquina por USB ou WiFi.
Nota prática (da comunidade): o software pode ser usado sem WiFi, dependendo do fluxo de transferência para a máquina.
Checklist “pré-voo” (não saltar)
Antes de carregar no botão verde, fazer estas verificações.
- [] Agulha: está em bom estado? (uma agulha com rebarba desfaz a linha em enchimentos densos). Ex.: 75/11 bola para malhas, 75/11 ponta para tecidos planos.
- [] Bobina: a bobina está cheia? Ficar sem linha a meio do amostrador estraga a leitura.
- [] Ferramentas à mão: tesoura de aplique e caneta hidrossolúvel para marcações.
- [] Passagem de linha: confirmar o enfiamento e a tensão (deve sentir-se resistência consistente).
Checklist de preparação
- [] Estabilizador: para este amostrador, o recortável (cutaway) ajuda a manter os quadrados mais planos; o rasgável pode deformar nos quadrados mais densos.
- [] Montagem no bastidor: ao usar um bastidor de bordado magnético, aproximar os ímanes lateralmente — não “bater” com força. O tecido deve ficar tenso como pele de tambor, mas sem esticar e deformar.
- [] Traçado/contorno: fazer um trace para garantir que o desenho não bate no bastidor.
Checklist durante o bordado
- [] Som: um ritmo regular é bom. Um “clack” agressivo pode indicar tensão fora ou agulha gasta.
- [] Primeiro quadrado (0,4 mm): observar se o tecido está a franzir nas bordas. Se sim, o bastidor pode estar frouxo ou a combinação densidade/estabilizador não está equilibrada.




Guia de resolução de problemas
| Sintoma | Causa provável | “Correção rápida” |
|---|---|---|
| Franzido/ondulação | Tecido a mexer no bastidor. | Aumentar a estabilidade. Melhorar a tensão no bastidor (ou mudar para bastidor magnético). Adicionar uma segunda camada de estabilizador. |
| Toque demasiado rígido | Densidade demasiado alta. | Usar o amostrador para escolher uma densidade mais aberta (por exemplo, passar de 0,4 para 0,6 mm). |
| Fundo a aparecer | Densidade demasiado aberta ou pêlo a furar. | Usar topping hidrossolúvel ou aumentar a cobertura (conforme o resultado do teste). |
| “Não cabe no bastidor” | O desenho excede o campo. | Estratégia: remover a última coluna (1,6 mm) e/ou as etiquetas. Se tiver um bastidor de bordado 4x4 para Brother, respeitar o limite 100x100 mm. Evitar simplesmente “encolher” o desenho. |
| Falhas no enchimento | Problema de tensão da bobina/linha. | Verificar tensões. Confirmar equilíbrio entre linha superior e bobina e rever enfiamento. |
Nota rápida sobre ferramentas e evolução de equipamento
Para quem borda ocasionalmente, ferramentas standard podem ser suficientes. Mas ao passar para um nível mais intensivo:
- Gargalo: tempo de montagem no bastidor e danos no tecido.
- Evolução: bastidores de bordado magnéticos para máquinas de bordar eliminam o aperto por parafuso e ajudam a segurar peças volumosas (toalhas, sacos) que alguns bastidores standard têm dificuldade em prender.
- Escala: se estiver a trocar cores manualmente durante muito tempo por desenho, pode fazer sentido considerar soluções multiagulhas (máquina de bordar multiagulhas) para ganhar consistência em testes e produção.
Resultados
Agora tem uma “fonte de verdade” física.
- 0,4 mm: referência base para logótipos.
- 0,8 mm: referência para looks mais leves/“vintage”.
- 1,2 mm: referência para aplicações com Mylar/efeitos.
Pendure este amostrador no atelier. Da próxima vez que alguém perguntar “Isto vai deixar a camisola rígida?”, em vez de adivinhar, mostre o amostrador e deixe sentir a diferença entre 0,4 e 0,6. É aí que se vê a diferença entre suposição e decisão profissional.
