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Visão geral das funcionalidades da Bernette b79
Se está a passar de uma máquina de costura “pura” para a Bernette b79, ou se esta é a primeira experiência com uma máquina combinada (costura + bordado), está perante uma máquina muito capaz. Ainda assim, como qualquer profissional de bordado à máquina confirma: a máquina é o arco; quem manda é quem prepara e opera.
A b79 oferece um campo de bordado de 6x10 polegadas — um “ponto ideal” para logótipos, blocos de quilt e motivos comerciais de dimensão média. Nesta masterclass, em vez de repetir o manual, o foco é a realidade prática: do que se faz no ecrã ao que acontece fisicamente no bastidor e no tecido. O objetivo é que se saiba não só qual botão tocar, mas o que verificar para o resultado sair consistente.

Antes de ligar: a b79 é precisa, mas não faz milagres. Uma grande parte dos “erros da máquina” (ninhos de linha, agulhas partidas, contornos que fogem) são, na prática, erros de estabilização e de física. A meta é preparar tudo de forma que a máquina “não tenha alternativa” senão bordar bem.
Navegar no ecrã tátil com precisão
A interface da b79 é o seu “cockpit”. Trabalha com toque direto no ecrã e com botões/rodas multifunções. As rodas são especialmente úteis porque dão controlo fino — microajustes que um gesto com o dedo nem sempre consegue manter com rigor.

Passo a passo: inserir texto e centrar
Em bordado, a colocação é tudo. A demonstração mostra a introdução da palavra “MEISSNER” e o seu centramento.
- Selecionar o módulo de lettering: tocar no ícone do alfabeto.
- Escrever o texto: usar o teclado no ecrã.
- Confirmar: tocar no visto verde (ou ícone equivalente) para colocar o texto no bastidor virtual.
- Verificar limites visuais: observar a grelha e as linhas de segurança. O texto deve ficar bem dentro da área útil, com margem suficiente.

Verificação rápida: confirmar no ecrã que existe “folga” entre o texto e o limite do bastidor virtual. Essa folga é o que evita surpresas quando o calcador e o conjunto da agulha se aproximam das extremidades.
Passo a passo: rotação e redimensionamento seguro
Rodar é comum; redimensionar é onde começam os problemas de densidade.
- Abrir a informação: tocar no menu “i”.
- Rodar: usar o ícone de rotação. Na demonstração, o texto é rodado 90° para ficar na vertical.
- Redimensionar com as rodas: usar a roda multifunções superior para escalar.
- Zona de segurança: respeitar a regra dos 80% a 120%.

Porque é que a regra 80/120 interessa: Ficheiros de bordado não são gráficos vetoriais; são instruções de pontos.
- Reduzir > 20%: o número de pontos tende a manter-se, mas a área diminui. Resultado: densidade excessiva (efeito “colete à prova de bala”), com risco de agulha partir, linha desfazer-se e tecido ficar rígido.
- Aumentar > 20%: os pontos afastam-se e podem abrir falhas (gapping), deixando o tecido aparecer.

Verificação visual: depois de redimensionar, ampliar o zoom e observar cantos e colunas de ponto cheio (satin). Se no ecrã já parecem “amontoadas”, no tecido é provável que a agulha trabalhe com esforço e a linha sofra.
Como usar o Stitch Designer (modo de costura)
A b79 coloca capacidade de criação nas suas mãos com o Stitch Designer, permitindo desenhar pontos de costura numa grelha.

Passo a passo: desenhar um ponto “amigo” do avanço
- Escolher uma base: selecionar um ponto para editar ou começar de raiz.
- Entrar no modo de grelha: tocar no ícone de edição/lápis.
- Desenhar: traçar o padrão no ecrã.
Nota prática sobre a física do ponto: Ao desenhar, pensar em fluidez. A máquina avança o material para a frente; se o desenho tiver demasiados recuos, inversões bruscas ou “picos” repetidos no mesmo local, materiais aderentes (vinil) ou camadas espessas (quilts) podem não alimentar de forma estável.
- Teste simples: privilegiar linhas suaves e evitar “espigões” que caiam repetidamente no mesmo furo, a menos que se pretenda intencionalmente um nó/ancoragem.
Compreender o sistema Dual Feed
Para quem trabalha com camadas de quilt ou substratos difíceis (minky, pele, malhas), o Dual Feed funciona como controlo de tração. É semelhante a um calcador de duplo arrasto integrado: ajuda a camada superior a avançar ao mesmo ritmo que os dentes de transporte.

Passo a passo: ativar o Dual Feed
- Localizar: encontrar o mecanismo preto atrás do conjunto da barra da agulha.
- Puxar para baixo: baixar o braço.
- Encaixar: empurrar para a frente até “clicar” no encaixe na parte traseira do calcador compatível (calcadores com recorte/encaixe atrás).
Confirmação tátil: deve sentir um clique nítido. Se ficar solto ou “esponjoso”, não está bem engatado e pode vibrar durante a costura.
Passo a passo: bordar o primeiro desenho
Aqui faz-se a ponte entre teoria e prática. Vamos transformar o fluxo da demonstração num protocolo rígido e orientado à segurança.

