Aviso de direitos de autor
Índice
Master Class: Dominar o bastidor Jumbo Split 14x14
Compreender a lógica (e a física) do bastidor “Split”
Se já olhou para o bastidor Jumbo 14" x 14" e pensou: “Finalmente — um bastidor enorme para desenhos gigantes”, está parcialmente certo. A chave para o dominar é perceber que este bastidor é um sistema dividido (split), não um campo contínuo.
Na prática, pense nisto não como “uma tela gigante”, mas como duas áreas de bordado acopladas. Faz-se a montagem no bastidor uma única vez, mas a máquina borda duas vezes: primeiro uma metade, depois a outra. Assim, obtém-se a cobertura de 14" x 14", mas não um bordado contínuo de canto a canto numa só passagem.
Isto costuma ser intuitivo para quem já usou um bastidor de múltiplas posições numa máquina doméstica. Nos comentários, surgiu exactamente essa associação: “é como o bastidor reposicionável que uso na minha Brother de agulha única”. É um bom modelo mental: aqui está a gerir o alinhamento entre duas zonas (Zona 1 e Zona 2). Se vem de uma máquina de uma agulha e já trabalhou com um bastidor de bordado reposicionável, a lógica é semelhante — mas numa máquina de bordar multiagulhas, as forças e a velocidade tornam os erros mais caros.



O que vai dominar (e como evitar problemas caros)
Neste workflow, o objectivo é ir além do “dá para fazer” e chegar ao “dá para repetir com consistência”:
- Materiais: como montar no bastidor um tecido metalizado escorregadio (lamé) com enchimento e estabilizador de recorte (cut-away) sem “migrar” durante um bordado longo (no vídeo, 71 minutos para a primeira metade).
- Precisão mecânica: como apertar dois parafusos laterais de forma equilibrada para evitar deformação do bastidor e perda de tensão.
- Fluxo de software: como o PE Design trata a divisão de forma automática quando se escolhe o bastidor correcto — e como confirmar no ecrã da máquina que existem duas zonas.
- Segurança e montagem: como orientar e encaixar o bastidor usando referências visuais (etiquetas) para não forçar o suporte do bastidor na máquina.
Os pontos de falha mais comuns em bastidores grandes são também os mais dispendiosos: tecido a escorregar (peça perdida), tensão irregular (franzidos) e o erro “embroidery frame can not be used”/“o bastidor não pode ser utilizado”. Abaixo, o processo foi estruturado para reduzir estes riscos antes de começar a bordar.
Estratégia “sanduíche”: montagem no bastidor de tecidos difíceis
O lamé (tecido metalizado) é conhecido por ser fino, fluido e com acabamento tipo plástico. O resultado final pode ser espectacular, mas o atrito é baixo — e isso aumenta a probabilidade de escorregar no bastidor, sobretudo num bastidor grande.
No vídeo, a pilha (stack) usada é:
- Base: estabilizador de recorte (cut-away).
- Meio: enchimento (batting), para dar volume e ajudar na estabilidade.
- Topo: lamé dourado.

Porque é que esta pilha importa (perspectiva prática)
Em bastidores 14x14, as forças amplificam-se:
- Flexão no centro: o centro fica mais longe das bordas do bastidor; se a tensão estiver fraca, o material pode “ceder” com a penetração da agulha.
- Arrasto do bordado: muitos pontos criam um efeito cumulativo de “puxar” o tecido em direcção às zonas densas.
- Função do estabilizador: o cut-away dá estrutura ao conjunto; o enchimento ajuda a estabilizar e a suportar o efeito visual.
Consumíveis escondidos e verificações antes de começar
Antes de tocar no bastidor, confirme que tem tudo preparado (evita parar a meio e perder alinhamento):
- Estabilizador + enchimento + tecido cortados com margem suficiente.
- Parafusos do bastidor acessíveis e com rosca a trabalhar suavemente.
- Autocolantes “snowman” (marcadores de posicionamento) prontos, porque fazem parte do método de alinhamento referido no vídeo e nos comentários.
Se fizer muitos trabalhos com bastidores grandes, uma estação de colocação de bastidores para máquina de bordar pode ajudar a manter o aro exterior estável enquanto alisa e ajusta as camadas — reduz fadiga e melhora consistência.
Checklist de preparação
- [ ] Confirmar necessidade: o desenho precisa mesmo do Jumbo Split ou cabe num bastidor mais pequeno? (Regra prática: usar o bastidor mais pequeno possível.)
- [ ] Margens: garantir pelo menos 1 inch de excesso em toda a volta (no vídeo é referido 1 inch). Em bastidores grandes, mais margem dá mais segurança, desde que não interfira com a máquina.
- [ ] Camadas completas: confirmar que as três camadas (estabilizador, enchimento e lamé) ficam realmente presas no aperto.
- [ ] Autocolante “snowman”: ter um pronto para o processo de alinhamento quando o software/máquina o indicar.
Passo crítico: técnica de tensão com “dois parafusos”
O aviso mais importante do vídeo é directo: este bastidor é “manhoso” (fiddly) por ser grande. Ao contrário de bastidores mais pequenos, aqui a pressão depende muito do ajuste correcto de dois parafusos laterais. Se apertar um lado todo e deixar o outro solto, pode torcer o bastidor e criar folgas — e é aí que o tecido começa a escorregar.