Fase 1: preparação e consumíveis “invisíveis”
Não basta colocar tecido no bastidor e esperar que corra bem. O sucesso do desenho “Raposa” na demonstração depende sobretudo da estabilização.
Checklist de consumíveis (antes de começar):
- Agulhas: usar uma agulha de bordado 75/11 para tecido plano de algodão (como o tecido azul da demonstração). Uma agulha universal pode aumentar fricção e desfazer a linha a velocidades mais altas.
- Bobina: garantir que a bobina está bem enrolada, firme e uniforme. Bobinas “fofas” criam problemas de tensão.
- Pinça: para segurar pontas de linha com segurança.
- Tesoura: tesoura de bordado (curva, idealmente dupla-curva) para cortar saltos sem ferir o tecido.
Lógica de decisão: escolha do estabilizador
| Tipo de tecido | Comportamento | Estabilizador recomendado | Porquê? |
|---|---|---|---|
| Algodão tecido (tecido da demonstração) | Estável, sem elasticidade | Rasgável (médio) ou recortável (leve) | O tecido já se sustenta; o estabilizador dá rigidez e controlo. |
| T-shirt / malha | Elástico, instável | Recortável (médio/pesado) | Recomendado. O rasgável tende a permitir deformação e o desenho pode “ondular”. |
| Toalha / turco | Pelo em laços | Rasgável (atrás) + película solúvel em água (por cima) | A película evita que os pontos afundem no pelo. |
Fase 2: a física da montagem no bastidor
A montagem no bastidor é a competência física mais crítica no bordado. A demonstração usa um bastidor standard. Em contexto profissional, procura-se um “sanduíche plano”, não um “tambor esticado”.
- Problema típico: apertar demasiado o parafuso puxa o tecido no viés; círculos ficam ovais quando se retira do bastidor.
- Objetivo: tensão neutra. O tecido deve ficar plano e sem deslizar, mas sem ser deformado.
Caminho de upgrade: reduzir fricção A montagem tradicional pode ser lenta e pode deixar marcas do bastidor (fibras esmagadas) em peças delicadas. Por isso, muitos utilizadores intermédios e profissionais acabam por migrar para bastidores de bordado magnéticos. Em vez de lutar com parafusos e anéis internos, estes bastidores usam ímanes para “sanduichar” o material. Isto facilita ajustes rápidos e reduz a distorção típica do puxar/forçar do tecido. Se o objetivo for bordar peças volumosas (toalhas, casacos) na b79, procurar soluções magnéticas compatíveis pode ser um passo lógico para ganhar consistência e conforto de trabalho.
Checklist de preparação (não avançar sem confirmar)
- [ ] Agulha nova: está recente? (Regra prática: trocar a cada 8 horas de bordado).
- [ ] Verificação da bobina: as pontas de linha da bobina estão cortadas com um comprimento adequado (aprox. 1 polegada)?
- [ ] Percurso da linha superior: a linha está bem assentada nos discos de tensão? (Passar a linha com o calcador levantado e sentir resistência).
- [ ] Folga atrás da máquina: existe algum objeto que o braço do módulo de bordado possa bater durante o movimento?
Fase 3: montagem e carregamento do desenho
- Fixar o bastidor: encaixar/deslizar o bastidor no braço do módulo.
- Deteção: a máquina deve reconhecer automaticamente qual dos 3 bastidores está montado e limitar a área no ecrã para evitar bordar fora do bastidor.
- Carregar o desenho: tocar no ícone da borboleta -> pastas -> percorrer até ao desenho da raposa.



Checkpoint: confirmar que o desenho está centrado e com a orientação correta. Se o tecido foi rodado no bastidor, garantir que o desenho no ecrã corresponde ao sentido pretendido.
Fase 4: operação e monitorização
Premir o botão físico “Start/Stop” (Iniciar/Parar) iluminado a verde. Não abandonar a máquina.
Os primeiros 30 segundos (zona de risco):
- Segurar a ponta: segurar suavemente a ponta da linha superior nos primeiros 3–5 pontos para evitar que seja puxada para a caixa da bobina (origem típica de “ninho de linha”).
- Ouvir a máquina:
- Batida rítmica: normal.
- Clique/estalo seco: parar de imediato (a agulha pode estar a bater em algo).
- Som de arrasto/moagem: parar de imediato (possível bloqueio de linha na zona da bobina).


Gestão de velocidade: Só porque a b79 consegue trabalhar rápido, não significa que seja o ideal em todas as camadas.
- Recomendação prática: em primeiras amostras e em zonas densas (ponto cheio/satin), reduzir a velocidade para cerca de 600 SPM (pontos por minuto). Mais velocidade = mais vibração; mais vibração = menos precisão.

Dica de eficiência: Se a parte mais “pesada” do processo for voltar a montar no bastidor entre peças, isso é um sinal claro de gargalo de ferramenta. Muitos utilizadores recorrem a uma estação de colocação de bastidores para máquina de bordar combinada com bastidores magnéticos para repetir a colocação com precisão, sem medições e marcações constantes.
Checklist de operação (detalhes)
- [ ] Ponta segura: a ponta da linha superior foi segurada no arranque.
- [ ] Som: funcionamento suave, sem pancadas anormais.
- [ ] Bobina: não aparece linha branca da bobina no topo (a menos que seja intencional).
- [ ] Movimento do bastidor: o bastidor desloca-se livremente sem arrastar tecido para dentro do braço.
Compreender tamanhos de bastidor e compatibilidade
O campo 6x10 da b79 é generoso, mas é essencial compreender os limites reais. Um bastidor standard bastidor de bordado 6x10 para máquina de bordar é, na prática, maior do que a área efetivamente bordável; a máquina reserva margens por causa do calcador e da segurança de movimento.
Frustração comum: existe um desenho “de 10 polegadas”, mas a máquina não permite bordá-lo. Realidade: a área bordável real é muitas vezes aprox. 250 mm x 150 mm. Confirmar sempre os limites em milímetros no manual, e não apenas as “polegadas de marketing”.
Para quem quer expandir o kit, procurar especificamente um bastidor de bordado magnético para bernette b79 ajuda a evitar incompatibilidades no encaixe (os sistemas Bernina/Bernette diferem de Brother/Baby Lock). Um bastidor de terceiros errado pode forçar o braço de bordado e causar danos.
Controlo de qualidade: o exame “pós-operatório”
Quando a raposa terminar, retirar o bastidor.


Fase de relaxamento: Não avaliar o bordado enquanto o tecido está esticado no bastidor. Retirar do bastidor, remover o estabilizador e vaporizar (se for adequado ao material). O bordado “assenta” depois de libertar tensão.
Auditar o ponto:
- Alinhamento: os contornos alinham com os enchimentos?
- Falha de um lado: normalmente indica deslizamento no bastidor (erro de montagem no bastidor) ou estabilizador fraco.
- Falha generalizada: pode ser do desenho ou de calibração.
- Tensão: observar o verso. Idealmente, vê-se cerca de 1/3 de linha da bobina (branca) no centro das colunas de satin, com a cor da linha superior nas laterais.
- Tudo cor da linha superior no verso: tensão superior demasiado solta (a linha está a ser puxada para baixo).
- Branco da bobina no topo: tensão superior demasiado apertada ou bobina mal assentada.
Guia estruturado de resolução de problemas
Quando algo corre mal, evitar mexer em dez definições ao mesmo tempo. Seguir uma hierarquia de probabilidade (menos invasivo → mais invasivo).
| Sintoma | Probabilidade 1 (erro de operação) | Probabilidade 2 (mecânico/físico) | Probabilidade 3 (software/dados) |
|---|---|---|---|
| Ninho de linha (bolo de linha por baixo da chapa) | Enfiamento superior incorreto. A linha falhou o tira-linhas. Solução: reenfiar completamente com o calcador levantado. | Bobina ao contrário. Solução: confirmar o sentido de rotação (muitas vezes anti-horário/forma de “P”). | N/A |
| Linha a desfazer-se / partir | Agulha velha/errada. Solução: colocar agulha de bordado 75/11 ou 90/14 conforme o material. | Rebarba no percurso. Solução: verificar tampas, guias e pontos de contacto por “agarrões”. | Desenho demasiado denso. Solução: foi reduzido >20%? Voltar ao tamanho seguro. |
| Agulha a partir | Puxar o tecido. Solução: nunca puxar o tecido enquanto a máquina borda. | Choque no bastidor. Solução: confirmar bastidor correto no ecrã e folgas/obstáculos. | Ficheiro corrompido. Solução: voltar a transferir o desenho. |
| Falhas entre contorno e enchimento | Falha de estabilização. Solução: usar recortável em vez de rasgável; melhorar a montagem no bastidor (ou usar bastidor magnético). | Obstrução do bastidor. Solução: garantir que o bastidor não toca em paredes/objetos. | Compensação de repuxo. (Avançado) O desenho pode precisar de edição para o tecido. |
Resultados e próximos passos
Ao seguir este protocolo, passou da introdução de texto a um bordado concluído na b79.
Ficou a saber:
- Respeitar a física do ponto ao redimensionar (80–120%).
- Ativar o Dual Feed para tração na costura.
- Escolher estabilizadores com base numa árvore de decisão.
- Fazer um arranque seguro para evitar ninhos de linha.
Caminho para produção: Quando se passa de “testes” para “produção” (10 camisolas para uma equipa, ou meias de Natal em série), o gargalo deixa de ser aprender a máquina e passa a ser gerir a montagem no bastidor. É aqui que ferramentas como estações de colocação de bastidores e bastidores magnéticos deixam de ser “luxos” e passam a ser meios de repetibilidade — para que o décimo bordado fique tão direito e limpo como o primeiro.
Dominar a preparação, confiar na física e deixar a b79 fazer o trabalho. Boas costuras.