Método de aperto equilibrado (passo a passo)
- Assentar as camadas: posicionar estabilizador + enchimento + lamé com a margem visível em toda a volta.
- Encostar sem forçar: aproximar os dois aros e começar a apertar até sentir resistência leve.
- Ritmo alternado:
- Ajustar um parafuso.
- Ajustar o outro parafuso.
- Repetir até chegar à tensão final.
Ponto de controlo: antes do aperto final, puxar ligeiramente pelo excesso de estabilizador/tecido. Se “andar” dentro do bastidor, ainda não está seguro.
Cantos vs. laterais: o que é normal sentir
No vídeo é referido um comportamento típico: os cantos ficam mais firmes e as laterais longas podem parecer um pouco menos rígidas. Isto é normal em bastidores grandes. O objectivo é garantir que, mesmo com essa diferença, o conjunto não se desloca durante o bordado.
Quando faz sentido considerar uma melhoria de ferramenta
Se, na prática, há repetidas re-montagens no bastidor por escorregamento (especialmente em tecidos muito lisos), um bastidor de bordado magnético pode reduzir o esforço de aperto e melhorar a repetibilidade. A lógica é simples: em vez de depender apenas de fricção e parafusos, passa a ter uma força de aperto vertical mais uniforme.
Workflow de software: a divisão “invisível”
A demonstração usa PE Design (no vídeo é referido PE Design 10), e é mencionado que outros programas (como Hatch) também podem ser usados. O ponto-chave é: o ficheiro tem de levar a informação do bastidor correcto, para a máquina reconhecer que se trata de um bastidor dividido.


Protocolo digital (o que confirmar)
- Abrir o desenho no software.
- Seleccionar o bastidor Jumbo/Split (o equivalente a 14x14) no software.
- Confirmar visualmente que o software apresenta duas áreas/zonas sobre o desenho.
- Enviar para a máquina (ou guardar em USB e abrir na máquina). No ecrã da máquina, o desenho deve aparecer dividido em duas zonas.
Na prática, uma dúvida comum (vista nos comentários) é “como é que se divide no PE Design?”. A resposta dada pelo canal é que, ao escolher o bastidor correcto, o PE Design trata do processo e, ao abrir na máquina, o desenho aparece em duas partes.
Se estiver a explorar multi-hooping na máquina de bordar, a regra mantém-se: mesmo quando o software automatiza, deve-se confirmar no ecrã que a divisão faz sentido para o desenho (por exemplo, evitar que a linha de divisão atravesse uma área crítica, quando possível).
Montagem do bastidor na máquina: orientação e segurança
Colocar um bastidor Jumbo não é como colocar um 10x10. É maior, mais pesado e o encaixe exige atenção.
Regra da etiqueta “B”: no vídeo, é mostrado que deve localizar a etiqueta “B” no bastidor e garantir que fica virada para cima. Isto ajuda a assegurar a orientação correcta ao encaixar no suporte do bastidor.



A sensação de “meio encaixe” (normal no primeiro lado)
Um ponto que confunde muita gente: ao encaixar para bordar a primeira metade, o bastidor não recua totalmente para trás. Isso é esperado no modo split.
- Bastidores normais: encaixam e recuam até ao fim.
- Jumbo Split (primeira posição): encaixa e pára antes do fim.
Atenção: se sentir resistência, não forçar. O sistema está desenhado para parar nessa posição na primeira metade.
Resolução rápida: erro “Embroidery frame can not be used”
Nos comentários aparece a dúvida sobre este erro. Antes de assumir avaria, faça este diagnóstico simples:
- Ficheiro/definição de bastidor: o desenho foi guardado/enviado com o bastidor Jumbo/Split seleccionado? Se o ficheiro não levar a identificação do bastidor, a máquina pode recusar.
- Orientação: confirmar a etiqueta “B” virada para cima.
- Obstruções: verificar se há tecido/volume a interferir com o encaixe ou com a leitura do bastidor.
Execução: iniciar o bordado e confirmar no ecrã
Depois de carregar o desenho, a confirmação é visual: no ecrã aparecem duas zonas (no vídeo, duas caixas vermelhas).



Verificação de cores (lógica de produção)
No vídeo, as cores são alteradas para preto no ecrã de edição. Isto ilustra um ponto útil: reduzir complexidade durante um trabalho dividido.
- Se houver muitas trocas de cor, estas podem ficar distribuídas pelas duas metades.
- Simplificar/organizar cores pode tornar o processo mais previsível, sobretudo quando se está a aprender o fluxo do bastidor split.
Checklist de operação
- [ ] Confirmar no ecrã: existem duas zonas distintas.
- [ ] Escolher a metade correcta para começar (Zona 1/topo, conforme apresentado).
- [ ] Verificar folgas: garantir que o bastidor tem espaço para se mover sem bater na parede, suporte de linhas, etc.
- [ ] Acompanhar os primeiros minutos: se houver tendência para escorregar, é preferível parar cedo e refazer a montagem no bastidor.
Guia de troubleshooting (sintomas e correcções)
| Sintoma | Causa provável | Correcção com maior probabilidade |
|---|---|---|
| O tecido escorrega/sai do bastidor | Tensão desigual nos dois parafusos; margem insuficiente; camadas não ficaram presas. | Parar, desapertar e refazer a montagem no bastidor. Apertar alternando os parafusos (um pouco de cada vez) e confirmar cantos bem seguros. |
| O bastidor parece “flexível” no meio | Comportamento normal em bastidores grandes: cantos mais rígidos, laterais com alguma flexão. | Garantir cantos muito firmes e que, ao puxar pelo excesso de estabilizador, o conjunto não “anda”. |
| Erro “Embroidery frame can not be used” | A máquina não reconhece o ID/configuração do bastidor no ficheiro; orientação incorrecta. | Confirmar que o ficheiro foi preparado para o bastidor Jumbo/Split e que a etiqueta “B” está para cima. |
| Desalinhamento entre as duas metades | Deslocação/estiramento durante a primeira metade; estabilização insuficiente para o material. | Reforçar a estabilidade do conjunto e garantir que a montagem no bastidor fica firme desde o início; usar os marcadores “snowman” quando o processo o indicar. |
Considerações finais: caminho para produtividade
A demonstração mostra que, com a técnica certa — pilha de materiais bem pensada e aperto equilibrado dos dois parafusos — é possível bordar desenhos grandes com bom controlo num bastidor Jumbo Split. Um bom resultado começa com: margem adequada, camadas bem presas, orientação correcta (etiqueta “B” para cima) e confirmação no ecrã das duas zonas antes de iniciar.
Também é normal que surjam dúvidas típicas: “isto é como um bastidor reposicionável?”, “como se divide no PE Design?”, “porque é que a máquina diz que o bastidor não pode ser usado?”. Com os checkpoints acima, estas questões ficam mais fáceis de resolver no próprio fluxo de trabalho.
Aviso de segurança (ímanes): se optar por sistemas bastidor de bordado magnético, tenha em conta que usam ímanes fortes (neodímio). Podem entalar os dedos e devem ser mantidos afastados de pacemakers e de suportes sensíveis a magnetismo. Ao remover, deslizar para soltar — evitar puxar a direito.
